Dubai Telegraph - Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França

EUR -
AED 4.23704
AFN 74.992126
ALL 91.801223
AMD 418.589514
ANG 2.065583
AOA 1059.116704
ARS 1738.621483
AUD 1.617669
AWG 2.078141
AZN 1.968959
BAM 1.956261
BBD 2.324357
BDT 142.092849
BGN 1.942222
BHD 0.435089
BIF 3451.727898
BMD 1.153722
BND 1.46954
BOB 12.689043
BRL 5.926321
BSD 1.154077
BTN 110.738721
BWP 15.652619
BYN 3.50461
BYR 22612.94572
BZD 2.320996
CAD 1.608277
CDF 2667.982172
CHF 0.944904
CLF 0.027859
CLP 1100.039261
CNY 7.743146
CNH 7.739072
COP 3608.80693
CRC 516.219341
CUC 1.153722
CUP 30.573626
CVE 110.290975
CZK 24.311341
DJF 205.509291
DKK 7.475476
DOP 68.125749
DZD 154.371425
EGP 60.017416
ERN 17.305826
ETB 188.50091
FJD 2.553129
FKP 0.855988
GBP 0.857348
GEL 2.991968
GGP 0.855988
GHS 13.254179
GIP 0.855988
GMD 84.802591
GNF 10147.34589
GTQ 8.810113
GYD 241.447911
HKD 9.050757
HNL 30.974161
HRK 7.534723
HTG 150.836178
HUF 364.454969
IDR 20357.419757
ILS 3.497219
IMP 0.855988
INR 110.61855
IQD 1511.849513
IRR 1585905.877266
ISK 139.796407
JEP 0.855988
JMD 182.122893
JOD 0.818056
JPY 178.861126
KES 149.476721
KGS 100.892849
KHR 4673.060078
KMF 492.639538
KPW 1038.349915
KRW 1576.595359
KWD 0.355843
KYD 0.961722
KZT 513.145287
LAK 25834.524646
LBP 103345.387414
LKR 382.510087
LRD 200.226289
LSL 18.788806
LTL 3.406641
LVL 0.697874
LYD 7.329726
MAD 10.882663
MDL 20.120652
MGA 4990.067113
MKD 61.544495
MMK 2422.382471
MNT 4147.716277
MOP 9.324894
MRU 46.207883
MUR 54.478572
MVR 17.766827
MWK 2001.179983
MXN 19.772575
MYR 4.666579
MZN 73.734259
NAD 18.788644
NGN 1529.708151
NIO 42.469818
NOK 10.790777
NPR 177.188499
NZD 2.001794
OMR 0.443614
PAB 1.154047
PEN 3.871795
PGK 5.218229
PHP 72.367772
PKR 319.872935
PLN 4.347033
PYG 6828.608249
QAR 4.195388
RON 5.259243
RSD 117.357749
RUB 97.405102
RWF 1702.793656
SAR 4.330004
SBD 9.271597
SCR 15.755618
SDG 693.953467
SEK 11.288002
SGD 1.468959
SHP 0.856321
SLE 28.427578
SLL 24192.958249
SOS 659.552477
SRD 43.553301
STD 23879.710257
STN 24.505665
SVC 10.098335
SYP 15000.690102
SZL 18.786506
THB 38.354318
TJS 10.644262
TMT 4.049563
TND 3.378696
TOP 2.777885
TRY 56.124984
TTD 7.824605
TWD 36.692984
TZS 3052.31852
UAH 51.466821
UGX 4518.064078
USD 1.153722
UYU 46.430935
UZS 13606.204485
VES 970.492275
VND 29995.034148
VUV 136.32031
WST 3.157429
XAF 655.957
XAG 0.017803
XAU 0.000265
XCD 3.117991
XCG 2.079881
XDR 0.815741
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 272.853304
ZAR 18.765744
ZMK 10384.877521
ZMW 22.648236
ZWL 371.497923
SSP 6524.623405
MXV 2.241941
Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França
Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França / foto: Thibaud MORITZ - AFP

Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França

"Olá. A rede nos sequestrou. Por favor, chamem a polícia". Esta mensagem angustiante, recebida por clientes de um ponto de venda de drogas em Marselha, sul da França, expõe a dificuldade das autoridades do país em conter o recrutamento de adolescentes por redes de narcotráfico.

Tamanho do texto:

Segundo o promotor de Marselha, Nicolas Bessone, menores são frequentemente vítimas de violência extrema.

"Com frequência temos menores vítimas de violência muito grave, sequestrados, multados, que já não conseguem sair das redes", afirmou à AFP. No entanto, "a lei do silêncio se impõe, ninguém denuncia", acrescentou, ao dizer que já não hesita em tratar esses casos como tráfico de seres humanos.

