Raúl Castro apoia reformas econômicas em Cuba
O ex-presidente de Cuba Raúl Castro apoiou nesta quarta-feira (17) um pacote de reformas econômicas discutidas pelos líderes do Partido Comunista (PCC, único) em Havana para enfrentar a crise na ilha, sob pressão de Washington.
Castro, 95, não ocupa nenhum cargo oficial, mas continua sendo uma figura-chave do poder em Cuba. Segundo a Presidência, ele participou da reunião por videoconferência.
Em carta assinada pelo ex-presidente e apresentada durante o encontro, Castro afirma que transformar a economia "é o que mais convém hoje à Revolução".
O comitê central do PCC analisou em sessão extraordinária cerca de 20 propostas orientadas à abertura de novos setores à iniciativa privada, à atração de investimentos de cubanos residentes no exterior e à redução do tamanho do Estado, em meio a um bloqueio petroleiro imposto pelos Estados Unidos à ilha desde janeiro.
Apresentadas anteriormente pelo presidente Miguel Díaz-Canel, as reformas podem ser aprovadas pela Assembleia Nacional já nesta quinta-feira, menos de uma semana após o seu anúncio.
"Embora concebam um reconhecimento dos mecanismos de mercado como instrumentos de alocação eficiente dos recursos, não implicam, de forma alguma, renunciar à responsabilidade social do Estado", ressaltou o primeiro-ministro Manuel Marrero, citado pelo governo no X.
Não ficou claro se essas medidas serão suficientes para satisfazer o presidente americano Donald Trump, que deixou claro que busca uma mudança e já sugeriu a possibilidade de "assumir o controle" da ilha localizada a cerca de 150 quilômetros da Flórida.
Após anos negando a dimensão do problema, o governo cubano parece forçado a agir diante da deterioração econômica, da pressão social e do isolamento internacional crescente, que reduzem cada vez mais sua margem de manobra.
O bloqueio de petróleo imposto por Trump em janeiro levou a já fragilizada economia cubana à beira do colapso, com apagões que duram mais de 30 horas e escassez de alimentos, combustível, água potável e medicamentos.
As empresas privadas, autorizadas em 2021 e que podem empregar até 100 pessoas, tornaram-se um componente cada vez mais importante da economia da ilha.
Díaz-Canel afirmou que os cubanos, tanto os que vivem no país quanto no exterior, terão as mesmas condições oferecidas aos investidores estrangeiros, alguns dos quais deixaram Cuba recentemente devido às sanções americanas. Também anunciou planos para reduzir o tamanho do Estado por meio da diminuição do número de ministérios e servidores públicos.
D.Al-Nuaimi--DT