Dubai Telegraph - Pressão de Trump sobre Powell

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Pressão de Trump sobre Powell




O confronto entre a presidência dos Estados Unidos e a liderança do Federal Reserve atingiu um novo ápice em janeiro de 2026. Em um pronunciamento público no fim de semana, o presidente do banco central norte‑americano, Jerome Powell, revelou que a instituição recebeu intimações de um grande júri do Departamento de Justiça, com a ameaça de uma acusação criminal. A medida, decorrente de seu depoimento ao Congresso sobre a reforma dos edifícios da sede do Fed, foi apresentada por ele como parte de uma campanha de intimidação política.

Powell afirmou em comunicado escrito e em vídeo que “a ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”. Segundo ele, os procuradores querem apurar se houve falsas declarações durante audiência sobre o projeto de renovação da sede, cujo custo subiu de cerca de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,5 bilhões. O presidente do Fed rebateu a acusação, atribuindo o aumento às diferenças entre estimativas iniciais e custos reais de materiais, mão de obra e problemas como contaminação tóxica. Durante o depoimento, Powell rejeitou denúncias de que haveria salas de jantar luxuosas ou jardins extravagantes, classificando esses itens como pretextos que já foram retirados do projeto.

Embora reconheça que “ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei”, o economista considera a intimação uma tentativa de politizar a política monetária. Para ele, a questão central é se o banco central continuará definindo as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas, ou se passará a ser dirigido por pressão política e intimidação. Powell lembrou que serviu sob quatro administrações, republicanas e democratas, e assegurou que continuará a cumprir seu mandato de estabilidade de preços e pleno emprego com integridade. Seu mandato como presidente termina em maio de 2026, mas ele pode permanecer no conselho de governadores até 2028.

A resposta de Trump e a escalada de pressões
Em entrevista transmitida no domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou ter conhecimento da investigação. Apesar disso, repetiu críticas à condução da política monetária. “Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no Federal Reserve, nem em construir prédios”, declarou. Trump tem cobrado cortes mais agressivos nos juros desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, alegando que as taxas atuais são “muito altas” e encarecem o crédito, a habitação e os custos de endividamento do governo. O presidente já chamou Powell de “tolo” e “idiota” e disse, em dezembro, que estudava processá‑lo por “incompetência grave” na reforma da sede.

As intimações do Departamento de Justiça marcam uma escalada na disputa que se arrasta desde o primeiro mandato de Trump. Nos últimos meses o presidente exigiu cortes rápidos nos juros e acusou o Fed de extrapolar o orçamento das obras da sede em Washington, sugerindo fraude. Ele mencionou um custo total de cerca de US$ 3,1 bilhões, acima das projeções iniciais, cifra que Powell nega. O presidente também já manifestou vontade de demitir o presidente do Fed e, em outro gesto extraordinário, tentou afastar a diretora Lisa Cook — tentativa que enfrenta exame da Suprema Corte.

Reações políticas e de mercado
A investida contra o Fed gerou críticas incomuns entre parlamentares e ex‑dirigentes da política monetária. O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado, afirmou em rede social que a medida demonstra que auxiliares de Trump “estão ativamente tentando acabar com a independência do Federal Reserve”. Ele prometeu bloquear a confirmação de qualquer indicado para o banco central enquanto a questão legal não estiver resolvida, o que poderia atrasar a eventual substituição de Powell por um aliado. Analistas apontam Kevin Hassett e Kevin Warsh como potenciais nomes cogitados pelo presidente.

Ex‑presidentes regionais do Fed e economistas acadêmicos classificaram a ameaça de indiciamento como uma “guerra jurídica” e alertaram para o risco de criminalizar a política monetária. Para o ex‑presidente do Fed de Dallas Richard Fisher, trata‑se de um gesto sem precedentes que pode resultar em um efeito contrário ao pretendido: prolongar a permanência de Powell no cargo e desincentivar futuros cortes de juros. Justin Wolfers, professor da Universidade de Michigan, chamou a iniciativa de “má economia” e “péssima política”, afirmando que todos os americanos deveriam se opor a tentativas de interferir na independência do banco central.

