Dubai Telegraph - Brasil sufoca com juros Altos

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Brasil sufoca com juros Altos




A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano consolidou o Brasil como um dos países com os maiores juros reais do mundo. O Comitê de Política Monetária argumenta que a medida é necessária para ancorar as expectativas e garantir a convergência da inflação à meta, mas o alto custo do crédito já afeta a vida das famílias e das empresas. Instituições financeiras, consultores e lideranças empresariais afirmam que o país “não aguenta mais” os juros no patamar atual e apontam que a política fiscal desordenada piora o quadro.

Cautela monetária e incerteza fiscal
O ambiente externo, marcado por tensões geopolíticas e políticas monetárias restritivas em economias avançadas, exige prudência de países emergentes. No cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue acima da meta de 3%, as expectativas de inflação para 2025 e 2026 permanecem desancoradas e o mercado de trabalho ainda está aquecido. Para o Banco Central, esses fatores justificam a manutenção de uma política contracionista por “período bastante prolongado”, uma vez que reduções prematuras poderiam desancorar expectativas e desvalorizar a moeda.

Economistas observam, no entanto, que a incerteza fiscal é determinante para a necessidade de juros elevados. A ausência de superávit primário consistente, o crescimento das despesas obrigatórias e o adiamento de reformas estruturais aumentam a percepção de risco dos investidores e dificultam a queda da Selic. Projeções oficiais apontam que a relação dívida/PIB, de 76,8% em 2025, pode ultrapassar 83% em 2026 e aproximar-se de 87% em 2027, patamar elevado para uma economia emergente.

O peso dos juros no setor público e privado
Com mais de 60% da dívida pública indexada à Selic e ao CDI, cada aumento de 1 ponto percentual na taxa básica adiciona cerca de R$ 50 bilhões aos gastos com juros e dificulta o ajuste das contas públicas. Em 2025, o déficit nominal do setor público permaneceu próximo a 8% do PIB, enquanto a dívida bruta avançou de 75,7% para 76,8% do PIB. A ampliação de despesas, em grande parte obrigatórias, compromete cerca de 93% do orçamento, limitando margens para cortes e exigindo novos empréstimos a taxas crescentes.

O setor produtivo sente esse aperto. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que oito em cada dez empresas consideram os juros a principal barreira ao crédito. No comércio e nos serviços, empresários relatam dificuldades para financiar estoques e expandir seus negócios. A construção civil revisou para baixo a previsão de crescimento, e até grandes redes de supermercados afirmam que o país mantém a segunda maior taxa real de juros do mundo, atrás apenas da Turquia.

Para as famílias, os juros a 15% tornam mais caro o financiamento de imóveis, veículos e compras no cartão de crédito. Economistas apontam que o custo do dinheiro sobe, restringindo o consumo e aumentando a desigualdade de renda: quem tem patrimônio se beneficia de aplicações indexadas à Selic, enquanto os endividados enfrentam taxas que ultrapassam 200% ao ano em linhas rotativas.

Divergência entre políticas e desaceleração econômica
Ao longo de 2025, o governo federal adotou medidas expansionistas – aumento de gastos sociais, subsídios a crédito e renúncias fiscais – que estimularam a demanda em um momento de política monetária restritiva. A estratégia produziu crescimento acima do esperado no primeiro semestre, mas a economia perdeu fôlego no terceiro trimestre, quando o PIB avançou apenas 0,1%, o ritmo mais lento em três anos. O consumo das famílias praticamente estagnou, enquanto a indústria e os serviços sentiram o impacto dos juros altos.

Analistas alertam que a falta de coordenação entre a política monetária e a fiscal prolonga o aperto e reduz a eficácia da taxa Selic como instrumento de controle inflacionário. A confiança de empresários e investidores foi abalada pelas discussões no Congresso para flexibilizar o arcabouço fiscal, permitindo mais gastos e renúncias de receita. Estimativas do mercado projetam endividamento público superior a 81% do PIB em 2025. O risco de deterioração fiscal, somado à possibilidade de medidas populistas em ano pré-eleitoral, mantém a percepção de risco elevada e limita o espaço para cortes na Selic.

