Dubai Telegraph - Bolha, de ia inflada sem freio

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Bolha, de ia inflada sem freio




O entusiasmo com a inteligência artificial (IA) atravessa o planeta como um furacão. Em poucos anos, modelos capazes de gerar textos, imagens e códigos catalisaram uma corrida por chips, centros de dados e talentos que já movimenta trilhões de dólares. Grandes consultorias estimam que os gastos globais com IA devem atingir cerca de US$ 1,5 trilhão antes do fim de 2025, um crescimento de quase 90 % em relação ao ano anterior. Esse apetite se reflete nas bolsas: ações associadas à IA responderam por mais de três quartos dos ganhos do principal índice dos Estados Unidos, enquanto empresas como a Nvidia viram seu valor disparar mais de 44 000 % na última década, alcançando a inédita marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado. Microsoft, Meta e Alphabet também acumulam valorizações de três dígitos, com capitalizações trilionárias que hoje superam o produto interno bruto de muitos países.

Por trás da euforia, investidores despejam recursos em projetos cada vez mais ambiciosos. Um consórcio liderado por grandes nomes do setor anunciou neste ano um empreendimento para construir dezenas de gigantescos data centers e usinas de energia dedicadas à IA. O projeto, batizado de Stargate, nasceu com aporte inicial de US$ 100 bilhões e pode chegar a meio trilhão de dólares. Ao mesmo tempo, a OpenAI, uma das pioneiras na área, prepara uma oferta pública de ações que poderia avaliá‑la em mais de US$ 1 trilhão, enquanto seus custos anualizados já superam em muito a receita. Analistas estimam que, apenas no primeiro semestre de 2025, a empresa faturou cerca de US$ 4,3 bilhões, mas amargou prejuízos superiores a US$ 13 bilhões. Outra gigante, a Meta, anunciou planos para investir centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA nos próximos anos. A escala desses investimentos lembra o final dos anos 1990, quando qualquer empresa com um “.com” no nome obtinha financiamentos exorbitantes, e levanta a pergunta inevitável: estaríamos inflando uma nova bolha?

Euforia e receio
Pesquisas com gestores revelam que a hipótese de uma bolha de IA divide o mercado. Uma sondagem mensal feita por um grande banco norte‑americano mostrou que 54 % dos investidores já enxergam sinais de exuberância excessiva nas ações ligadas à inteligência artificial, enquanto 38 % discordam dessa leitura. O alerta também parte de autoridades: o banco central do Reino Unido classificou como “material” o risco de uma correção abrupta das bolsas caso o humor em torno da IA esfriasse, ressaltando que as avaliações recordes e a concentração de valor em poucas empresas lembram a fase final da bolha pontocom. Para o Banco da Inglaterra, 30 % da capitalização do S&P 500 está nas mãos de um punhado de companhias de tecnologia, tornando o índice vulnerável a movimentos de pessimismo.

O receio não se limita ao Velho Continente. O diretor de investimentos de um dos maiores fundos soberanos da Ásia afirmou recentemente que há “uma bolha de propaganda” em torno de startups de IA em estágio inicial: qualquer empresa com a sigla no nome consegue múltiplos gigantescos, independentemente da receita. O fundador de uma gigante do comércio eletrônico, por sua vez, observou em evento de tecnologia que, quando o entusiasmo é tão grande, “todo experimento é financiado” e torna‑se difícil separar boas ideias de projetos fadados ao fracasso. Até mesmo o presidente de uma das maiores desenvolvedoras de modelos admite que os investidores estão “superexcitados” com a IA e que alguém sairá perdendo muito dinheiro, embora não se saiba quem.

Uso real menor que o hype
Enquanto o capital flui, os dados de adoção desenham um cenário menos exuberante. Levantamentos do Bureau do Censo dos Estados Unidos, que acompanha mais de um milhão de empresas, indicam que a proporção de grandes corporações com mais de 250 funcionários que utilizam ferramentas de inteligência artificial caiu de quase 14 % em meados de junho para pouco menos de 12 % em agosto. Para investidores que acreditavam que a IA empresarial revolucionaria todos os setores, a queda é um sinal de alerta. Pesquisadores apontam que 95 % das empresas que adotaram softwares de IA não viram qualquer receita adicional. Os custos operacionais dispararam — treinar um modelo de ponta pode custar centenas de milhões de dólares — e aplicações práticas capazes de justificar esses gastos ainda são raras.

