Dubai Telegraph - Hacktivistas reciclam aparelhos obsoletos na Argentina: 'O velho funciona'

EUR -
AED 4.231433
AFN 74.892934
ALL 93.964547
AMD 422.42859
AOA 1057.71362
ARS 1715.616549
AUD 1.639899
AWG 2.075388
AZN 1.95509
BAM 1.964441
BBD 2.320889
BDT 142.295919
BHD 0.434489
BIF 3453.699027
BMD 1.152193
BND 1.48453
BOB 13.569099
BRL 5.851763
BSD 1.152359
BTN 110.199606
BWP 15.746469
BYN 3.372033
BYR 22582.986129
BZD 2.317695
CAD 1.614655
CDF 2621.239218
CHF 0.928846
CLF 0.027096
CLP 1066.41274
CNY 7.783353
CNH 7.775587
COP 3599.082761
CRC 523.89994
CUC 1.152193
CUP 30.533119
CVE 111.359268
CZK 24.204641
DJF 204.767487
DKK 7.47521
DOP 67.08644
DZD 152.919167
EGP 58.84239
ERN 17.282898
ETB 186.000011
FJD 2.553149
FKP 0.867174
GBP 0.856051
GEL 3.018565
GGP 0.867174
GHS 13.474877
GIP 0.867174
GMD 85.262595
GNF 10101.857255
GTQ 8.792676
GYD 241.096794
HKD 9.036708
HNL 30.87481
HRK 7.53315
HTG 150.672767
HUF 362.580193
IDR 20794.263843
ILS 3.531443
IMP 0.867174
INR 110.247661
IQD 1509.540037
IRR 1584265.60873
ISK 142.606705
JEP 0.867174
JMD 182.251673
JOD 0.816868
JPY 184.750148
KES 149.070356
KGS 100.758911
KHR 4654.860526
KMF 496.020675
KRW 1644.974733
KWD 0.356892
KYD 0.960337
KZT 546.678406
LAK 26131.741487
LBP 103178.89777
LKR 387.072622
LRD 209.134754
LSL 19.137841
LTL 3.402127
LVL 0.69695
LYD 7.379782
MAD 10.812757
MDL 20.29353
MGA 4926.821346
MKD 61.505418
MMK 2419.425088
MNT 4143.544445
MOP 9.310877
MRU 46.214335
MUR 54.394729
MVR 17.813507
MWK 2000.207131
MXN 19.983063
MYR 4.693692
MZN 73.636643
NAD 19.137958
NGN 1572.121116
NIO 42.407828
NOK 10.978792
NPR 176.313021
NZD 1.961834
OMR 0.443021
PAB 1.152404
PEN 3.904876
PGK 5.084365
PHP 70.89455
PKR 320.191151
PLN 4.307491
PYG 6887.295252
QAR 4.198819
RON 5.246048
RSD 117.399306
RUB 91.859024
RWF 1690.26738
SAR 4.2996
SBD 9.299986
SCR 15.599018
SDG 691.315584
SEK 10.991174
SGD 1.477694
SLE 28.464345
SOS 658.591239
SRD 43.489504
STD 23848.072347
STN 24.60803
SVC 10.083354
SZL 19.113073
THB 38.487877
TJS 10.641818
TMT 4.044198
TND 3.407187
TRY 54.735624
TTD 7.821643
TWD 37.342774
TZS 3050.429113
UAH 51.410942
UGX 4315.984789
USD 1.152193
UYU 46.353898
UZS 13833.851174
VES 856.420682
VND 30281.364793
VUV 137.723124
WST 3.171439
XAF 658.878091
XAG 0.019493
XAU 0.000281
XCD 3.113859
XCG 2.076899
XDR 0.820359
XOF 658.855116
XPF 119.331742
YER 274.596437
ZAR 19.01568
ZMK 10371.122817
ZMW 21.520315
ZWL 371.005731
Hacktivistas reciclam aparelhos obsoletos na Argentina: 'O velho funciona'
Hacktivistas reciclam aparelhos obsoletos na Argentina: 'O velho funciona' / foto: Luis ROBAYO - AFP

Hacktivistas reciclam aparelhos obsoletos na Argentina: 'O velho funciona'

Um console de jogos feito com um ventilador ou uma máquina de cartão transformada em uma câmera fotográfica são algumas das invenções dos "cybercirujas", um coletivo de hacktivistas argentinos que reciclam dispositivos eletrônicos para desafiar a obsolescência e o lixo eletrônico gerado.