A voz das ruas e das empresas
Além dos analistas, parlamentares e entidades representativas têm criticado a combinação de juros altos e gestão fiscal expansionista. O deputado federal Marcos Pereira, presidente de um partido da base de centro-direita, afirmou que os juros a 15% encarecem financiamentos imobiliários, compra de veículos e uso do cartão. Ele associa o aperto monetário à “má gestão fiscal” do governo, que aumentou impostos e gastos acima da arrecadação.

Para representantes da indústria e do comércio, o atual patamar de juros sufoca a produção e impede a geração de emprego. A Federação das Indústrias alerta que 80% das empresas consideram o crédito caro o principal entrave. Já o setor de supermercados ressalta que o Brasil mantém juros reais altíssimos, pressionando os preços ao consumidor.

Caminhos para a queda dos juros
Especialistas concordam que a melhora do ambiente fiscal é condição essencial para que os juros recuem. Estudos mostram que cada ponto percentual de deterioração do resultado primário pode elevar a Selic em até 0,5 ponto, enquanto um superávit consistente abriria espaço para cortes. Assim, a construção de superávits primários, a revisão de despesas obrigatórias e a aprovação de reformas estruturais – como a administrativa e a tributária – são apontadas como passos indispensáveis.

Alguns economistas estimam que a taxa neutra de juros no Brasil estaria próxima de 9% ao ano. Para chegar a esse patamar, seria necessário reduzir a incerteza fiscal, melhorar a produtividade e credibilizar a política econômica. Sem essas mudanças, o país corre o risco de conviver por mais tempo com juros de dois dígitos, crescimento fraco e aumento da dívida.

Conclusão
O Brasil enfrenta um dilema: os juros altos são considerados necessários para conter a inflação, mas impõem um custo social e econômico elevado e convivem com um setor público que gasta além das receitas. Enquanto o governo não apresentar um plano crível de ajuste fiscal e reformas que equilibrem as contas, a autoridade monetária permanecerá refém de juros elevados. E, nesse contexto, o país não aguenta mais tanto juros, e o fiscal não ajuda. A convergência das políticas – com responsabilidade fiscal e coordenação entre as autoridades – é a saída para aliviar o bolso dos brasileiros, impulsionar o investimento e colocar a economia em rota de crescimento sustentável.



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Bolha, de ia inflada sem freio

