Dubai Telegraph - Milei ante o dilema de negociar com a China e agradar a Trump

EUR -
AED 4.226203
AFN 73.071893
ALL 93.960321
AMD 423.724896
ANG 2.060342
AOA 1055.835022
ARS 1653.354187
AUD 1.639764
AWG 2.071386
AZN 1.955326
BAM 1.939252
BBD 2.318912
BDT 141.335156
BGN 1.945814
BHD 0.43396
BIF 3441.95307
BMD 1.15077
BND 1.475013
BOB 7.984862
BRL 5.858341
BSD 1.151375
BTN 108.817416
BWP 15.427352
BYN 3.187599
BYR 22555.092
BZD 2.31564
CAD 1.622315
CDF 2669.786539
CHF 0.919891
CLF 0.025899
CLP 1019.305887
CNY 7.776271
CNH 7.7963
COP 3952.89495
CRC 524.424864
CUC 1.15077
CUP 30.495405
CVE 109.726009
CZK 23.938375
DJF 204.514691
DKK 7.406517
DOP 67.435057
DZD 152.913136
EGP 57.432856
ERN 17.26155
ETB 182.253223
FJD 2.570475
FKP 0.856318
GBP 0.86513
GEL 3.043786
GGP 0.856318
GHS 13.001054
GIP 0.856318
GMD 84.005847
GNF 10100.882542
GTQ 8.776185
GYD 240.844771
HKD 9.016467
HNL 30.722333
HRK 7.534434
HTG 150.366857
HUF 345.978589
IDR 20424.556422
ILS 3.390134
IMP 0.856318
INR 108.528541
IQD 1507.5087
IRR 1582308.749934
ISK 143.07527
JEP 0.856318
JMD 182.096098
JOD 0.815918
JPY 184.425851
KES 149.047935
KGS 100.634562
KHR 4617.456644
KMF 489.077033
KPW 1035.693403
KRW 1739.808883
KWD 0.35455
KYD 0.959512
KZT 561.483746
LAK 25351.462874
LBP 103051.453562
LKR 385.721827
LRD 209.61256
LSL 18.636557
LTL 3.397924
LVL 0.696089
LYD 7.336181
MAD 10.638889
MDL 20.09155
MGA 4833.233941
MKD 61.09051
MMK 2415.980579
MNT 4116.679238
MOP 9.289529
MRU 46.122914
MUR 54.236067
MVR 17.791185
MWK 1997.737016
MXN 19.912233
MYR 4.677655
MZN 73.536625
NAD 18.64468
NGN 1564.034121
NIO 42.129805
NOK 11.063848
NPR 174.106761
NZD 1.992227
OMR 0.442469
PAB 1.151375
PEN 3.927015
PGK 5.049291
PHP 69.475448
PKR 320.257204
PLN 4.197629
PYG 7026.04384
QAR 4.189381
RON 5.186562
RSD 116.309537
RUB 83.973466
RWF 1712.34576
SAR 4.317567
SBD 9.276845
SCR 16.24326
SDG 691.036606
SEK 10.942217
SGD 1.475321
SHP 0.859166
SLE 28.481893
SLL 24131.075732
SOS 657.673717
SRD 42.960576
STD 23818.615605
STN 24.626478
SVC 10.074121
SYP 127.197022
SZL 18.638884
THB 37.439728
TJS 10.673122
TMT 4.039203
TND 3.350755
TOP 2.770778
TRY 53.456132
TTD 7.821258
TWD 36.316578
TZS 3020.774668
UAH 51.564725
UGX 4259.650626
USD 1.15077
UYU 46.483739
UZS 13814.993686
VES 685.900804
VND 30295.17102
VUV 137.232574
WST 3.152781
XAF 650.406808
XAG 0.016857
XAU 0.000269
XCD 3.110014
XCG 2.075074
XDR 0.809794
XOF 650.185256
XPF 119.331742
YER 274.60252
ZAR 18.845855
ZMK 10358.309615
ZMW 20.350342
ZWL 370.54747
Milei ante o dilema de negociar com a China e agradar a Trump
Milei ante o dilema de negociar com a China e agradar a Trump / foto: Tomas CUESTA - AFP

Milei ante o dilema de negociar com a China e agradar a Trump

Enquanto o presidente americano, Donald Trump, critica os aliados dos Estados Unidos por sua reaproximação com a China, seu principal parceiro ideológico na América Latina, Javier Milei, encontra-se em uma posição delicada, dados os laços comerciais e financeiros cruciais de Buenos Aires com Pequim.

