Dubai Telegraph - Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial

EUR -
AED 4.209445
AFN 75.066268
ALL 94.264151
AMD 419.682702
AOA 1052.08879
ARS 1713.955467
AUD 1.647594
AWG 2.064352
AZN 1.957618
BAM 1.968297
BBD 2.307772
BDT 141.448065
BHD 0.43218
BIF 3418.143234
BMD 1.146066
BND 1.480721
BOB 13.033981
BRL 5.877941
BSD 1.145785
BTN 109.536936
BWP 15.763289
BYN 3.343975
BYR 22462.902726
BZD 2.304451
CAD 1.609823
CDF 2618.761869
CHF 0.933701
CLF 0.027239
CLP 1072.041986
CNY 7.754626
CNH 7.748553
COP 3670.678979
CRC 521.415055
CUC 1.146066
CUP 30.370761
CVE 111.340232
CZK 24.183263
DJF 203.678952
DKK 7.474531
DOP 66.758223
DZD 152.462331
EGP 58.080368
ERN 17.190997
ETB 183.42752
FJD 2.556015
FKP 0.861169
GBP 0.857827
GEL 3.00244
GGP 0.861169
GHS 13.403233
GIP 0.861169
GMD 84.808925
GNF 10051.003088
GTQ 8.742468
GYD 239.684915
HKD 8.988136
HNL 30.789091
HRK 7.530919
HTG 149.811163
HUF 363.03941
IDR 20709.421033
ILS 3.527226
IMP 0.861169
INR 109.714605
IQD 1501.34707
IRR 1576127.907128
ISK 142.605427
JEP 0.861169
JMD 181.109881
JOD 0.812592
JPY 187.287898
KES 148.266326
KGS 100.223709
KHR 4632.400819
KMF 492.808555
KRW 1654.736482
KWD 0.355785
KYD 0.954875
KZT 546.68332
LAK 25972.728766
LBP 102630.251904
LKR 384.933976
LRD 207.867813
LSL 19.127602
LTL 3.384036
LVL 0.693244
LYD 7.351979
MAD 10.757551
MDL 20.274993
MGA 4951.00747
MKD 61.913363
MMK 2406.010261
MNT 4122.210094
MOP 9.256532
MRU 45.96297
MUR 54.358049
MVR 17.718269
MWK 1990.71748
MXN 19.998399
MYR 4.686835
MZN 73.244686
NAD 19.127735
NGN 1564.976734
NIO 42.003453
NOK 11.120123
NPR 175.26104
NZD 1.977341
OMR 0.440588
PAB 1.14578
PEN 3.899777
PGK 5.039824
PHP 70.494564
PKR 318.477913
PLN 4.325736
PYG 6881.692403
QAR 4.179713
RON 5.238445
RSD 117.41112
RUB 91.499047
RWF 1680.133439
SAR 4.31364
SBD 9.250534
SCR 15.682857
SDG 688.205245
SEK 11.053593
SGD 1.479109
SLE 27.648824
SOS 654.866369
SRD 43.260562
STD 23721.261939
STN 24.812339
SVC 10.025698
SZL 19.128128
THB 38.347673
TJS 10.575986
TMT 4.022693
TND 3.386052
TRY 54.313803
TTD 7.783486
TWD 37.080067
TZS 3019.961939
UAH 51.371888
UGX 4279.187565
USD 1.146066
UYU 46.082784
UZS 13801.503363
VES 851.86673
VND 30167.33454
VUV 136.634936
WST 3.156365
XAF 660.157029
XAG 0.019882
XAU 0.000282
XCD 3.097301
XCG 2.06502
XDR 0.820789
XOF 658.412083
XPF 119.331742
YER 273.136311
ZAR 19.097932
ZMK 10315.982387
ZMW 21.398232
ZWL 369.032934
Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial
Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial / foto: Carl DE SOUZA - AFP

Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial

O Brasil emergiu do terror da pandemia de covid-19 graças a uma bem-sucedida campanha de vacinação em massa. Mas dois anos depois se depara com um paradoxo: as taxas de imunização - e não apenas para a covid - despencaram, expondo milhões de pessoas a doenças que já haviam sido erradicadas.