O entusiasmo com a inteligência artificial (IA) atravessa o planeta como um furacão. Em poucos anos, modelos capazes de gerar textos, imagens e códigos catalisaram uma corrida por chips, centros de dados e talentos que já movimenta trilhões de dólares. Grandes consultorias estimam que os gastos globais com IA devem atingir cerca de US$ 1,5 trilhão antes do fim de 2025, um crescimento de quase 90 % em relação ao ano anterior. Esse apetite se reflete nas bolsas: ações associadas à IA responderam por mais de três quartos dos ganhos do principal índice dos Estados Unidos, enquanto empresas como a Nvidia viram seu valor disparar mais de 44 000 % na última década, alcançando a inédita marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado. Microsoft, Meta e Alphabet também acumulam valorizações de três dígitos, com capitalizações trilionárias que hoje superam o produto interno bruto de muitos países.Por trás da euforia, investidores despejam recursos em projetos cada vez mais ambiciosos. Um consórcio liderado por grandes nomes do setor anunciou neste ano um empreendimento para construir dezenas de gigantescos data centers e usinas de energia dedicadas à IA. O projeto, batizado de Stargate, nasceu com aporte inicial de US$ 100 bilhões e pode chegar a meio trilhão de dólares. Ao mesmo tempo, a OpenAI, uma das pioneiras na área, prepara uma oferta pública de ações que poderia avaliá‑la em mais de US$ 1 trilhão, enquanto seus custos anualizados já superam em muito a receita. Analistas estimam que, apenas no primeiro semestre de 2025, a empresa faturou cerca de US$ 4,3 bilhões, mas amargou prejuízos superiores a US$ 13 bilhões. Outra gigante, a Meta, anunciou planos para investir centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA nos próximos anos. A escala desses investimentos lembra o final dos anos 1990, quando qualquer empresa com um “.com” no nome obtinha financiamentos exorbitantes, e levanta a pergunta inevitável: estaríamos inflando uma nova bolha?Euforia e receioPesquisas com gestores revelam que a hipótese de uma bolha de IA divide o mercado. Uma sondagem mensal feita por um grande banco norte‑americano mostrou que 54 % dos investidores já enxergam sinais de exuberância excessiva nas ações ligadas à inteligência artificial, enquanto 38 % discordam dessa leitura. O alerta também parte de autoridades: o banco central do Reino Unido classificou como “material” o risco de uma correção abrupta das bolsas caso o humor em torno da IA esfriasse, ressaltando que as avaliações recordes e a concentração de valor em poucas empresas lembram a fase final da bolha pontocom. Para o Banco da Inglaterra, 30 % da capitalização do S&P 500 está nas mãos de um punhado de companhias de tecnologia, tornando o índice vulnerável a movimentos de pessimismo.O receio não se limita ao Velho Continente. O diretor de investimentos de um dos maiores fundos soberanos da Ásia afirmou recentemente que há “uma bolha de propaganda” em torno de startups de IA em estágio inicial: qualquer empresa com a sigla no nome consegue múltiplos gigantescos, independentemente da receita. O fundador de uma gigante do comércio eletrônico, por sua vez, observou em evento de tecnologia que, quando o entusiasmo é tão grande, “todo experimento é financiado” e torna‑se difícil separar boas ideias de projetos fadados ao fracasso. Até mesmo o presidente de uma das maiores desenvolvedoras de modelos admite que os investidores estão “superexcitados” com a IA e que alguém sairá perdendo muito dinheiro, embora não se saiba quem.Uso real menor que o hypeEnquanto o capital flui, os dados de adoção desenham um cenário menos exuberante. Levantamentos do Bureau do Censo dos Estados Unidos, que acompanha mais de um milhão de empresas, indicam que a proporção de grandes corporações com mais de 250 funcionários que utilizam ferramentas de inteligência artificial caiu de quase 14 % em meados de junho para pouco menos de 12 % em agosto. Para investidores que acreditavam que a IA empresarial revolucionaria todos os setores, a queda é um sinal de alerta. Pesquisadores apontam que 95 % das empresas que adotaram softwares de IA não viram qualquer receita adicional. Os custos operacionais dispararam — treinar um modelo de ponta pode custar centenas de milhões de dólares — e aplicações práticas capazes de justificar esses gastos ainda são raras.Especialistas em mercado de trabalho chamam atenção para as limitações tecnológicas que pesam no retorno das ferramentas generativas. Os modelos continuam propensos a “alucinar” respostas incorretas, têm dificuldade em lidar com tarefas críticas e não são capazes de aprender de maneira contínua como humanos, o que reduz os ganhos produtivos. Além disso, agentes autônomos, um dos campos mais promissores, completam apenas cerca de um terço das tarefas complexas com sucesso. Esses entraves explicam por que, apesar das manchetes, muitas empresas resistem a substituir processos consagrados por soluções automatizadas.Corrida geopolítica e disparidadesA disputa pela supremacia da inteligência artificial extrapola o