Dubai Telegraph - Migração de cubanos e haitianos faz disparar voos fretados para Nicarágua

EUR -
AED 4.265511
AFN 73.759117
ALL 94.834392
AMD 427.665871
ANG 2.079503
AOA 1065.652572
ARS 1668.732285
AUD 1.643515
AWG 2.090649
AZN 1.971915
BAM 1.957286
BBD 2.340477
BDT 142.649528
BGN 1.96391
BHD 0.43799
BIF 3473.962138
BMD 1.161472
BND 1.48873
BOB 8.059119
BRL 5.927801
BSD 1.162082
BTN 109.829383
BWP 15.570821
BYN 3.217243
BYR 22764.847176
BZD 2.337174
CAD 1.625579
CDF 2694.614268
CHF 0.920925
CLF 0.02614
CLP 1028.785421
CNY 7.848587
CNH 7.846491
COP 3989.829836
CRC 529.301848
CUC 1.161472
CUP 30.779003
CVE 110.745588
CZK 24.150948
DJF 206.417103
DKK 7.475546
DOP 68.06758
DZD 154.336767
EGP 58.206578
ERN 17.422077
ETB 183.948087
FJD 2.594381
FKP 0.865151
GBP 0.864919
GEL 3.072086
GGP 0.865151
GHS 13.130775
GIP 0.865151
GMD 84.787614
GNF 10194.814454
GTQ 8.857801
GYD 243.084551
HKD 9.097866
HNL 31.007312
HRK 7.536329
HTG 151.765221
HUF 349.429252
IDR 20681.515218
ILS 3.386504
IMP 0.865151
INR 110.210723
IQD 1521.528051
IRR 1597023.717995
ISK 144.42914
JEP 0.865151
JMD 183.789534
JOD 0.823514
JPY 186.316925
KES 150.318207
KGS 101.57136
KHR 4660.403313
KMF 493.625206
KPW 1045.325022
KRW 1753.723668
KWD 0.357908
KYD 0.968435
KZT 566.705366
LAK 25587.223779
LBP 104009.798906
LKR 389.308917
LRD 211.562005
LSL 18.805889
LTL 3.429525
LVL 0.702563
LYD 7.404386
MAD 10.737861
MDL 20.278395
MGA 4878.181346
MKD 61.669873
MMK 2438.395525
MNT 4154.078175
MOP 9.375918
MRU 46.551548
MUR 54.867595
MVR 17.956001
MWK 2016.31477
MXN 19.988198
MYR 4.725911
MZN 74.213816
NAD 18.824575
NGN 1579.27594
NIO 42.521185
NOK 10.999253
NPR 175.725899
NZD 1.991564
OMR 0.446588
PAB 1.162082
PEN 3.963534
PGK 5.096248
PHP 69.943807
PKR 323.241355
PLN 4.239318
PYG 7091.383811
QAR 4.22834
RON 5.231308
RSD 117.363266
RUB 84.209268
RWF 1728.270031
SAR 4.357719
SBD 9.363117
SCR 15.612124
SDG 697.464888
SEK 10.870987
SGD 1.488887
SHP 0.867156
SLE 28.746434
SLL 24355.487055
SOS 663.780312
SRD 43.360049
STD 24040.121148
STN 24.855496
SVC 10.167807
SYP 128.379914
SZL 18.821606
THB 37.757707
TJS 10.772378
TMT 4.076766
TND 3.381916
TOP 2.796546
TRY 53.796935
TTD 7.893993
TWD 36.678005
TZS 3043.053794
UAH 52.04426
UGX 4299.264021
USD 1.161472
UYU 46.916023
UZS 13943.468665
VES 692.279465
VND 30546.708201
VUV 138.060614
WST 3.183845
XAF 656.455384
XAG 0.016555
XAU 0.000268
XCD 3.138936
XCG 2.094372
XDR 0.817325
XOF 656.231464
XPF 119.331742
YER 277.156207
ZAR 18.79093
ZMK 10454.642197
ZMW 20.539594
ZWL 373.993444
Migração de cubanos e haitianos faz disparar voos fretados para Nicarágua
Migração de cubanos e haitianos faz disparar voos fretados para Nicarágua / foto: JOHN MOORE - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP

Migração de cubanos e haitianos faz disparar voos fretados para Nicarágua

A emigração em massa de cubanos e haitianos para os Estados Unidos via Nicarágua fez disparar o tráfego de voos fretados, com rotas especiais e preços estratosféricos, o que provocou sanções de Washington em meio ao aumento recente do fluxo de migrantes.

Tamanho do texto:

Irma Pérez, uma cubana de 28 anos, desembarcou com sua família em 9 de outubro no aeroporto internacional de Manágua, em um voo charter de sua cidade natal, Holguín, no leste de Cuba.

"O voo foi pela Vivas [Viva Aerobus], com escala em Cancún, 45 minutos. Sequer descemos do avião, e dali para Manágua", disse ela à AFP via Facebook, no início de novembro, da Cidade do México, aonde havia chegado com seu esposo e seu filho de um ano, conduzidos por um "coiote" através da América Central.