Tamanho do texto:

Médicos, governantes e até o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), alertaram para o colapso das taxas de imunização no Brasil, onde a cobertura vacinal geral caiu de 95% em 2015 para 68% no ano passado, segundo dados oficiais.

Para a poliomielite, por exemplo, o número caiu de 85% para 68%, alertando para um possível ressurgimento da doença no país, que a erradicou em 1989. Os números são semelhantes para outras vacinas.

O sarampo, eliminado oficialmente do país em 2016, voltou dois anos depois. Também há temores de que a difteria esteja ressurgindo.

Especialistas dizem que a relutância em se vacinar é um problema crescente em todo o mundo, mas a situação é particularmente preocupante no Brasil, um país que até recentemente era aclamado como líder em vacinação.

Um movimento antivacina, que começou a se espalhar em 2016, ganhou uma nova dimensão ao contar com um aliado de peso: o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que afirma não ter sido vacinado contra a covid-19 e até brincou que a vacina poderia transformar as pessoas em "jacarés".

"É muito triste observar um país que sempre teve excelência nos programas de vacinação e sempre foi um exemplo para o mundo de repente sofre um movimento antivacina", disse à AFP Natalia Pasternak, diretora do Instituto Questão de Ciência (IQC), um grupo de especialistas em políticas públicas.

A especialista lamentou "ver como 50 anos de trabalho podem ser tão facilmente destruídos em três".

- História de sucesso destruída -

A pandemia demonstrou a importância do sistema de saúde pública universal brasileiro, que, embora enfrente dificuldades, recebe muitos elogios.

Em 2020, foram registradas algumas das imagens mais duras da crise sanitária: valas comuns e corpos amontoados em caminhões refrigerados em lugares como Manaus, onde hospitais ficaram sem oxigênio.

No ano seguinte, surgiram imagens de esperança, como profissionais de saúde transformando o sambódromo do Rio de Janeiro em centro de imunização, ou embarcando na floresta amazônica para entregar vacinas aos povos indígenas.

Especialistas acreditam que a campanha ajudou a evitar uma tragédia muito maior no Brasil, onde mais de 700 mil pessoas já morreram de covid-19, número atrás apenas dos Estados Unidos.

Apesar de um certo atraso no início da campanha, amplamente atribuído a Bolsonaro, no início de 2022 o Brasil havia vacinado 93% dos adultos contra a covid-19.

Depois, as taxas caíram, não apenas para essas vacinas, mas para todo o resto.

- "Infodemia" -

Segundo especialistas, vários fatores causam esse declínio: dificuldade em ficar em dia com as vacinas atrasadas durante a pandemia, falta de acesso a atendimento médico e menor conscientização sobre os perigos de doenças que afetavam a população no passado.

Mas há um novo elemento que agrava o cenário: uma mistura tóxica de política, polarização e desinformação que estourou durante a pandemia e se espalhou pelo mundo.

No Brasil, apesar de Bolsonaro ter perdido a eleição de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva, o movimento antivacina não deixou de prosperar.

"As famílias estão sendo atacadas por desinformação e mentiras. Não é uma pessoa que postou uma besteira, uma fake news, é tudo muito estruturado", disse Isabella Ballalai, da Associação Brasileira de Imunizações.

"As consequências dessa 'infodemia' serão piores do que a própria pandemia de covid-19", alertou.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o governo está avaliando como punir os médicos que disseminam desinformação contra as vacinas.

"Fake news criminosas geram um ambiente de dúvida e contribuem para essa falta de adesão à vacinação", disse à AFP.

- Influências locais -

Em pesquisa recente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o IQC constataram que, segundo os médicos, o medo dos efeitos colaterais e a desconfiança das vacinas são os principais motivos pelos quais os pais não vacinam os filhos.

Pasternak, cuja organização trabalha para produzir informações confiáveis para combater a enxurrada de desinformação, propõe convencer a população ao trabalhar com "líderes locais".

"As pessoas ouvem aqueles em quem confiam: pastores, líderes da comunidade", disse.

Mas inverter a tendência não será fácil, admitiu. "Temos muito trabalho a fazer".

K.Javed--DT