Dubai Telegraph - França condena ex-cirurgião pedófilo a 20 anos de prisão por abusar de 299 pacientes

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França condena ex-cirurgião pedófilo a 20 anos de prisão por abusar de 299 pacientes
França condena ex-cirurgião pedófilo a 20 anos de prisão por abusar de 299 pacientes / foto: Benoit Peyrucq - AFP/Arquivos

França condena ex-cirurgião pedófilo a 20 anos de prisão por abusar de 299 pacientes

A Justiça francesa condenou, nesta quarta-feira (28), o ex-cirurgião Joël Le Scouarnec à pena máxima de 20 anos de prisão por estuprar e agredir sexualmente 299 pacientes, a maioria menores de idade.

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O julgamento, que começou em fevereiro, chocou o país meses após outro caso "inusitado": o estupro em série de Gisèle Pelicot, que resultou na condenação de 51 homens.

"Foi levado em consideração que os atos cometidos foram particularmente graves devido ao número de vítimas, à sua pouca idade e ao caráter compulsivo" do acusado, disse a presidente do tribunal de Vannes, Aude Buresi, ao ler o veredicto.

A Promotoria havia pedido 20 anos para esse "diabo" de "jaleco branco" e outras medidas menos comuns, como confinamento em um centro de tratamento para monitoramento adicional após o cumprimento da pena.

No entanto, o tribunal de Vannes, no oeste da França, impôs uma pena mais leve, ao destacar sua "vontade de se redimir" e sua idade. O homem de 74 anos poderá, portanto, obter liberdade condicional após cumprir dois terços de sua pena de 20 anos.

A Justiça também impôs 15 anos de monitoramento social e judicial, o que inclui, em especial, submeter-se a um tratamento e a proibição permanente de exercer profissão médica ou de se envolver em qualquer atividade que envolva menores.

Em seus argumentos finais, a defesa solicitou ao tribunal que reconhecesse "os elementos favoráveis ao réu", como a sua "confissão", embora as vítimas exigissem um "veredicto à altura".

"Não estou pedindo clemência ao tribunal. Estou simplesmente pedindo o direito de ser uma pessoa melhor e recuperar aquela parte da humanidade que tanto me falta", disse o réu em suas últimas palavras perante o tribunal na segunda-feira.

- Nova investigação -

Durante o julgamento, Joël Le Scouarnec declarou-se culpado de todos os atos cometidos em hospitais entre 1989 e 2014. Na época, 256 desses pacientes tinham menos de 15 anos.

O tribunal o julgou por 111 estupros e 189 agressões sexuais. No entanto, durante o julgamento, ele admitiu outros "abusos sexuais" contra sua neta e assumiu a responsabilidade pelo suicídio de duas de suas vítimas.

O ex-cirurgião cumpre 15 anos de prisão desde 2020 pelo estupro e agressão sexual de duas sobrinhas, de uma jovem paciente na década de 1990 e de uma vizinha de 6 anos em Jonzac em 2017.

Após a denúncia desta última, os investigadores descobriram "cadernos" na casa do réu nos quais ele registrava suas agressões em detalhes, juntamente com milhares de imagens de pornografia infantil e dezenas de bonecas, entre outros itens.

Em 20 de março, a Promotoria anunciou a abertura de uma nova investigação sobre "vítimas não identificadas ou recém-declaradas" do ex-cirurgião.

- "Periculosidade muito grande" -

Le Scouarnec nasceu em Paris, filho de pai marceneiro e mãe zeladora. O mais velho de três filhos, era um aluno excelente, mas bastante solitário, que sonhava em se tornar cirurgião, o que conquistou na década de 1980.

Casou-se e teve três filhos entre 1980 e 1987. No entanto, sob a imagem de uma família sem problemas, o relacionamento do casal tornou-se cada vez mais tenso à medida que as tendências pedófilas do médico se intensificavam.

"Este homem é um enigma", disse ao tribunal Jean-Jacques Dumond, um dos psiquiatras que o examinaram e não encontraram causa para sua pedofilia. Sua "periculosidade é muito grande", acrescentou sua colega Isabelle Alamone.

A Justiça o descobriu em 2004. Seu cartão bancário, que ele usava para acessar sites de pornografia infantil, o denunciou, e um tribunal de Vannes o condenou em 2005 a quatro meses de prisão, com suspensão da pena.

Essa condenação por posse de imagens de pornografia infantil não o impediu de continuar sua carreira como cirurgião em vários hospitais até 2017, quando se aposentou.

F.A.Dsouza--DT