Tamanho do texto:

Esse dilema foi mais uma vez exposto quando Milei declarou, no início de janeiro, que planeja viajar à China este ano, em um momento em que Trump pressiona para impor a supremacia dos EUA nas Américas.

Durante a campanha que o levou à presidência em 2023, Milei prometeu que não faria "negócios com a China" nem "com nenhum comunista". No entanto, após ser eleito, adotou uma postura mais pragmática.

Essa mudança se consolidou após a renovação, em 2024 e 2025, da parcela ativa do acordo de swap cambial (troca de moedas) com a China, equivalente a 5 bilhões de dólares (26 bilhões de reais).

A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, depois do Brasil, e investe milhões em energia, lítio e infraestrutura no país.

O comércio com Pequim está em ascensão e representou 23,7% das importações argentinas e 11,3% das exportações no ano passado, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Desde a renovação do acordo de swap cambial em 2024, Milei tem insistido em seus planos de visitar a China. Até o momento, nem a Presidência da Argentina nem a embaixada chinesa em Buenos Aires responderam aos questionamentos da AFP sobre a possibilidade dessa viagem.

Enquanto isso, o autoproclamado anarcocapitalista mantém um alinhamento firme com os Estados Unidos sob a administração Trump, que busca distanciar a China da região.

"Esse alinhamento total com os Estados Unidos e Israel, que é uma posição praticamente única no mundo, obviamente entra em conflito com a promoção de relações mais estreitas com a China", disse à AFP Patricio Giusto, diretor do Observatório Sino-Argentino.

- Doutrina Donroe -

Os Estados Unidos pretendem reafirmar sua hegemonia regional por meio de uma reinterpretação da Doutrina Monroe, promovida por Trump e apelidada de "Doutrina Donroe", segundo a qual Washington pode intervir na América Latina se considerar que seus interesses estão ameaçados.

"A Argentina é um Estado-chave no hemisfério, e não apenas no continente, nessa busca por legitimidade de liderança que Donald Trump está empreendendo", disse à AFP Florencia Rubiolo, diretora do Insight 21, centro de análises da Universidade Siglo 21.

Nas últimas semanas, Milei elogiou os ataques militares dos Estados Unidos na Venezuela que levaram à captura de Nicolás Maduro e disse estar honrado em assinar o Conselho da Paz idealizado por Trump.

Em outubro, Milei recebeu uma linha de ajuda financeira de 20 bilhões de dólares (107,6 bilhões de reais, na cotação da época) de Washington, um forte endosso em meio a uma crise política e cambial antes das eleições legislativas, que seu partido venceu.

"Não queremos outro Estado falido ou liderado pela China na América Latina", disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na época.

Durante o mandato de Milei, dois comandantes do Comando Sul dos EUA visitaram uma base argentina em construção em Ushuaia, a cidade mais meridional do país.

Na semana passada, parlamentares americanos também chegaram a Ushuaia, em um momento em que a China aumenta sua presença no Polo Sul. Eles também visitaram o enorme campo de xisto de Vaca Muerta em Neuquén, a segunda maior reserva mundial de gás não convencional e a quarta maior de petróleo de xisto, acompanhados por representantes da petroleira estatal YPF.

"Milei tenta separar a relação econômica, especialmente os laços comerciais com a China, de seu completo alinhamento geopolítico com os Estados Unidos. O dilema é se essa separação pode ser sustentada ao longo do tempo, principalmente se Donald Trump começar a impor condições também ao comércio", disse Giusto.

- "Impraticável" -

Milei afirmou em Davos, em janeiro, que "a China é uma grande parceira comercial" que oferece "muitas oportunidades para expandir mercados" e que isso "não entra em conflito" com seu alinhamento com os Estados Unidos.

"Governo para 47,5 milhões de argentinos e tomo as decisões que melhor beneficiam os argentinos", disse ele na ocasião. "Quero uma economia aberta", enfatizou.

Para Giusto, a relação com a China avança devido à "pura inércia da grande complementaridade econômica" entre os dois países.

Segundo o Indec, 70% das exportações argentinas para a China em 2025 foram compostas por soja, carne bovina e lítio. A abertura econômica do governo de Milei facilitou a entrada de produtos de consumo chineses.

Em 2025, as importações "door to door" (porta a porta), lideradas por Temu e Shein, cresceram 274,2%, de acordo com dados oficiais. Outro exemplo foi a chegada, em janeiro, de cerca de 5.000 carros elétricos da marca chinesa BYD.

"Para a Argentina, romper laços com a China é absolutamente impraticável, (porque) a China é insubstituível como parceira", observou Rubiolo.

D.Farook--DT