Especialistas em mercado de trabalho chamam atenção para as limitações tecnológicas que pesam no retorno das ferramentas generativas. Os modelos continuam propensos a “alucinar” respostas incorretas, têm dificuldade em lidar com tarefas críticas e não são capazes de aprender de maneira contínua como humanos, o que reduz os ganhos produtivos. Além disso, agentes autônomos, um dos campos mais promissores, completam apenas cerca de um terço das tarefas complexas com sucesso. Esses entraves explicam por que, apesar das manchetes, muitas empresas resistem a substituir processos consagrados por soluções automatizadas.

Corrida geopolítica e disparidades
A disputa pela supremacia da inteligência artificial extrapola o universo financeiro. Autoridades norte‑americanas tratam a tecnologia como uma corrida estratégica contra a China, baseadas na ideia de que quem alcançar primeiro uma inteligência artificial geral (AGI) obterá vantagem militar e econômica decisiva. O problema, salientam pesquisadores, é que ninguém sabe ao certo o que seria essa AGI ou como alcançá‑la. Enquanto os Estados Unidos apostam em modelos cada vez maiores, a estratégia chinesa tem sido diferente: desenvolver sistemas mais eficientes e baratos e aplicá‑los rapidamente em setores produtivos. Caso Pequim consiga oferecer modelos de baixo custo para o resto do mundo, isso poderá frustrar expectativas de retorno nos projetos estadunidenses.

O frenesi em torno da IA também está ligado à infraestrutura energética. A nova onda de modelos exige quantidades colossais de eletricidade, e a construção de data centers tornou‑se prioridade para governos e empresas. Uma estimativa financeira sugere que os Estados Unidos poderiam receber US$ 1 trilhão em investimentos em centros de dados nos próximos cinco anos, com igual montante aplicado em outros países. O aumento do consumo de energia e a necessidade de gerar eletricidade adicional gera debates sobre sustentabilidade e segurança energética — e coloca em xeque projetos que prometem ganhos fáceis sem considerar custos ambientais e logísticos.

Ecos da história e lições
Comparar o momento atual a bolhas passadas oferece pistas. Um estudo publicado em periódico acadêmico analisou duas centenas de anos de inovações radicais, de ferrovias e telégrafo ao rádio, internet e smartphones, mapeando 51 tecnologias que geraram bolhas no mercado de ações. Os autores concluíram que 73 % dessas inovações produziram algum comportamento de bolha e que as maiores explosões ocorreram quando a tecnologia era altamente disruptiva, possuía fortes efeitos de rede e era amplamente visível ao público. Após o estouro, contudo, o valor agregado continuou crescendo: a bolha funcionou como uma “subvenção espontânea”, acelerando a difusão e saturação da inovação. Essa leitura inspira algum otimismo — mesmo que haja correção, a IA tende a permanecer e amadurecer.

Economistas também destacam diferenças importantes em relação à bolha pontocom. Na virada do século, muitas empresas listadas tinham pouca ou nenhuma receita, ao passo que hoje várias gigantes de IA exibem lucros robustos. Analistas lembram que as receitas das empresas do setor têm crescido em ritmo parecido ao de suas ações e que a tecnologia já é utilizada por grande parte das companhias da lista Fortune 500. Além disso, as atuais apostas são em sua maioria financiadas com capital próprio, e não com dívida, o que reduz o risco de crise sistêmica. Ainda assim, as avaliações em patamares históricos e as expectativas de crescimento ilimitado suscitam prudência.

Vozes divergentes
No cenário de incerteza, executivos e investidores manifestam opiniões divergentes. O presidente de um grande banco norte‑americano reconheceu que a inteligência artificial é uma revolução genuína, mas alertou que “parte do dinheiro investido agora provavelmente será desperdiçado”. O analista de um banco europeu defende que estamos diante de um ciclo normal de mercado, em que empresas entregam resultados compatíveis com o preço das ações e possuem capacidade financeira real para sustentar investimentos em pesquisa. Segundo ele, o atual movimento se assemelha mais a um “superciclo de investimentos” do que a uma bolha pura e simples.

