Dubai Telegraph - Balanço 2025 e Desafio 2026

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Balanço 2025 e Desafio 2026




O ano político de 2025 transformou‑se num período de transição em Portugal. Uma sucessão de crises e reformas agitadas alterou o mapa político e preparou o terreno para uma eleição presidencial em janeiro de 2026. A instabilidade começou logo em fevereiro, quando surgiram denúncias de conflito de interesses entre o primeiro‑ministro Luís Montenegro e a consultora de proteção de dados que fundara, Spinumviva. Montenegro recusou ter beneficiado a empresa e convocou um conselho extraordinário de ministros para avaliar a situação. Em março apresentou uma moção de confiança no seu governo minoritário e admitiu que novas eleições poderiam clarificar o impasse. O país voltou às urnas em 18 de maio e a Aliança Democrática (AD) — coligação liderada pelo PSD com o CDS‑PP — manteve a primazia, com cerca de um terço dos votos e 88 deputados. O PS caiu para pouco mais de 22 % dos votos e 58 lugares, enquanto o partido de extrema‑direita Chega ultrapassou os socialistas em deputados (60) embora tenha obtido 22,7 % dos votos. Pedro Nuno Santos demitiu‑se de líder socialista, mas a esquerda fragmentada não conseguiu impedir a continuidade do governo de Montenegro.

A nova legislatura começou com a aprovação do Orçamento do Estado para 2025, apresentado ainda em outubro de 2024. O governo prometeu crescimento de 2,1 % e superávit de 0,3 % do PIB, actualizou as tabelas do IRS em 4,6 %, aumentou a isenção do subsídio de alimentação para 10,20 euros, introduziu uma isenção total de IRS para jovens no primeiro ano de trabalho e reduções nos nove anos seguintes, bem como isenções de IMT e imposto de selo para jovens na compra de habitação. As despesas em saúde cresceram para 16,8 mil milhões de euros. Apesar dessas medidas, a oposição criticou o orçamento por favorecer empresas e por não responder à crise habitacional e à inflação.

Outro marco de 2025 foi a decisão de reprivatizar a companhia aérea TAP. Em julho, o Conselho de Ministros aprovou um decreto‑lei para vender até 49,9 % do capital da transportadora. Montenegro sublinhou que a operação salvaguardaria as rotas estratégicas e a continuidade do hub de Lisboa, permitindo vender 44,9 % a um ou mais investidores e reservar 5 % para os trabalhadores. O governo advertiu que poderia suspender a privatização se os objectivos não fossem cumpridos. Três grandes companhias europeias — Lufthansa, Air France‑KLM e IAG — manifestaram interesse, e Montenegro afirmou esperar propostas de grupos fora da UE para reforçar a competitividade e as sinergias da TAP.

O executivo também apresentou reformas profundas na lei da nacionalidade e na política migratória. As propostas aumentaram para sete anos (dez anos para não lusófonos) o tempo de residência necessário à naturalização, exigiram testes de língua e cultura e eliminaram o acesso à cidadania por ascendência sefardita. Para crianças nascidas em Portugal, pelo menos um progenitor teria de residir legalmente no país há três anos e pedir a nacionalidade. O visto para procura de emprego seria reservado a profissionais altamente qualificados; a reunificação familiar exigiria recursos financeiros mínimos; cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa teriam de obter visto de residência e seria criada uma unidade de fiscalização (UNEF). O governo propôs ainda prorrogar até 15 de outubro de 2025 a validade dos títulos de residência e reforçar o combate à imigração ilegal. Estas mudanças suscitaram debate sobre integração e atração de talento.

Em matéria laboral, o governo avançou com um “pacote laboral” que altera mais de uma centena de artigos do código do trabalho. Pretende facilitar despedimentos por justa causa em pequenas e médias empresas, levantar limites à subcontratação e limitar a flexibilidade horária para mães que amamentam. O objectivo declarado é aumentar a produtividade, num país cuja produtividade hora‑trabalhada equivale a 80,5 % da média da UE. Os sindicatos CGTP e UGT consideram que a reforma favorece os empregadores e sacrifica direitos e convocaram a primeira greve geral desde 2013. Em 11 de dezembro, os comboios pararam, centenas de voos foram cancelados e muitas escolas fecharam. Manifestantes marcharam com cartazes a dizer “Não ao pacote laboral” e “Despedir sem razão é cumprir a vontade do patrão”. O governo minimizou o impacto, alegando que a maioria dos trabalhadores do sector privado não aderiu. Após a greve, a ministra Maria do Rosário Ramalho reuniu‑se com a UGT e aceitou negociar alterações; o sindicato considerou o encontro positivo.

