Dubai Telegraph - Classe política do Quênia explora jovens pobres para causar distúrbios

EUR -
AED 4.237919
AFN 75.006812
ALL 91.71831
AMD 418.460854
ANG 2.066012
AOA 1058.182593
ARS 1740.061341
AUD 1.618017
AWG 2.07713
AZN 1.962775
BAM 1.955124
BBD 2.323497
BDT 142.010318
BGN 1.942626
BHD 0.43495
BIF 3448.898007
BMD 1.153961
BND 1.466232
BOB 13.907195
BRL 5.929972
BSD 1.153601
BTN 110.171456
BWP 15.602609
BYN 3.509487
BYR 22617.641203
BZD 2.320198
CAD 1.605067
CDF 2665.650835
CHF 0.943854
CLF 0.027908
CLP 1101.952519
CNY 7.743661
CNH 7.743784
COP 3595.962619
CRC 519.620462
CUC 1.153961
CUP 30.579974
CVE 110.226915
CZK 24.287077
DJF 205.439017
DKK 7.475315
DOP 68.126461
DZD 154.17925
EGP 59.593561
ERN 17.309419
ETB 188.438391
FJD 2.551986
FKP 0.852932
GBP 0.855472
GEL 2.993769
GGP 0.852932
GHS 13.249422
GIP 0.852932
GMD 85.393575
GNF 10142.759182
GTQ 8.81007
GYD 241.356607
HKD 9.051153
HNL 30.963302
HRK 7.533636
HTG 150.782475
HUF 365.83977
IDR 20391.649883
ILS 3.522986
IMP 0.852932
INR 110.586403
IQD 1511.271281
IRR 1586206.334795
ISK 139.964147
JEP 0.852932
JMD 182.057096
JOD 0.818131
JPY 178.5917
KES 149.391902
KGS 100.913961
KHR 4677.525703
KMF 491.587847
KPW 1038.565524
KRW 1561.840356
KWD 0.356455
KYD 0.961368
KZT 516.44156
LAK 25810.082158
LBP 103761.742216
LKR 379.658821
LRD 201.309572
LSL 18.741425
LTL 3.407347
LVL 0.698019
LYD 7.320471
MAD 10.936821
MDL 20.08506
MGA 4977.280261
MKD 61.503749
MMK 2423.032499
MNT 4149.505232
MOP 9.320439
MRU 46.329992
MUR 54.340124
MVR 17.782886
MWK 2000.408823
MXN 19.783477
MYR 4.698809
MZN 73.73214
NAD 18.741425
NGN 1528.468029
NIO 42.456434
NOK 10.77044
NPR 176.275094
NZD 2.003979
OMR 0.44369
PAB 1.153601
PEN 3.877344
PGK 5.133315
PHP 72.549532
PKR 319.817597
PLN 4.340854
PYG 6938.60259
QAR 4.216743
RON 5.254452
RSD 117.364537
RUB 97.510151
RWF 1702.211856
SAR 4.32975
SBD 9.254191
SCR 15.85166
SDG 694.10459
SEK 11.276931
SGD 1.467579
SHP 0.854754
SLE 28.445229
SLL 24197.981815
SOS 659.27221
SRD 43.58165
STD 23884.668779
STN 24.491962
SVC 10.094512
SYP 15003.804932
SZL 18.727529
THB 38.352482
TJS 10.653773
TMT 4.038865
TND 3.376333
TOP 2.778462
TRY 56.128442
TTD 7.833293
TWD 36.677734
TZS 3052.952309
UAH 51.493908
UGX 4522.437418
USD 1.153961
UYU 46.463745
UZS 13578.24964
VES 970.693817
VND 30008.763239
VUV 135.303329
WST 3.157225
XAF 655.957
XAG 0.018151
XAU 0.000268
XCD 3.118638
XCG 2.079173
XDR 0.815911
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 272.94074
ZAR 18.771944
ZMK 10387.036768
ZMW 22.294297
ZWL 371.575063
SSP 6519.016235
MXV 2.243465
Classe política do Quênia explora jovens pobres para causar distúrbios
Classe política do Quênia explora jovens pobres para causar distúrbios / foto: Luis TATO - AFP

Classe política do Quênia explora jovens pobres para causar distúrbios

Por aproximadamente 3,5 dólares (cerca de R$ 17,8, na cotação atual) por cabeça, políticos do Quênia podem contratar falsos apoiadores para participar de um comício ou pistoleiros para atacar seus adversários, um fenômeno antigo que voltou a ganhar força a um ano das eleições.

Tamanho do texto:

Denominados "goons" (capangas) no Quênia, estes assassinos de aluguel são recrutados às dezenas ou centenas entre os muitos jovens desempregados do país, e os mandam para perturbar comícios ou reuniões de opositores políticos ou a transformar uma manifestação pacífica em um campo de batalha.

A polícia, por sua vez, costuma fazer vista grossa.

Segundo um estudo recente do centro de pesquisas Odipo Dev, baseado em Nairóbi, o que eles recebem varia em função de quem dá a ordem: um líder local pagará 500 xelins quenianos (3,8 dólares ou 19,4 reais), enquanto um deputado, até 1.000 xelins (7,73 dólares ou 39,4 reais).

Marius, um dos cinco 'goons' que falaram com a AFP, sob a condição de serem identificados com pseudônimos, começou neste trabalho aos 17 anos.