Tamanho do texto:

"Experimentamos com tecnologia, tentando reciclá-la, redefinir elementos que outras pessoas jogariam fora", diz Esteban Palladino, conhecido pelo pseudônimo Uctumi.

O resultado são metamorfoses eletrônicas como consoles de videogame fabricados a partir de máquinas de cartões de crédito ou controlados por telefones fixos.

"É um movimento que tem um lado solidário, um lado tecnopolítico e também um lado lúdico", explica à AFP.

O termo "ciruja" refere-se na Argentina àquele que procura coisas no lixo para vender ou usar.

Diante da "imoralidade de um equipamento jogado no lixo, o cyberciruja se rebela contra a autoridade do mercado", proclama o manifesto do coletivo cyberciruja de 2021.

Estima-se que a Argentina produza 520.000 toneladas de lixo eletrônico por ano, sendo o quinto maior nas Américas depois dos Estados Unidos, Brasil, México e Canadá, segundo um relatório de 2024 do instituto da ONU para pesquisas (Unitar).

Em 2022, o mundo gerou um recorde de 62 milhões de toneladas, detalha o relatório.

Diante desse fenômeno, os cybercirujas argentinos brincam com a retórica revolucionária: chamam de "células" os grupos de províncias, seu manifesto adota a estrutura do de Karl Marx e exibem cartazes com a imagem de um Che Guevara ciborgue.

O movimento começou em 2019 com "cozinhas populares de hardware" onde as peças eram trocadas, mas seu trabalho se intensificou durante a pandemia, quando muitos precisaram de dispositivos para estudar ou trabalhar.

"Recebemos máquinas doadas por pessoas, as redefinimos com software livre e as doamos para pessoas ou organizações", conta Uctumi.

- Obsolescência -

O coletivo leva a idiossincrasia do software livre à prática: por exemplo, seu terceiro encontro anual em Buenos Aires no fim de semana passado incluiu um workshop para prolongar a vida útil de telefones.

Um dos expositores foi o engenheiro eletrônico Juan Carrique, que viajou 470 km da província central de Santa Fé para apresentar o "roboticlaje".

Essa iniciativa cria, a partir de resíduos eletrônicos, kits de robótica para educação primária.

"Com lixo eletrônico, faço com que montem sensores de temperatura ou controles de motores", diz. "Não é a mesma coisa comprar algo pronto que funciona do que ter que fazê-lo, até mesmo a partir do lixo".

Carrique é diabético e usa um aplicativo de software livre para que seu sensor de glicose seja compatível com seu telefone. Assim, ele consegue prolongar por vários dias a vida útil do dispositivo prevista pelo fabricante.

Trata-se de "reivindicar o direito de reconhecer quando as coisas funcionam ou não funcionam, em vez de deixarem me dizer se funcionam ou não", explica.

- "O velho funciona" -

Os visitantes do encontro faziam fila para brincar com o "Ventilastation", um console feito a partir de um ventilador industrial.

Na sua tela inicial, pode-se ler "o velho funciona", uma referência à popular série da Netflix "El Eternauta" e a uma declaração dos princípios dos cybercirujas.

"Uma das disputas bonitas que estamos promovendo é o tempo de lazer. Esse tempo que hoje está tão mediado por um consumo de rede social corporativa", disse Cristián Rojo, de Córdoba (centro).

Uma "atualização doutrinária" do manifesto cyberciruja inclui uma crítica aos aplicativos para celulares: "É esse ecossistema que está rompendo o tecido social, destruindo a psique dos jovens", leu Rojo.

"Não se trata de erradicar o telefone, assim como não se trata de erradicar os computadores. Podemos gerar ações para mudar a forma de habitar e usar os telefones celulares. A maneira como os usamos está completamente mediada, para não dizer determinada, pelos oligarcas da computação", prosseguiu.

No encontro, eles também ensinaram a executar localmente motores de IA em computadores antigos.

Para Carrique, que desenvolve uma IA latino-americana na Universidade Nacional do Litoral, o movimento chama a "habitar a tecnologia como um lugar de disputa, que não é apenas herdar o que vem".

R.Mehmood--DT