Os mercados financeiros reagiram à notícia. Os contratos futuros do índice S&P 500 chegaram a cair cerca de 0,7%, o dólar perdeu força e o ouro disparou para um nível recorde acima de US$ 4.600 por onça, enquanto a prata subiu 8%. Os investidores também ajustaram suas expectativas: a ferramenta que mede as apostas do mercado para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) no final de janeiro apontava probabilidade de apenas 5% de um novo corte nos juros, contra 17% na semana anterior. A próxima reunião, agendada para 27 e 28 de janeiro, ocorre após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual em 2025, que levaram a taxa básica para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. Autoridades do Fed têm sinalizado que só reduzirão novamente quando houver dados mais favoráveis de inflação e emprego.

Perspectivas e consequências
A disputa entre o Executivo e o banco central adiciona incerteza ao cenário econômico norte‑americano em um ano eleitoral. Ao mesmo tempo em que pressiona por juros mais baixos para impulsionar o crescimento e a popularidade do governo, a Casa Branca arrisca alimentar a percepção de interferência política na política monetária. Essa percepção pode, paradoxalmente, reforçar a determinação do FOMC em preservar sua credibilidade e retardar cortes de juros. Analistas observam que, enquanto todas as investidas anteriores de Trump se concentraram em ataques verbais, a ameaça de acusação criminal cruza uma “linha vermelha” e pode enfraquecer a confiança dos investidores.

Powell indicou que a reforma da sede — alvo das críticas — continuará, e enfatizou que o Fed vem prestando contas ao Congresso. Ele considera que o episódio mostra a importância de proteger a independência institucional. Ao afirmar que continuará “a fazer o trabalho para o qual o Senado o confirmou”, o presidente do banco central sinaliza resistência às pressões políticas. Resta saber se o conflito incentivará o Fed a adotar uma postura ainda mais cautelosa, postergando cortes de juros, ou se abrirá espaço para uma conciliação após a reunião de janeiro.

No curto prazo, os desdobramentos jurídicos determinarão o futuro imediato de Powell. Apesar de seu mandato como presidente expirar em maio, ele pode permanecer no conselho até 2028, o que lhe permitiria votar nas decisões de política monetária. Trump, por sua vez, tem pressa para indicar um substituto antes do fim do mandato, mas depende da aprovação do Senado. Com a oposição de senadores e o aumento das tensões institucionais, a tentativa de substituir o presidente do Fed pode enfrentar obstáculos consideráveis. Em última instância, o confronto atual expõe o delicado equilíbrio entre a política e a gestão técnica da economia — e testa os limites da independência de uma das instituições mais influentes do mundo.

Meta description
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, denunciou que o banco central foi intimado pelo Departamento de Justiça em meio a uma investigação sobre a reforma de sua sede e acusou o governo de usá‑la como pressão para reduzir os juros. O presidente dos EUA, Donald Trump, nega envolvimento, mas intensifica críticas à política monetária. Parlamentares e economistas alertam para o risco de interferência na independência do Fed, enquanto mercados reagem e analistas discutem as consequências para a próxima reunião do FOMC.



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Bolha, de ia inflada sem freio