"Sou um 'goon' e me sinto orgulhoso de dizê-lo", diz este homem, de 27 anos. Mas, conforme avança a conversa, ele muda o tom ao lembrar que sonhava ser cirurgião quando criança - algo fora de seu alcance por causa da baixa renda da família.

Marius foi criado pela mãe solo em Korogocho, uma enorme favela de Nairóbi, colada a um grande lixão. Ele precisou abandonar a escola muito cedo e se define como "uma espécie de analfabeto" que teve como única opção virar um criminoso mercenário.

"Você acaba virando 'goon' para, pelo menos, ganhar alguma coisa" para viver, explica. Mas seu ofício não é livre de riscos: ele perdeu cinco dentes em uma briga violenta, financiada por um político que queria perturbar a abertura de um hospital, inaugurado por um adversário.

Outra ferida é que ele não pode mais ver seu filho. "Não quero expô-lo ao que faço (...), não quero que siga meus passos", admite.

Daniel, de 28 anos, explica que virou 'goon' porque "não tem escolha".

- Passividade policial -

Todos os 'goons' entrevistados pela AFP dizem ter trabalhado para o grupo do presidente William Ruto. O governo nega recorrer a esta tática, apesar das acusações frequentes da oposição.

"Vemos 'goons' por todo o país, pagos pela classe política em seu conjunto", de todos os lados, explica à AFP Ojiro Odhiambo, da ONG Comissão de Direitos Humanos do Quênia (KHRC).

"Se esta tendência continuar (...), o Quênia não terá eleições livres, igualitárias e pacíficas" em agosto de 2027, teme Hussein Khalid, da ONG Vocal Africa.

A polícia, enquanto isso, foi acusada de não fazer nada e, inclusive, de facilitar estas ações.

Durante manifestações antigovernamentais realizadas em 2025, jornalistas da AFP viram centenas de 'goons', a princípio misturados aos policiais, atacando repentinamente os manifestantes, saqueando e vandalizando lojas do centro de Nairóbi.

Em junho, dezenas deles invadiram violentamente uma reunião de defensores dos direitos civis em uma sala da catedral anglicana All Saints. Em uma imagem capturada por câmeras de segurança, vê-se claramente policiais uniformizados deixando-os entrar, alguns armados com paus e a maioria com o rosto descoberto.

"A polícia não trabalha com 'goons' ou criminosos. São acusações grotescas", afirma Michael Muchiri, porta-voz da força de segurança pública, ao mencionar detenções e investigações em curso.

- Álcool e drogas -

O fenômeno não é novidade no Quênia.

Às vésperas das eleições do fim de 1992, o presidente Daniel arap Moi (1978-2002), que acabara de abolir o monopólio de seu partido único, Kanu, sob pressão popular, reuniu uma multidão de jovens em um movimento chamado "Juventude por Kanu '92" (YK'92).

Oficialmente encarregado de mobilizar a juventude, o YK'92 foi acusado de subornar os eleitores e aterrorizar seus oponentes.

Entre seus dirigentes estavam o então jovem William Ruto, atual presidente, que por um tempo foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por seu suposto papel nos violentos confrontos pós-eleitorais de 2007-2008. As acusações acabaram sendo anuladas pela pressão exercida sobre as testemunhas.

Nos últimos tempos, o recurso aos 'goons' disparou desde o movimento de protesto de 2024 e 2025 contra Ruto, segundo Marius, que afirma que "foram usados 'goons' para esmagar" os manifestantes.

Contudo, vários destes homens garantiram à AFP que prefeririam ter um emprego de verdade. "Ouvimos dizer que a educação é a chave, mas (...) nunca conseguimos abrir o cadeado", diz Daniel, com ironia.

Segundo o Banco Mundial, o país não consegue oferecer mais que 100.000 postos de trabalho por ano, enquanto os jovens que chegam ao mercado de trabalho são 800.000.

'Goon' desde 2017, Daniel se arrepende de várias coisas, como quando "inclusive bateu em uma mulher", que "poderia ser [sua] mãe".

"Estando sóbrio não é fácil" fazer tudo isso, assegura. Por isso, quem os contrata lhes dá dão álcool e drogas antes de cada operação.

Os pagamentos são feitos em dinheiro vivo (às vezes com cédulas novas, contou um 'goon' à AFP), e frequentemente recebem um adiantamento.

Em geral, trabalham em grupos de 20 a 50 pessoas, lideradas por um chefe.

- A fatia do bolo -

Embora Daniel seja consciente de que os políticos o usam "como um lenço descartável", o dinheiro segue motivando-o.

"Nos vemos ricos nos próximos oito meses porque a campanha [eleitoral] vai começar", diz.

Outro benefício, conta Dennis, é o respeito que ganham no bairro. "Somos heróis para os garotos", afirma.

O mais audacioso, o mais violento, "aquele que [vai] mais a fundo", como diz um 'goon' de 23 anos, pode, inclusive, se tornar um "peixe grande", um intermediário entre os agitadores e os que estão no comando.

Quanto à política, para eles, gritar lemas a favor de Ruto ou aterrorizar adversários não passa de um trabalho.

Perante um sistema imerso na corrupção, no qual até os votos no Parlamento são comprados, os jovens entrevistados não veem por que teriam que ficar sem sua parte do bolo.

"Se não pode vencê-los, junte-se a eles", comenta Daniel.

bur-er/ayv/hba/lth/jvb/an/mvv/aa

G.Gopalakrishnan--DT