Dubai Telegraph - Corrida para salvar Amazônia relega Cerrado, 'berço das águas', a segundo plano

EUR -
AED 4.261681
AFN 73.106699
ALL 94.816906
AMD 427.282052
ANG 2.077637
AOA 1064.688799
ARS 1662.756221
AUD 1.640346
AWG 2.091675
AZN 1.96996
BAM 1.95553
BBD 2.338377
BDT 142.521547
BGN 1.962148
BHD 0.437836
BIF 3474.390261
BMD 1.16043
BND 1.487395
BOB 8.051888
BRL 5.924331
BSD 1.16104
BTN 109.730847
BWP 15.556852
BYN 3.214356
BYR 22744.42309
BZD 2.335078
CAD 1.62387
CDF 2693.357105
CHF 0.920691
CLF 0.026168
CLP 1029.904685
CNY 7.845144
CNH 7.841627
COP 4014.413884
CRC 528.826971
CUC 1.16043
CUP 30.751388
CVE 110.250725
CZK 24.153762
DJF 206.751448
DKK 7.47496
DOP 68.110594
DZD 154.199726
EGP 58.161319
ERN 17.406446
ETB 187.181951
FJD 2.567392
FKP 0.864374
GBP 0.864561
GEL 3.069317
GGP 0.864374
GHS 13.061196
GIP 0.864374
GMD 84.131262
GNF 10169.683246
GTQ 8.849854
GYD 242.866461
HKD 9.090383
HNL 31.046445
HRK 7.535843
HTG 151.629061
HUF 349.300504
IDR 20580.221607
ILS 3.383465
IMP 0.864374
INR 109.706158
IQD 1520.976852
IRR 1596464.119502
ISK 144.403935
JEP 0.864374
JMD 183.624642
JOD 0.822785
JPY 186.188053
KES 150.21726
KGS 101.479104
KHR 4662.356148
KMF 493.182887
KPW 1044.387181
KRW 1750.815816
KWD 0.357598
KYD 0.967566
KZT 566.196931
LAK 25548.471862
LBP 103969.942184
LKR 388.959638
LRD 211.310819
LSL 18.739774
LTL 3.426448
LVL 0.701932
LYD 7.397042
MAD 10.73451
MDL 20.260202
MGA 4824.33378
MKD 61.622507
MMK 2436.207854
MNT 4150.351234
MOP 9.367506
MRU 46.339
MUR 54.819027
MVR 17.929036
MWK 2013.221982
MXN 19.9584
MYR 4.721322
MZN 74.163835
NAD 18.739612
NGN 1575.701384
NIO 42.724468
NOK 11.006717
NPR 175.568242
NZD 1.989301
OMR 0.446191
PAB 1.16104
PEN 3.955188
PGK 5.086341
PHP 69.942548
PKR 323.029575
PLN 4.238876
PYG 7085.021588
QAR 4.24445
RON 5.230639
RSD 117.385527
RUB 84.135482
RWF 1721.762232
SAR 4.354042
SBD 9.358913
SCR 16.054323
SDG 696.844477
SEK 10.880881
SGD 1.487781
SHP 0.866378
SLE 28.720215
SLL 24333.635884
SOS 663.502655
SRD 43.321119
STD 24018.552916
STN 24.496617
SVC 10.158685
SYP 128.264734
SZL 18.736251
THB 37.740613
TJS 10.762714
TMT 4.061504
TND 3.398531
TOP 2.794037
TRY 53.726971
TTD 7.886911
TWD 36.575356
TZS 3040.329445
UAH 51.997567
UGX 4295.406822
USD 1.16043
UYU 46.873931
UZS 13944.194529
VES 686.714069
VND 30519.302411
VUV 137.93675
WST 3.180989
XAF 655.866428
XAG 0.016635
XAU 0.000268
XCD 3.13612
XCG 2.092493
XDR 0.816591
XOF 655.872079
XPF 119.331742
YER 276.873199
ZAR 18.811785
ZMK 10445.258331
ZMW 20.521166
ZWL 373.657906
Corrida para salvar Amazônia relega Cerrado, 'berço das águas', a segundo plano
Corrida para salvar Amazônia relega Cerrado, 'berço das águas', a segundo plano / foto: Nelson ALMEIDA - AFP

Corrida para salvar Amazônia relega Cerrado, 'berço das águas', a segundo plano

Quando Carminha Maria Missio e sua família se mudaram para o Cerrado, há mais de quarenta anos, para cultivar soja em uma terra considerada "estéril", muitos acharam que tinham enlouquecido.

Tamanho do texto:

"Os nativos da região sugeriam naquela época que nem calango [a terra] produziria", diz esta avó de 67 anos, hoje considerada pela revista Forbes Brasil uma das mulheres mais poderosas do agronegócio brasileiro.

Pouco conhecido internacionalmente, o Cerrado, situado na região central do país, a sudeste da Amazônia, é a savana mais biodiversa do planeta. É chamado de "caixa d'água" e "berço das águas" do Brasil porque abriga nascentes de importantes rios da América Latina.

Alguns cientistas consideram este bioma tão importante quanto a Amazônia para a preservação do planeta.

Mas suas pradarias e árvores de troncos e galhos retorcidos estão desaparecendo rapidamente, registrando um desmatamento recorde em setembro, frente ao avanço dos cultivos de algodão e grãos.

Assim como Missio, uma legião de pioneiros, vindos de outras regiões do país, apostaram tudo ao se mudar para cá.

E foram recompensados: a região é, hoje, um celeiro mundial, que transformou o Brasil no maior exportador de soja.