O entusiasmo com a inteligência artificial (IA) atravessa o planeta como um furacão. Em poucos anos, modelos capazes de gerar textos, imagens e códigos catalisaram uma corrida por chips, centros de dados e talentos que já movimenta trilhões de dólares. Grandes consultorias estimam que os gastos globais com IA devem atingir cerca de US$ 1,5 trilhão antes do fim de 2025, um crescimento de quase 90 % em relação ao ano anterior. Esse apetite se reflete nas bolsas: ações associadas à IA responderam por mais de três quartos dos ganhos do principal índice dos Estados Unidos, enquanto empresas como a Nvidia viram seu valor disparar mais de 44 000 % na última década, alcançando a inédita marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado. Microsoft, Meta e Alphabet também acumulam valorizações de três dígitos, com capitalizações trilionárias que hoje superam o produto interno bruto de muitos países.Por trás da euforia, investidores despejam recursos em projetos cada vez mais ambiciosos. Um consórcio liderado por grandes nomes do setor anunciou neste ano um empreendimento para construir dezenas de gigantescos data centers e usinas de energia dedicadas à IA. O projeto, batizado de Stargate, nasceu com aporte inicial de US$ 100 bilhões e pode chegar a meio trilhão de dólares. Ao mesmo tempo, a OpenAI, uma das pioneiras na área, prepara uma oferta pública de ações que poderia avaliá‑la em mais de US$ 1 trilhão, enquanto seus custos anualizados já superam em muito a receita. Analistas estimam que, apenas no primeiro semestre de 2025, a empresa faturou cerca de US$ 4,3 bilhões, mas amargou prejuízos superiores a US$ 13 bilhões. Outra gigante, a Meta, anunciou planos para investir centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA nos próximos anos. A escala desses investimentos lembra o final dos anos 1990, quando qualquer empresa com um “.com” no nome obtinha financiamentos exorbitantes, e levanta a pergunta inevitável: estaríamos inflando uma nova bolha?Euforia e receioPesquisas com gestores revelam que a hipótese de uma bolha de IA divide o mercado. Uma sondagem mensal feita por um grande banco norte‑americano mostrou que 54 % dos investidores já enxergam sinais de exuberância excessiva nas ações ligadas à inteligência artificial, enquanto 38 % discordam dessa leitura. O alerta também parte de autoridades: o banco central do Reino Unido classificou como “material” o risco de uma correção abrupta das bolsas caso o humor em torno da IA esfriasse, ressaltando que as avaliações recordes e a concentração de valor em poucas empresas lembram a fase final da bolha pontocom. Para o Banco da Inglaterra, 30 % da capitalização do S&P 500 está nas mãos de um punhado de companhias de tecnologia, tornando o índice vulnerável a movimentos de pessimismo.O receio não se limita ao Velho Continente. O diretor de investimentos de um dos maiores fundos soberanos da Ásia afirmou recentemente que há “uma bolha de propaganda” em torno de startups de IA em estágio inicial: qualquer empresa com a sigla no nome consegue múltiplos gigantescos, independentemente da receita. O fundador de uma gigante do comércio eletrônico, por sua vez, observou em evento de tecnologia que, quando o entusiasmo é tão grande, “todo experimento é financiado” e torna‑se difícil separar boas ideias de projetos fadados ao fracasso. Até mesmo o presidente de uma das maiores desenvolvedoras de modelos admite que os investidores estão “superexcitados” com a IA e que alguém sairá perdendo muito dinheiro, embora não se saiba quem.Uso real menor que o hypeEnquanto o capital flui, os dados de adoção desenham um cenário menos exuberante. Levantamentos do Bureau do Censo dos Estados Unidos, que acompanha mais de um milhão de empresas, indicam que a proporção de grandes corporações com mais de 250 funcionários que utilizam ferramentas de inteligência artificial caiu de quase 14 % em meados de junho para pouco menos de 12 % em agosto. Para investidores que acreditavam que a IA empresarial revolucionaria todos os setores, a queda é um sinal de alerta. Pesquisadores apontam que 95 % das empresas que adotaram softwares de IA não viram qualquer receita adicional. Os custos operacionais dispararam — treinar um modelo de ponta pode custar centenas de milhões de dólares — e aplicações práticas capazes de justificar esses gastos ainda são raras.Especialistas em mercado de trabalho chamam atenção para as limitações tecnológicas que pesam no retorno das ferramentas generativas. Os modelos continuam propensos a “alucinar” respostas incorretas, têm dificuldade em lidar com tarefas críticas e não são capazes de aprender de maneira contínua como humanos, o que reduz os ganhos produtivos. Além disso, agentes autônomos, um dos campos mais promissores, completam apenas cerca de um terço das tarefas complexas com sucesso. Esses entraves explicam por que, apesar das manchetes, muitas empresas resistem a substituir processos consagrados por soluções automatizadas.Corrida geopolítica e disparidadesA disputa pela supremacia da inteligência artificial extrapola o