Nos últimos anos, a França registrou um aumento da violência ligada ao tráfico de drogas. Apenas em 2024, foram 110 mortos e 341 feridos. Marselha, na costa do Mediterrâneo, tornou-se o símbolo desse cenário.

Desde pouco antes da pandemia de covid-19, centenas de adolescentes passaram a atuar nesses pontos de venda. Muitos entram em conflito com as famílias e são recrutados pelas redes sociais. Alguns vêm de outras regiões do país.

Uma ativista afirma que os jovens são atraídos por falsas promessas. "Eles fazem acreditar que é o trabalho dos sonhos, mas 100 euros (cerca de 630 reais) por vigiar das 10h00 à meia-noite é exploração", disse, sob condição de anonimato. O receio aumentou após o assassinato, em novembro, do irmão de um militante contra o narcotráfico.

- Estupros -

Hakim, nome fictício, viveu essa experiência. No fim de 2020, deixou a região de Paris e foi para Marselha. Seu caso é um dos poucos que resultaram em ações judiciais, já que as vítimas quase nunca denunciam.

Poucos dias após sua chegada à cidade, ele abordou policiais que patrulhavam o bairro da Busserine, na empobrecida zona norte de Marselha, e pediu que o retirassem dali.

Apesar de ter ido à cidade por conta própria, o adolescente de 15 anos perdeu o celular logo ao chegar. Foi obrigado a dormir na casa de uma proprietária descrita como "muito mesquinha", onde tinha apenas uma bacia de água para seu asseio e um biscoito para dividir, segundo relato aos investigadores.

Sua função era vigiar e gritar quando a polícia chegasse. Acusado de falhar em um alerta, passou a sofrer agressões.

O encarregado do ponto de venda de drogas, um pouco mais velho, o ameaçou com uma faca e perguntou: "O que você estaria disposto a fazer para continuar vivo? Estaria disposto a me chupar?".

Hakim foi estuprado. Disseram-lhe que o abuso havia sido filmado para garantir seu silêncio.

Outro caso semelhante deve chegar aos tribunais no início de fevereiro. Em 2022, no bairro de Frais-Vallon, dois adolescentes foram acusados de dar um desfalque de 500 euros (cerca de 3,2 mil reais) no caixa.

Eles passaram a inserir bilhetes nas embalagens entregues aos clientes: "Olá. A rede nos sequestrou. Por favor, chamem a polícia. Nos obrigam a vender de graça há 1 mês e nos espancam com barras. Por favor, chamem a polícia, precisamos de ajuda (temos 15 anos)".

Os dois pularam do segundo andar do prédio onde eram mantidos cativos em um apartamento para fugir. Os bombeiros chegaram após a ligação de um pedestre.

Segundo o diretor de uma instituição que acolhe menores infratores, a violência agora se estende às famílias. Ele afirma que parentes, inclusive uma "irmã", chegam a ser estuprados para forçar pagamentos ou aumentar a carga de trabalho.

- Mudança de abordagem -

Diante desse cenário, a Justiça passou a rever sua abordagem. Em vez de tratar esses jovens apenas como delinquentes, passou a considerá-los vítimas de exploração por organizações criminosas.

Para Isabelle Fort, responsável pelo polo de crime organizado da Promotoria de Marselha, muitos entram nas redes sem compreender o que os espera. "Eles chegavam voluntariamente dizendo, ‘Vou entrar em uma rede’, e logo se desiludiam, pois na verdade eram tratados como escravos", afirmou.

Em julho, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) alertou que "é contrário ao direito internacional que crianças vítimas de exploração criminosa continuem sendo alvo de processos e sanções penais na França, em vez de serem consideradas e atendidas como vítimas".

O organismo lembra que, em países como Bélgica e Reino Unido, leis recentes determinam "que as vítimas do tráfico não devem ser punidas por delitos cometidos sob coerção".

Em janeiro, o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, recomendou que esses casos sejam tratados "sob o ângulo da repressão ao tráfico de seres humanos", conceito geralmente aplicado a situações de exploração sexual e mendicância forçada.

A Promotoria de Marselha informou à AFP que abriu cerca de dez investigações com esse enfoque.

A promotora adjunta Céline Raignault, no entanto, alerta para o risco de "desresponsabilizar completamente os jovens que viriam ao sol de Marselha porque se paga melhor do que em outros lugares".

Sem alternativas concretas para afastá-los do narcotráfico, a eficácia dessa mudança ainda é incerta.

Para o diretor da instituição, o caminho passa por reconstruir rotinas básicas. "Seria preciso levá-los para o campo e voltar a considerá-los como crianças", disse, citando atividades simples como jogos de tabuleiro e cozinhar, a fim de romper com um cotidiano marcado pela violência.

S.Al-Balushi--DT