Outros especialistas são mais céticos. Um pesquisador de Oxford observa que as empresas ainda não encontraram aplicações duradouras que justifiquem os custos crescentes e que o entusiasmo se baseia na expectativa de uso futuro, não em receitas presentes. Um analista britânico calcula que a especulação em torno da IA seja 17 vezes maior do que a que antecedeu o estouro das pontocom e quatro vezes maior do que a bolha imobiliária de 2008. O economista‑chefe de uma organização internacional, por sua vez, prevê que um colapso “ao estilo pontocom” não derrubará a economia global, mas que alguns acionistas podem sofrer perdas consideráveis.

Para onde vamos?
O consenso entre os especialistas é que a bolha de IA, se é que existe, não pode ser simplesmente estourada por decreto. A combinação de inovação genuína, competição geopolítica e promessa de ganhos extraordinários cria um ambiente em que poucos têm interesse em puxar o freio. Mesmo gestores que acreditam estar numa bolha continuam investidos em empresas de IA porque não querem perder a próxima grande revolução. A história ensina que a exuberância acabará se ajustando à realidade: projetos sem retorno serão abandonados, startups desaparecerão e apenas algumas gigantes sobreviverão, possivelmente mais fortes do que nunca. Para investidores e profissionais, a lição é clara: separar o hype dos fundamentos, avaliar utilidade real e não ignorar riscos. A inteligência artificial transformará negócios e sociedades — mas, como em toda tecnologia radical, os caminhos serão tortuosos, e o estouro da bolha não significará o fim da inovação.



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Dubai: Uma viagem a um país maravilhoso!