universo financeiro. Autoridades norte‑americanas tratam a tecnologia como uma corrida estratégica contra a China, baseadas na ideia de que quem alcançar primeiro uma inteligência artificial geral (AGI) obterá vantagem militar e econômica decisiva. O problema, salientam pesquisadores, é que ninguém sabe ao certo o que seria essa AGI ou como alcançá‑la. Enquanto os Estados Unidos apostam em modelos cada vez maiores, a estratégia chinesa tem sido diferente: desenvolver sistemas mais eficientes e baratos e aplicá‑los rapidamente em setores produtivos. Caso Pequim consiga oferecer modelos de baixo custo para o resto do mundo, isso poderá frustrar expectativas de retorno nos projetos estadunidenses.O frenesi em torno da IA também está ligado à infraestrutura energética. A nova onda de modelos exige quantidades colossais de eletricidade, e a construção de data centers tornou‑se prioridade para governos e empresas. Uma estimativa financeira sugere que os Estados Unidos poderiam receber US$ 1 trilhão em investimentos em centros de dados nos próximos cinco anos, com igual montante aplicado em outros países. O aumento do consumo de energia e a necessidade de gerar eletricidade adicional gera debates sobre sustentabilidade e segurança energética — e coloca em xeque projetos que prometem ganhos fáceis sem considerar custos ambientais e logísticos.Ecos da história e liçõesComparar o momento atual a bolhas passadas oferece pistas. Um estudo publicado em periódico acadêmico analisou duas centenas de anos de inovações radicais, de ferrovias e telégrafo ao rádio, internet e smartphones, mapeando 51 tecnologias que geraram bolhas no mercado de ações. Os autores concluíram que 73 % dessas inovações produziram algum comportamento de bolha e que as maiores explosões ocorreram quando a tecnologia era altamente disruptiva, possuía fortes efeitos de rede e era amplamente visível ao público. Após o estouro, contudo, o valor agregado continuou crescendo: a bolha funcionou como uma “subvenção espontânea”, acelerando a difusão e saturação da inovação. Essa leitura inspira algum otimismo — mesmo que haja correção, a IA tende a permanecer e amadurecer.Economistas também destacam diferenças importantes em relação à bolha pontocom. Na virada do século, muitas empresas listadas tinham pouca ou nenhuma receita, ao passo que hoje várias gigantes de IA exibem lucros robustos. Analistas lembram que as receitas das empresas do setor têm crescido em ritmo parecido ao de suas ações e que a tecnologia já é utilizada por grande parte das companhias da lista Fortune 500. Além disso, as atuais apostas são em sua maioria financiadas com capital próprio, e não com dívida, o que reduz o risco de crise sistêmica. Ainda assim, as avaliações em patamares históricos e as expectativas de crescimento ilimitado suscitam prudência.Vozes divergentesNo cenário de incerteza, executivos e investidores manifestam opiniões divergentes. O presidente de um grande banco norte‑americano reconheceu que a inteligência artificial é uma revolução genuína, mas alertou que “parte do dinheiro investido agora provavelmente será desperdiçado”. O analista de um banco europeu defende que estamos diante de um ciclo normal de mercado, em que empresas entregam resultados compatíveis com o preço das ações e possuem capacidade financeira real para sustentar investimentos em pesquisa. Segundo ele, o atual movimento se assemelha mais a um “superciclo de investimentos” do que a uma bolha pura e simples.Outros especialistas são mais céticos. Um pesquisador de Oxford observa que as empresas ainda não encontraram aplicações duradouras que justifiquem os custos crescentes e que o entusiasmo se baseia na expectativa de uso futuro, não em receitas presentes. Um analista britânico calcula que a especulação em torno da IA seja 17 vezes maior do que a que antecedeu o estouro das pontocom e quatro vezes maior do que a bolha imobiliária de 2008. O economista‑chefe de uma organização internacional, por sua vez, prevê que um colapso “ao estilo pontocom” não derrubará a economia global, mas que alguns acionistas podem sofrer perdas consideráveis.Para onde vamos?O consenso entre os especialistas é que a bolha de IA, se é que existe, não pode ser simplesmente estourada por decreto. A combinação de inovação genuína, competição geopolítica e promessa de ganhos extraordinários cria um ambiente em que poucos têm interesse em puxar o freio. Mesmo gestores que acreditam estar numa bolha continuam investidos em empresas de IA porque não querem perder a próxima grande revolução. A história ensina que a exuberância acabará se ajustando à realidade: projetos sem retorno serão abandonados, startups desaparecerão e apenas algumas gigantes sobreviverão, possivelmente mais fortes do que nunca. Para investidores e profissionais, a lição é clara: separar o hype dos fundamentos, avaliar utilidade real e não ignorar riscos. A inteligência artificial transformará negócios e sociedades — mas, como em toda tecnologia radical, os caminhos serão tortuosos, e o estouro da bolha não significará o fim da inovação.