Daqui saiu metade das 155 milhões de toneladas de soja que o país produziu no ano passado, destinada à engorda de gado, aves e suínos, cuja carne é consumida em todo o planeta.

- Bioma "sacrificado" -

Atualmente, metade do Cerrado está ocupada por cultivos.

Em locais como São Desidério, município baiano que este ano lidera os índices nacionais de desmatamento, a paisagem pós-colheita lembra um tapete infinito, com áreas verdes de vegetação remanescente, cercada por vastos campos marrons.

Para cultivar neste solo arenoso, pobre em nutrientes, os produtores investem pesado em sistemas de irrigação, fertilizantes e pesticidas, financiados por gigantes globais de matérias-primas como Bunge e Cargill.

Para começar, limpam o terreno, frequentemente usando o método do "correntão": uma grossa corrente, puxada por dois tratores, que derruba toda a vegetação em seu caminho.

Também usam o fogo. Este ano, os incêndios no Cerrado consumiram uma área equivalente à superfície da Suíça, segundo o grupo MapBiomas.

Especialistas advertem que a irrigação e a degradação do solo estão secando a região. Um estudo estimou que a vazão dos rios diminuiu 15% em relação à sua média histórica, e até 2050 terá encolhido 34%.

O Cerrado virou um "bioma de sacrifício", afirma Leticia Verdi, do grupo ambientalista Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre a promessa de reduzir o desmatamento na Amazônia, a destruição aumentou 27% no Cerrado desde o ano passado. Isto inclui a área recorde de 659 km2 desmatada em setembro.

"Houve um vazamento do desmatamento da Amazônia para o Cerrado. Todos os olhos internacionais estão na Amazônia neste momento de crise climática", afirma Verdi.

- Uma floresta "de cabeça para baixo" -

No entanto, "o Cerrado é tão importante quanto a Amazônia no enfrentamento da crise climática", disse à AFP Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama.

Os cientistas afirmam que os dois biomas estão estreitamente interligados.

A savana depende das chuvas produzidas pela floresta e a Amazônia depende da savana para alimentar os rios que irrigam a região sul.

Ambos os biomas absorvem os gases de efeito estufa da atmosfera: a floresta, através de seus bilhões de árvores, e a savana, mediante os complexos sistemas de raízes profundas de sua vegetação, que armazenam carbono debaixo da terra.

Por isso, o Cerrado também é chamado de "floresta de cabeça para baixo".

Mas os dois biomas se diferem em outros aspectos.

Enquanto na floresta tropical estima-se que 95% do desmatamento seja ilegal, no Cerrado cerca de 95% do desmate é autorizado, segundo o Ibama.

Isto se deve, segundo ambientalistas, à grande influência do setor agropecuário nas autoridades regionais.

Na Amazônia, a legislação brasileira permite aos donos das terras desmatar apenas 20% de suas propriedades. Na maior parte do Cerrado, vigora o contrário. Ali, os produtores são obrigados a preservar apenas 20% da vegetação nativa.

- "Grilagem verde" -

Em alguns casos, estas regras são burladas na base da força bruta.

João da Silva, identificado com um pseudônimo por razões de segurança, mora em uma casa simples de uma comunidade rural, sem água dentro de casa ou energia elétrica. Mas este pequeno agricultor de 50 anos tem instaladas do lado de fora da residência cinco câmeras de segurança alimentadas por energia solar para proteger sua família.

Em 2018, homens armados cercaram sua casa e ameaçaram sua mãe com uma arma, enquanto ele estava fora.

Em seguida - afirma - homens armados em uma picape tentaram bater em seu carro e o ameaçaram de morte.

"Eles disseram para sair, que nossa terra não é da gente. É desses grileiros, que chegaram pra tomar o território da gente", conta ele.

João também sobreviveu a uma facada sofrida em 2016 em um mercado local.

Ativistas afirmam que ele e seus vizinhos são vítimas do que chamam de "grilagem verde", quando proprietários se apoderam de terrenos sem desmatar para reivindicá-los como parte destes 20% que são obrigados a preservar.

Líderes de várias comunidades de pecuária tradicional contaram à AFP terem sido atacados por indivíduos armados, que mataram seus animais, puseram fogo em suas instalações agrícolas e atiraram neles.

Este tipo de violência é comum no Brasil, onde 377 defensores da terra e do meio ambiente foram mortos desde 2012, segundo a ONG Global Witness.

- Três palavras-chave -

Com o carisma de um pastor, Mario Alberto dos Santos ensina a um grupo de 40 adolescentes técnicas de agricultura sustentável em uma escola do povoado de Ponte de Mateus.

Este professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia, de 43 anos, fala sobre espécies nativas, agricultura orgânica e a importância de intercalar cultivos agrícolas com plantios de árvores.

O objetivo é educar a próxima geração para produzir preservando, e não destruindo a natureza.

"É uma mudança profunda mesmo no nosso sistema econômico. E não só do Brasil, do mundo inteiro", defende Santos.

Enquanto isso, ativistas climáticos pressionam os países importadores de commodities para exigirem de seus fornecedores certificados de respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos.

A União Europeia aprovou este ano uma regulamentação que obriga as empresas a comprovarem que seus produtos vêm de fontes livres de desmatamento.

Esta política é um "ponto de inflexão" para a Amazônia, afirma Daniel Santos, da ONG ambientalista WWF-Brasil.

Mas a medida exclui a maior parte do Cerrado, pois não se qualifica tecnicamente como "floresta".

Os ambientalistas defendem que a UE estenda esta política a "outras zonas arborizadas".

A inclusão destas três palavras poderia transformar o Cerrado, defende Santos.

Será "uma oportunidade importante de trazer uma transição para uma produção muito mais sustentável".

T.Prasad--DT