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Como o socialista venceu NY

Quando a contagem de votos da eleição municipal de Nova York foi concluída em novembro de 2025, um nome até então pouco conhecido fora da cidade tornou‑se símbolo de mudança. O socialista Zohran Mamdani, então deputado estadual de 34 anos, derrotou o ex‑governador Andrew Cuomo e o republicano Curtis Sliwa para tornar‑se o 111.º prefeito de Nova York. A vitória foi ainda mais significativa porque a campanha de Mamdani se apresentava como abertamente socialista e comprometida em congelar aluguéis, construir moradias acessíveis, garantir transporte e creches gratuitos e taxar os mais ricos. Ao final da eleição, ele havia conquistado a maioria dos mais de dois milhões de votos registrados, participação que não se via na cidade desde a década de 1960.A mensagem da acessibilidadeDesde o início, Mamdani articulou sua campanha em torno de um conceito simples: tornar Nova York novamente acessível. A cidade enfrentava aluguel exorbitante, custo de vida crescente e a suspensão de benefícios alimentares devido ao impasse no orçamento federal. Em discursos e vídeos, o candidato prometia congelar os aluguéis de apartamentos estabilizados e construir mais moradias a preços populares. Defendia ainda que os ônibus fossem gratuitos e mais rápidos, que creches passassem a ser financiadas pelo município e que fossem criadas mercearias públicas para reduzir o preço dos alimentos. Para financiar esse programa, propunha aumentar impostos sobre grandes fortunas e corporações.Essa agenda encontrou eco especial entre trabalhadores imigrantes, jovens endividados e moradores das periferias. Em comícios intitulados “Uma cidade que possamos pagar”, ele criticava “a mentira de que apenas os ricos ou sortudos podem viver bem em Nova York”. O slogan “acessibilidade” tornou‑se uma palavra de ordem repetida nas ruas, em panfletos e nas redes sociais, servindo como ponto de convergência para interesses diversos.Uma operação de base sem precedentesAlém da mensagem, o sucesso de Mamdani dependeu de uma mobilização voluntária de escala inédita. A campanha formou um exército estimado em mais de 100 mil voluntários. Em bairros como Bushwick, no Brooklyn, e Co‑op City, no Bronx, esses voluntários batiam de porta em porta para conversar com vizinhos sobre suas necessidades. A estratégia era baseada em respeito: quem participava era incentivado a compartilhar experiências pessoais em vez de discursos ensaiados. Muitos desses voluntários, a maioria jovens e sem experiência política, receberam rapidamente funções de liderança, ajudando a definir a própria estratégia.O modelo contrapunha campanhas tradicionais centralizadas e avessas a riscos. A equipe de Mamdani permitiu que os apoiadores propusessem ideias e testassem abordagens inovadoras. Para manter o engajamento, ele reconhecia publicamente o esforço dos voluntários, fornecia acesso privilegiado a eventos e criava um sentimento de pertencimento que ultrapassava as linhas de raça, religião e renda. Ao mesmo tempo, a campanha investiu em formação política, incentivando diálogos profundos, inclusive com eleitores que votaram em Donald Trump na eleição presidencial anterior.Comunicação direta e cultura popEnquanto os adversários apostavam em anúncios tradicionais financiados por empresários, Mamdani tornou‑se onipresente nas redes. Inspirado pela ideia de uma “política sem tradução”, ele gravava vídeos curtos explicando suas propostas em linguagem acessível e transmitia‑os diretamente aos moradores. Em um deles, mergulhou nas águas geladas de Coney Island, vestido de terno, para ilustrar sua promessa de congelar os aluguéis. Em outro, caminhou toda a ilha de Manhattan, simbolizando a importância de líderes que conhecem cada bairro. Ele chegou a parodiar programas de TV populares, como uma versão do programa “The Bachelor” em que entregava rosas a eleitores, e promoveu uma caça ao tesouro em Coney Island e um torneio de futebol de bairro contra bairro.Essa presença online criativa se complementava com aparições físicas constantes. Antes da eleição, Mamdani podia ser visto tanto servindo comida a trabalhadores noturnos no aeroporto LaGuardia quanto dançando ao som de música caribenha em uma boate do Brooklyn. A ubiquidade reforçava a imagem de um prefeito que conhece a cidade inteira e sabe celebrar sua diversidade.Construção de coalizões e resposta a ataquesSer um socialista muçulmano e sul‑asiático em uma cidade que já foi o epicentro do medo pós‑11 de setembro significava enfrentar ataques racistas, islamofóbicos e acusações de antissemitismo. Em junho, ao criticar o primeiro‑ministro indiano Narendra Modi, Mamdani foi acusado de ser anti‑hindu; ao apoiar a causa palestina, foi rotulado de antissemita. Para responder, ele procurou líderes judaicos e hindus, compareceu a templos e sinagogas e recebeu apoio de grupos comunitários. Ao mesmo tempo, manteve firme sua defesa dos direitos palestinos, afirmando que qualquer estado deve garantir igualdade de direitos aos seus habitantes.Outra vulnerabilidade era sua posição anterior de reduzir o orçamento policial. Diante de uma eleição polarizada por questões de segurança, Mamdani atenuou o discurso, pediu desculpas por ter chamado o Departamento de Polícia de Nova York de racista e anti‑queer e apoiou a nomeação de uma comissária de polícia vista como competente. Ele prometeu criar um Departamento de Segurança Comunitária para lidar com saúde mental e pessoas sem moradia, transferindo parte das funções hoje exercidas pela polícia. A moderação do discurso e o diálogo com associações policiais desarmaram muitos ataques e ampliaram seu alcance eleitoral.Mesmo com essa abertura, Mamdani manteve princípios socialistas e criticou a influência dos bilionários na política. Seu adversário mais forte, Cuomo, foi apoiado por super PACs que gastaram dezenas de milhões de dólares em anúncios negativos. Enquanto isso, a campanha de Mamdani, financiada pelo sistema de financiamento público da cidade, contava com pequenas doações e o trabalho voluntário. Essa combinação de princípio e pragmatismo permitiu construir uma ampla frente que incluía progressistas, sindicatos, empresários curiosos e até conservadores desencantados.Significado e desafios futurosO triunfo de Mamdani demonstra que uma candidatura abertamente socialista pode construir maioria em uma metrópole multinacional. Ele mobilizou novos eleitores, registrou participação recorde e reposicionou o debate político em torno de justiça social, salário digno e serviços públicos universais. Analistas apontam que a vitória cria um modelo para a esquerda nos Estados Unidos e na Europa e já inspira políticos progressistas em vários países.Ao mesmo tempo, o novo prefeito enfrenta enormes desafios. Ele terá de transformar promessas ambiciosas em políticas concretas em uma cidade com desigualdades profundas, sistema fiscal limitado e expectativa de confrontos com o governo federal e interesses poderosos. A permanência de problemas como violência, crise habitacional e a necessidade de recursos estaduais testará sua habilidade de governar sem perder o apoio de uma coalizão diversa. Como ressaltou ao final da campanha, “ser correto não basta; precisamos vencer”. Agora, com a vitória consolidada, a prova de fogo de Zohran Mamdani será transformar um movimento de base em uma administração capaz de materializar a cidade que prometeu.