As eleições autárquicas de 12 de outubro consolidaram a viragem à direita. O PSD venceu em 136 municípios, 22 mais do que em 2021, enquanto o PS caiu para 127. Em Lisboa, o social‑democrata Carlos Moedas foi reeleito com 34,3 % dos votos, superando Alexandra Leitão; no Porto, Pedro Duarte (PSD) obteve 37,3 % e empatou em mandatos com o PS. O PSD também conquistou Braga e Vila Nova de Gaia, enquanto o PS venceu Coimbra e Loures. A coligação PSD/IL/PAN ganhou Sintra com 33,86 %, e em Setúbal a coligação PSD/CDS‑PP venceu por cerca de 1 200 votos. Chega elegeu pela primeira vez um presidente de câmara em São Vicente (Madeira) e conquistou Albufeira no Algarve, sinal do crescimento da extrema‑direita. A abstenção foi de 40,74 %, a mais baixa desde 2005.

No plano externo, Portugal consolidou‑se como um dos aliados mais consequentes de Kyiv. O acordo de cooperação em segurança assinado em maio de 2024 comprometeu Lisboa a fornecer pelo menos 126 milhões de euros em apoio militar, mas o país já superara esse valor: entre maio de 2024 e maio de 2025 foram entregues 226 milhões de euros, incluindo helicópteros Ka‑32 e SA‑330 Puma, munições de artilharia e investimento de 52 milhões na Coligação de Drones. Portugal participa nas coalizões internacionais que fornecem veículos blindados, aviação e poder naval e pertence à coligação que treina pilotos ucranianos de F‑16. Em 2025 foi prometido um novo pacote de 220 milhões de euros. O país apoia a utilização de lucros de activos russos congelados para financiar a defesa ucraniana e contribui para o tribunal internacional que julgará o crime de agressão. Nos domínios humanitário e social, Lisboa financia o programa “Grão para a Ucrânia” e prolongou a proteção temporária dos cerca de 54 mil refugiados ucranianos a residir no país. A empresa portuguesa Tekever abriu um escritório na Ucrânia e os seus drones AR5, produzidos em parceria com Kiev, têm causado pesadas perdas ao exército russo.

Esse compromisso foi reafirmado durante a visita do primeiro‑ministro a Kyiv em 20 de dezembro de 2025. Luís Montenegro e Volodymyr Zelensky anunciaram a produção conjunta de drones subaquáticos e um fórum económico para 2026, valorizando a cooperação na tecnologia de veículos não tripulados. Montenegro agradeceu a integração dos quase 80 000 ucranianos que vivem em Portugal e destacou o apoio financeiro, humanitário e militar dado desde o início da invasão. O chefe do governo sublinhou que defender a Ucrânia é também defender os valores e interesses europeus, alinhando‑se com a decisão do Conselho Europeu de conceder um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kyiv e discutir o uso de activos russos congelados.

O horizonte de 2026 surge carregado de desafios. Em 18 de janeiro os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Uma sondagem do Instituto de Ciências Sociais/ISCTE para o jornal Expresso divulgada em novembro mostrou o líder do Chega, André Ventura, e o almirante Henrique Gouveia e Melo, candidato independente e ex‑coordenador da vacinação contra a COVID‑19, empatados com 18 % das intenções de voto. O ex‑líder social‑democrata Luís Marques Mendes surgia com 16 %, e o antigo secretário‑geral socialista António José Seguro com 10 %. Nenhum candidato deverá vencer à primeira volta, tornando provável um segundo escrutínio a 8 de fevereiro. A presidência tem funções principalmente simbólicas, mas pode dissolver a Assembleia da República; por isso, o resultado influenciará a estabilidade do governo minoritário e o rumo das reformas.