universo financeiro. Autoridades norte‑americanas tratam a tecnologia como uma corrida estratégica contra a China, baseadas na ideia de que quem alcançar primeiro uma inteligência artificial geral (AGI) obterá vantagem militar e econômica decisiva. O problema, salientam pesquisadores, é que ninguém sabe ao certo o que seria essa AGI ou como alcançá‑la. Enquanto os Estados Unidos apostam em modelos cada vez maiores, a estratégia chinesa tem sido diferente: desenvolver sistemas mais eficientes e baratos e aplicá‑los rapidamente em setores produtivos. Caso Pequim consiga oferecer modelos de baixo custo para o resto do mundo, isso poderá frustrar expectativas de retorno nos projetos estadunidenses.O frenesi em torno da IA também está ligado à infraestrutura energética. A nova onda de modelos exige quantidades colossais de eletricidade, e a construção de data centers tornou‑se prioridade para governos e empresas. Uma estimativa financeira sugere que os Estados Unidos poderiam receber US$ 1 trilhão em investimentos em centros de dados nos próximos cinco anos, com igual montante aplicado em outros países. O aumento do consumo de energia e a necessidade de gerar eletricidade adicional gera debates sobre sustentabilidade e segurança energética — e coloca em xeque projetos que prometem ganhos fáceis sem considerar custos ambientais e logísticos.Ecos da história e liçõesComparar o momento atual a bolhas passadas oferece pistas. Um estudo publicado em periódico acadêmico analisou duas centenas de anos de inovações radicais, de ferrovias e telégrafo ao rádio, internet e smartphones, mapeando 51 tecnologias que geraram bolhas no mercado de ações. Os autores concluíram que 73 % dessas inovações produziram algum comportamento de bolha e que as maiores explosões ocorreram quando a tecnologia era altamente disruptiva, possuía fortes efeitos de rede e era amplamente visível ao público. Após o estouro, contudo, o valor agregado continuou crescendo: a bolha funcionou como uma “subvenção espontânea”, acelerando a difusão e saturação da inovação. Essa leitura inspira algum otimismo — mesmo que haja correção, a IA tende a permanecer e amadurecer.Economistas também destacam diferenças importantes em relação à bolha pontocom. Na virada do século, muitas empresas listadas tinham pouca ou nenhuma receita, ao passo que hoje várias gigantes de IA exibem lucros robustos. Analistas lembram que as receitas das empresas do setor têm crescido em ritmo parecido ao de suas ações e que a tecnologia já é utilizada por grande parte das companhias da lista Fortune 500. Além disso, as atuais apostas são em sua maioria financiadas com capital próprio, e não com dívida, o que reduz o risco de crise sistêmica. Ainda assim, as avaliações em patamares históricos e as expectativas de crescimento ilimitado suscitam prudência.Vozes divergentesNo cenário de incerteza, executivos e investidores manifestam opiniões divergentes. O presidente de um grande banco norte‑americano reconheceu que a inteligência artificial é uma revolução genuína, mas alertou que “parte do dinheiro investido agora provavelmente será desperdiçado”. O analista de um banco europeu defende que estamos diante de um ciclo normal de mercado, em que empresas entregam resultados compatíveis com o preço das ações e possuem capacidade financeira real para sustentar investimentos em pesquisa. Segundo ele, o atual movimento se assemelha mais a um “superciclo de investimentos” do que a uma bolha pura e simples.Outros especialistas são mais céticos. Um pesquisador de Oxford observa que as empresas ainda não encontraram aplicações duradouras que justifiquem os custos crescentes e que o entusiasmo se baseia na expectativa de uso futuro, não em receitas presentes. Um analista britânico calcula que a especulação em torno da IA seja 17 vezes maior do que a que antecedeu o estouro das pontocom e quatro vezes maior do que a bolha imobiliária de 2008. O economista‑chefe de uma organização internacional, por sua vez, prevê que um colapso “ao estilo pontocom” não derrubará a economia global, mas que alguns acionistas podem sofrer perdas consideráveis.Para onde vamos?O consenso entre os especialistas é que a bolha de IA, se é que existe, não pode ser simplesmente estourada por decreto. A combinação de inovação genuína, competição geopolítica e promessa de ganhos extraordinários cria um ambiente em que poucos têm interesse em puxar o freio. Mesmo gestores que acreditam estar numa bolha continuam investidos em empresas de IA porque não querem perder a próxima grande revolução. A história ensina que a exuberância acabará se ajustando à realidade: projetos sem retorno serão abandonados, startups desaparecerão e apenas algumas gigantes sobreviverão, possivelmente mais fortes do que nunca. Para investidores e profissionais, a lição é clara: separar o hype dos fundamentos, avaliar utilidade real e não ignorar riscos. A inteligência artificial transformará negócios e sociedades — mas, como em toda tecnologia radical, os caminhos serão tortuosos, e o estouro da bolha não significará o fim da inovação.