Dubai Telegraph - Irã estabelece condições enquanto Vance alerta Teerã para não 'brincar' com EUA nas negociações

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Irã estabelece condições enquanto Vance alerta Teerã para não 'brincar' com EUA nas negociações
Irã estabelece condições enquanto Vance alerta Teerã para não 'brincar' com EUA nas negociações / foto: Aamir QURESHI - AFP

Irã estabelece condições enquanto Vance alerta Teerã para não 'brincar' com EUA nas negociações

O presidente do Parlamento iraniano exigiu nesta sexta-feira (10) uma trégua no Líbano e o desbloqueio dos ativos de seu país antes de qualquer negociação de paz com os Estados Unidos, o que gera dúvidas sobre as conversas no Paquistão, onde participará o vice-presidente americano, JD Vance.

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Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã não tem "nenhuma carta" para negociar, exceto o controle temporário do Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos — e voltou a ameaçar com novos ataques caso as negociações fracassem.

Antes dessa declaração de Trump, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que "duas das medidas sobre as quais as partes chegaram a um acordo ainda precisam ser aplicadas: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos do Irã, antes do início das negociações", afirmou em inglês em sua conta no X.

Entre 100 e 120 bilhões de dólares em ativos iranianos no exterior estão congelados devido às sanções dos Estados Unidos, havia afirmado em 2022, em Teerã, uma relatora especial das Nações Unidas, Alena Douhan.

Por sua vez, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, instou o Irã a "não brincar" com Washington, em meio a fortes divergências e acusações mútuas de não cumprimento do acordo de cessar-fogo.

Desde que a trégua de duas semanas foi acordada, Teerã e Washington apresentaram versões contraditórias sobre se o Líbano está ou não incluído no acordo: o Irã afirma que sim, e os Estados Unidos que não.

Israel, por sua vez, diz estar determinado a continuar combatendo o movimento islamista pró-Irã Hezbollah.

Na quarta-feira, 357 pessoas morreram nesses ataques no Líbano, segundo um novo balanço. Israel afirmou ter matado 180 combatentes do Hezbollah naquele dia.

Esses bombardeios foram os mais letais desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Nesta sexta-feira, 13 membros das forças de segurança do Líbano morreram em ataques no sul do país, segundo a agência estatal de notícias libanesa.

- "Negociar de boa-fé" -

Aguardando a chegada dos negociadores, Islamabad se transformou em uma cidade fantasma sob forte esquema de segurança, enquanto os diálogos estão previstos para acontecer em um hotel de luxo.

O Paquistão havia convidado as delegações para se reunirem nesta sexta-feira, mas JD Vance só chegará no sábado de manhã.

"Vamos tentar manter uma negociação positiva", declarou JD Vance aos jornalistas antes da decolagem na Base Conjunta Andrews, em Washington.

"Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, nós, evidentemente, estamos dispostos a estender a mão aberta. Se tentarem nos enganar, então verão que a equipe de negociação não é tão receptiva", advertiu.

O vice-presidente, que segundo o jornal The New York Times se opõe à ofensiva no Irã, lidera a comitiva americana ao lado do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

No Irã, não está claro se uma delegação de Teerã partirá rumo a Islamabad.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que a realização dessas conversações dependerá de que o cessar-fogo seja respeitado "em todas as frentes, em particular no Líbano".

Quando a trégua foi anunciada, o Paquistão, que atua como mediador, garantiu que ela seria aplicada "em todos os lugares, inclusive no Líbano". Mas os israelenses e os norte-americanos negaram isso.

Vários iranianos expressaram à AFP suas dúvidas, como um morador de Teerã, de 30 anos, sob condição de anonimato.

"Não deveríamos levar Trump tão a sério. Ele quer apagar uma civilização do mapa e, 12 horas depois, estabelece um cessar-fogo que não se baseia em nada", resume.

- Negociações sobre o Líbano -

Em paralelo às tratativas entre Irã e Estados Unidos, conversações entre o Líbano e Israel devem ocorrer em Washington na próxima semana, segundo um funcionário americano.

Pouco antes, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que havia ordenado a abertura de "negociações diretas" com Beirute, uma iniciativa que o Hezbollah rejeitou.

Nesta sexta-feira, seu líder, Naim Qassem, fez um apelo aos dirigentes libaneses para que não fizessem "concessões gratuitas" a Israel.

- Reivindicações opostas -

Mesmo que eventualmente as delegações se sentem à mesa de negociações, posições opostas em questões-chave dificultam um acordo.

O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã descartou restringir o enriquecimento de urânio, uma das principais exigências de Israel e dos EUA, que temem que Teerã consiga a arma nuclear.

Também não se vê uma saída fácil para a situação no Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo mundial antes dos conflitos.

Embora sua reabertura fosse uma das condições do cessar-fogo, desde sua implementação poucos navios o atravessaram.

Em uma sequência de mensagens nas redes sociais, Trump acusou na quinta-feira o Irã de estar fazendo um "péssimo trabalho" em relação à reabertura de Ormuz e de descumprir os termos do acordo.

Dada a fragilidade do cessar-fogo, a cautela reinou nos mercados financeiros e o preço do petróleo se estabilizou abaixo de 100 dólares (R$ 508 na cotação atual).

W.Zhang--DT