Além da eleição presidencial, o debate sobre o pacote laboral continuará em 2026, com negociações entre governo, sindicatos e partidos. A privatização da TAP deverá avançar e poder‑se‑á conhecer o investidor escolhido. O Parlamento discutirá a proposta de reforma das leis de imigração e nacionalidade. Na frente externa, Portugal participará no fórum económico com a Ucrânia e continuará a entregar os 220 milhões de euros de ajuda militar, a treinar pilotos ucranianos e a pressionar pela utilização de activos russos congelados. A expectativa é que o país mantenha o equilíbrio entre crescimento económico, coesão social e solidariedade internacional.

No início de 2026, o Presidente da República deixou uma mensagem de esperança. Marcelo Rebelo de Sousa desejou “paz duradoura na Ucrânia, no Médio Oriente e no Sudão” e apelou ao respeito pela Carta das Nações Unidas e pela dignidade humana. Dirigindo‑se aos portugueses, pediu um ano com mais desenvolvimento, justiça, liberdade, igualdade e solidariedade, com mais saúde, educação, habitação, crescimento e emprego. Recordou que a força da democracia está em permitir que o povo escolha ideias, soluções e pessoas novas. Ao evocar os traços de carácter descritos por Eça de Queiroz — franqueza, persistência e esperança — o Presidente ressaltou que os portugueses, “há quase novecentos anos, cá dentro e lá fora, fazem, todos os dias, Portugal”. Esse retrato de resiliência resume o desafio que o país leva para 2026: enfrentar divisões internas, apoiar a Ucrânia contra a agressão russa e construir um futuro mais próspero e justo.



Apresentou


Dubai: Uma viagem a um país maravilhoso!

O Dubai "em direção ao céu" ao lado de antigas cidades do deserto. Beduínos misteriosos e mesquitas magníficas convivem pacificamente com cidades futuristas. Descubra os wadis e os oásis, os desertos de areia dourada, as praias paradisíacas e a hospitalidade árabe. O moderno e o antigo Oriente unidos num livro para sonhar.Para além da abundância de areia e de sol, há também muito petróleo nos Emirados, o que contribuiu para a riqueza do cosmopolita Dubai e da rica Abu Dhabi, entre outros. Os outros emirados também vivem frequentemente da agricultura. Há uma coisa que se sente em todas as regiões: a famosa hospitalidade árabe.

Pura beleza: Prepare-se para conhecer Dubai!

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Bolha, de ia inflada sem freio