Vários cubanos consultados disseram que tinham viajado em aviões da companhia aérea mexicana Viva Aerobus, mas explicaram que eram voos charter, ou seja, aeronaves fretadas por agências de viagens pequenas, que vendiam as passagens.

A AFP consultou a companhia através de um e-mail, mas não recebeu resposta. Em seu site de vendas on-line, não constam itinerários de cidades cubanas para Manágua.

Irma desembolsou 1.250 dólares (R$ 6.120,25, na cotação atual) por sua passagem, outros 1.250 pela de seu esposo e 350 (R$ 1.714) por seu filho de um ano, sem contar os 2.100 (R$ 10.282) que pagou ao coiote.

Utilizar voos charter para transportar migrantes "é um fenômeno relativamente novo", disse à AFP Manuel Orozco, diretor de Migração do Diálogo Interamericano, um centro de reflexão com sede em Washington.

A Nicarágua, país-aliado da Havana, eliminou a necessidade de visto para os cubanos em novembro de 2021. Desde então, mais de 421.000 cubanos chegaram de maneira irregular à fronteira com os Estados Unidos, muitos a partir deste país centro-americano, segundo números oficiais do governo americano.

No início de 2022, Panamá e Costa Rica impuseram a necessidade de vistos de trânsito para os cubanos, devido ao grande fluxo de migrantes que faziam escala em seus aeroportos para ir a Manágua.

- 'Cálculo econômico' -

Esta situação abriu espaço para a proliferação de voos charter para a capital nicaraguense.

Segundo um relatório do Diálogo Interamericano, foram 50 voos charter por mês, em média, de Havana para Manágua entre janeiro e outubro de 2023. Já as operações partindo de Porto Príncipe, no Haiti, subiram de 30 em agosto para 100 em setembro, e 130 em outubro.

"A Nicarágua foi uma ponte para quase 100.000 pessoas" desde janeiro, segundo o documento.

Orozco, autor do relatório, estima que companhias aéreas e autoridades de aviação da Nicarágua fizeram "um cálculo econômico por trás de tudo isso, que é mutuamente benéfico".

Também há pequenas companhias aéreas que têm se aproveitado deste crescente mercado.

Um cubano formado em contabilidade de 37 anos disse que pagou, em outubro, 1.800 dólares (R$ 8.813, na cotação atual) para voar com a Aruba Airlines, cujo site oferece passagens através de um número de WhatsApp. Voou de Havana com escala nesta pequena ilha holandesa do Caribe.

"Tive que fazer esse dinheiro chegar a uma amiga nos Estados Unidos e ela retirou a passagem", contou ele, sob condição de anonimato, à AFP, enquanto estava a caminho da Cidade do México.

Este cubano, Irma e a maioria destes migrantes se dirigem aos Estados Unidos.

As ofertas são abundantes no Facebook: "Passagens disponíveis Havana-Nicarágua, pagamentos presenciais nos Estados Unidos, administramos preços familiares, entre voos charter e regulares."

No início deste mês, Brian Nichols, subsecretário de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, expressou preocupação com o aumento "dramático" desses voos e, nesta terça-feira, Washington decidiu restringir vistos a "proprietários, diretores e altos funcionários" das empresas que os operam.

O vice-ministro de Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, disse, na semana passada, após um encontro com funcionários americanos em Havana, que "essa situação [...] já não é mais como era" entre agosto e outubro.

O México fechou esta via no final de outubro, impondo um visto de trânsito para cubanos em seus aeroportos.

- Enorme demanda -

Na Nicarágua, taxistas e o setor hoteleiro têm sentido esta situação.

O dono de um pequeno hotel na cidade turística de Granada contou por telefone à AFP que, há meses, 40% do total de reservas que recebe são falsas, pois os migrantes precisam mostrar às autoridades alfandegárias um endereço onde vão ficar na Nicarágua.

"Há algumas semanas, estavam chegando 22 e 23 aviões por dia de migrantes, hoje são seis", confirma um taxista de Manágua que, por causa do trabalho, acompanha cotidianamente as chegadas internacionais no site do aeroporto.

A migração irregular de cubanos e haitianos aos Estados Unidos tinha caído na primeira parte do ano graças ao programa conhecido como Parole, implementado em janeiro pelo governo de Joe Biden e voltado a facilitar a migração legal para os cidadãos de quatro países: Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela.

Sob este programa, entre janeiro e outubro, cerca de 55.000 cubanos e 107.000 haitianos voaram diretamente aos Estados Unidos. Contudo, nesse mesmo período, cerca de 108.000 cubanos e 165.000 haitianos chegaram pela via ilegal, segundo números oficiais.

"O Parole não cobre a demanda migratória do número de pessoas que têm intenção de migrar", estima o especialista do Diálogo Interamericano.

A.Al-Mehrazi--DT