O entusiasmo com a inteligência artificial (IA) atravessa o planeta como um furacão. Em poucos anos, modelos capazes de gerar textos, imagens e códigos catalisaram uma corrida por chips, centros de dados e talentos que já movimenta trilhões de dólares. Grandes consultorias estimam que os gastos globais com IA devem atingir cerca de US$ 1,5 trilhão antes do fim de 2025, um crescimento de quase 90 % em relação ao ano anterior. Esse apetite se reflete nas bolsas: ações associadas à IA responderam por mais de três quartos dos ganhos do principal índice dos Estados Unidos, enquanto empresas como a Nvidia viram seu valor disparar mais de 44 000 % na última década, alcançando a inédita marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado. Microsoft, Meta e Alphabet também acumulam valorizações de três dígitos, com capitalizações trilionárias que hoje superam o produto interno bruto de muitos países.Por trás da euforia, investidores despejam recursos em projetos cada vez mais ambiciosos. Um consórcio liderado por grandes nomes do setor anunciou neste ano um empreendimento para construir dezenas de gigantescos data centers e usinas de energia dedicadas à IA. O projeto, batizado de Stargate, nasceu com aporte inicial de US$ 100 bilhões e pode chegar a meio trilhão de dólares. Ao mesmo tempo, a OpenAI, uma das pioneiras na área, prepara uma oferta pública de ações que poderia avaliá‑la em mais de US$ 1 trilhão, enquanto seus custos anualizados já superam em muito a receita. Analistas estimam que, apenas no primeiro semestre de 2025, a empresa faturou cerca de US$ 4,3 bilhões, mas amargou prejuízos superiores a US$ 13 bilhões. Outra gigante, a Meta, anunciou planos para investir centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA nos próximos anos. A escala desses investimentos lembra o final dos anos 1990, quando qualquer empresa com um “.com” no nome obtinha financiamentos exorbitantes, e levanta a pergunta inevitável: estaríamos inflando uma nova bolha?Euforia e receioPesquisas com gestores revelam que a hipótese de uma bolha de IA divide o mercado. Uma sondagem mensal feita por um grande banco norte‑americano mostrou que 54 % dos investidores já enxergam sinais de exuberância excessiva nas ações ligadas à inteligência artificial, enquanto 38 % discordam dessa leitura. O alerta também parte de autoridades: o banco central do Reino Unido classificou como “material” o risco de uma correção abrupta das bolsas caso o humor em torno da IA esfriasse, ressaltando que as avaliações recordes e a concentração de valor em poucas empresas lembram a fase final da bolha pontocom. Para o Banco da Inglaterra, 30 % da capitalização do S&P 500 está nas mãos de um punhado de companhias de tecnologia, tornando o índice vulnerável a movimentos de pessimismo.O receio não se limita ao Velho Continente. O diretor de investimentos de um dos maiores fundos soberanos da Ásia afirmou recentemente que há “uma bolha de propaganda” em torno de startups de IA em estágio inicial: qualquer empresa com a sigla no nome consegue múltiplos gigantescos, independentemente da receita. O fundador de uma gigante do comércio eletrônico, por sua vez, observou em evento de tecnologia que, quando o entusiasmo é tão grande, “todo experimento é financiado” e torna‑se difícil separar boas ideias de projetos fadados ao fracasso. Até mesmo o presidente de uma das maiores desenvolvedoras de modelos admite que os investidores estão “superexcitados” com a IA e que alguém sairá perdendo muito dinheiro, embora não se saiba quem.Uso real menor que o hypeEnquanto o capital flui, os dados de adoção desenham um cenário menos exuberante. Levantamentos do Bureau do Censo dos Estados Unidos, que acompanha mais de um milhão de empresas, indicam que a proporção de grandes corporações com mais de 250 funcionários que utilizam ferramentas de inteligência artificial caiu de quase 14 % em meados de junho para pouco menos de 12 % em agosto. Para investidores que acreditavam que a IA empresarial revolucionaria todos os setores, a queda é um sinal de alerta. Pesquisadores apontam que 95 % das empresas que adotaram softwares de IA não viram qualquer receita adicional. Os custos operacionais dispararam — treinar um modelo de ponta pode custar centenas de milhões de dólares — e aplicações práticas capazes de justificar esses gastos ainda são raras.Especialistas em mercado de trabalho chamam atenção para as limitações tecnológicas que pesam no retorno das ferramentas generativas. Os modelos continuam propensos a “alucinar” respostas incorretas, têm dificuldade em lidar com tarefas críticas e não são capazes de aprender de maneira contínua como humanos, o que reduz os ganhos produtivos. Além disso, agentes autônomos, um dos campos mais promissores, completam apenas cerca de um terço das tarefas complexas com sucesso. Esses entraves explicam por que, apesar das manchetes, muitas empresas resistem a substituir processos consagrados por soluções automatizadas.Corrida geopolítica e disparidadesA disputa pela supremacia da inteligência artificial extrapola o universo financeiro. Autoridades norte‑americanas tratam a tecnologia como uma corrida estratégica contra a China, baseadas na ideia de que quem alcançar primeiro uma inteligência artificial geral (AGI) obterá vantagem militar e econômica decisiva. O problema, salientam pesquisadores, é que ninguém sabe ao certo o que seria essa AGI ou como alcançá‑la. Enquanto os Estados Unidos apostam em modelos cada vez maiores, a estratégia chinesa tem sido diferente: desenvolver sistemas mais eficientes e baratos e aplicá‑los rapidamente em setores produtivos. Caso Pequim consiga oferecer modelos de baixo custo para o resto do mundo, isso poderá frustrar expectativas de retorno nos projetos estadunidenses.O frenesi em torno da IA também está ligado à infraestrutura energética. A nova onda de modelos exige quantidades colossais de eletricidade, e a construção de data centers tornou‑se prioridade para governos e empresas. Uma estimativa financeira sugere que os Estados Unidos poderiam receber US$ 1 trilhão em investimentos em centros de dados nos próximos cinco anos, com igual montante aplicado em outros países. O aumento do consumo de energia e a necessidade de gerar eletricidade adicional gera debates sobre sustentabilidade e segurança energética — e coloca em xeque projetos que prometem ganhos fáceis sem considerar custos ambientais e logísticos.Ecos da história e liçõesComparar o momento atual a bolhas passadas oferece pistas. Um estudo publicado em periódico acadêmico analisou duas centenas de anos de inovações radicais, de ferrovias e telégrafo ao rádio, internet e smartphones, mapeando 51 tecnologias que geraram bolhas no mercado de ações. Os autores concluíram que 73 % dessas inovações produziram algum comportamento de bolha e que as maiores explosões ocorreram quando a tecnologia era altamente disruptiva, possuía fortes efeitos de rede e era amplamente visível ao público. Após o estouro, contudo, o valor agregado continuou crescendo: a bolha funcionou como uma “subvenção espontânea”, acelerando a difusão e saturação da inovação. Essa leitura inspira algum otimismo — mesmo que haja correção, a IA tende a permanecer e amadurecer.Economistas também destacam diferenças importantes em relação à bolha pontocom. Na virada do século, muitas empresas listadas tinham pouca ou nenhuma receita, ao passo que hoje várias gigantes de IA exibem lucros robustos. Analistas lembram que as receitas das empresas do setor têm crescido em ritmo parecido ao de suas ações e que a tecnologia já é utilizada por grande parte das companhias da lista Fortune 500. Além disso, as atuais apostas são em sua maioria financiadas com capital próprio, e não com dívida, o que reduz o risco de crise sistêmica. Ainda assim, as avaliações em patamares históricos e as expectativas de crescimento ilimitado suscitam prudência.Vozes divergentesNo cenário de incerteza, executivos e investidores manifestam opiniões divergentes. O presidente de um grande banco norte‑americano reconheceu que a inteligência artificial é uma revolução genuína, mas alertou que “parte do dinheiro investido agora provavelmente será desperdiçado”. O analista de um banco europeu defende que estamos diante de um ciclo normal de mercado, em que empresas entregam resultados compatíveis com o preço das ações e possuem capacidade financeira real para sustentar investimentos em pesquisa. Segundo ele, o atual movimento se assemelha mais a um “superciclo de investimentos” do que a uma bolha pura e simples.Outros especialistas são mais céticos. Um pesquisador de Oxford observa que as empresas ainda não encontraram aplicações duradouras que justifiquem os custos crescentes e que o entusiasmo se baseia na expectativa de uso futuro, não em receitas presentes. Um analista britânico calcula que a especulação em torno da IA seja 17 vezes maior do que a que antecedeu o estouro das pontocom e quatro vezes maior do que a bolha imobiliária de 2008. O economista‑chefe de uma organização internacional, por sua vez, prevê que um colapso “ao estilo pontocom” não derrubará a economia global, mas que alguns acionistas podem sofrer perdas consideráveis.Para onde vamos?O consenso entre os especialistas é que a bolha de IA, se é que existe, não pode ser simplesmente estourada por decreto. A combinação de inovação genuína, competição geopolítica e promessa de ganhos extraordinários cria um ambiente em que poucos têm interesse em puxar o freio. Mesmo gestores que acreditam estar numa bolha continuam investidos em empresas de IA porque não querem perder a próxima grande revolução. A história ensina que a exuberância acabará se ajustando à realidade: projetos sem retorno serão abandonados, startups desaparecerão e apenas algumas gigantes sobreviverão, possivelmente mais fortes do que nunca. Para investidores e profissionais, a lição é clara: separar o hype dos fundamentos, avaliar utilidade real e não ignorar riscos. A inteligência artificial transformará negócios e sociedades — mas, como em toda tecnologia radical, os caminhos serão tortuosos, e o estouro da bolha não significará o fim da inovação.