Dubai Telegraph - Renascer em um salão de tatuagens: quando a tinta cura feridas do tráfico sexual nos EUA

EUR -
AED 4.261823
AFN 74.270285
ALL 94.832768
AMD 427.192236
ANG 2.077708
AOA 1059.643154
ARS 1658.572332
AUD 1.637705
AWG 2.090615
AZN 1.970732
BAM 1.954999
BBD 2.337542
BDT 142.463453
BGN 1.962215
BHD 0.437726
BIF 3469.637783
BMD 1.160469
BND 1.488016
BOB 8.019817
BRL 5.873834
BSD 1.160624
BTN 109.864866
BWP 15.571886
BYN 3.213138
BYR 22745.199988
BZD 2.334184
CAD 1.621611
CDF 2663.276996
CHF 0.920258
CLF 0.026309
CLP 1035.522045
CNY 7.858115
CNH 7.842719
COP 4052.950939
CRC 527.992704
CUC 1.160469
CUP 30.752439
CVE 110.219352
CZK 24.148554
DJF 206.667079
DKK 7.474427
DOP 68.213219
DZD 154.370224
EGP 58.428243
ERN 17.407041
ETB 187.111332
FJD 2.596207
FKP 0.865882
GBP 0.863662
GEL 3.081041
GGP 0.865882
GHS 12.882887
GIP 0.865882
GMD 84.714237
GNF 10166.964534
GTQ 8.847488
GYD 242.812577
HKD 9.091871
HNL 31.035681
HRK 7.532844
HTG 151.690445
HUF 350.03528
IDR 20535.666275
ILS 3.368373
IMP 0.865882
INR 109.690116
IQD 1520.396525
IRR 1596663.720886
ISK 144.396982
JEP 0.865882
JMD 183.964603
JOD 0.822747
JPY 185.855
KES 150.166497
KGS 101.482724
KHR 4664.168797
KMF 494.359932
KPW 1044.422855
KRW 1755.355047
KWD 0.357543
KYD 0.96722
KZT 568.114504
LAK 25555.856383
LBP 103934.946198
LKR 385.898492
LRD 211.22707
LSL 18.77293
LTL 3.426564
LVL 0.701956
LYD 7.380102
MAD 10.72941
MDL 20.188074
MGA 4822.106789
MKD 61.632221
MMK 2435.929867
MNT 4150.638114
MOP 9.365523
MRU 46.33181
MUR 54.681381
MVR 17.940687
MWK 2012.509867
MXN 19.963033
MYR 4.700244
MZN 74.163977
NAD 18.772849
NGN 1576.689085
NIO 42.713046
NOK 11.043398
NPR 175.783985
NZD 1.986851
OMR 0.446217
PAB 1.160539
PEN 3.947033
PGK 5.082873
PHP 69.987766
PKR 322.897979
PLN 4.249128
PYG 7106.026395
QAR 4.231139
RON 5.236622
RSD 117.379198
RUB 84.163441
RWF 1704.930626
SAR 4.35419
SBD 9.336641
SCR 15.894747
SDG 696.858268
SEK 10.877184
SGD 1.48778
SHP 0.866408
SLE 28.605388
SLL 24334.467066
SOS 663.239605
SRD 43.538525
STD 24019.373335
STN 24.489963
SVC 10.154969
SYP 128.269116
SZL 18.769631
THB 37.733241
TJS 10.75863
TMT 4.073248
TND 3.396579
TOP 2.794132
TRY 53.707452
TTD 7.877907
TWD 36.579733
TZS 3052.032195
UAH 52.032372
UGX 4311.307334
USD 1.160469
UYU 47.071519
UZS 13903.241919
VES 675.344258
VND 30508.740188
VUV 138.677299
WST 3.18374
XAF 655.699565
XAG 0.01642
XAU 0.000266
XCD 3.136226
XCG 2.09167
XDR 0.816246
XOF 655.699565
XPF 119.331742
YER 276.902718
ZAR 18.778809
ZMK 10445.619688
ZMW 20.401902
ZWL 373.670669
Renascer em um salão de tatuagens: quando a tinta cura feridas do tráfico sexual nos EUA
Renascer em um salão de tatuagens: quando a tinta cura feridas do tráfico sexual nos EUA / foto: CHANDAN KHANNA - AFP

Renascer em um salão de tatuagens: quando a tinta cura feridas do tráfico sexual nos EUA

O sete tatuado na perna esquerda de Emily é uma ferida aberta. Uma lembrança constante, dolorosa, dos 17 anos nos quais foi vítima de tráfico sexual. Um selo imposto pelo homem, com quem seu pesadelo começou.

Tamanho do texto:

Um dia, esse cafetão obrigou Emily e outras mulheres a tatuarem esse número. Era uma forma de marcá-las, de mostrar que lhe pertenciam, uma prática comum entre os traficantes.

Em um estúdio de tatuagem na Flórida, Emily (pseudônimo) espera ansiosamente que esse traço do passado seja substituído por um desenho que ela escolheu: um coração e uma cruz.

A empresa, onde trabalham três mulheres, aceitou o convite da ONG Selah Freedom para ajudar vítimas de exploração sexual a apagarem as marcas de seus agressores.

Sentada em uma mesa, Emily olha para sua tatuagem. Ele tem 44 anos e está ausente do negócio de jardinagem da família. O quarto é espaçoso e luminoso. Paredes brancas, um espelho e uma planta. Uma pintura emoldurada de borboletas.

Tudo está pronto. A dona do salão, Charity Pinegar, de 40 anos, traça com cuidado o contorno do coração e da cruz.

Uma tatuagem conta uma história, e a de Emily é triste. Ou assim foi por muito tempo. Começa com uma infância traumática, sem afeto, que prejudica sua autoestima e cria um vazio.

"Desde então eu só queria ser amada", desabafa. "Mesmo que alguém me machucasse, isso mostrava que se importavam. E eu caí nos braços de todas as pessoas erradas".

Uma dessas pessoas, o responsável por sua tatuagem, pediu-lhe anos atrás que deixasse a Flórida para morar com ele em outro estado. Emily se apaixonou e o seguiu. Eles iriam se casar, ela estava convencida disso.

Quando entendeu que seu namorado era um cafetão, já era tarde. Foi agredida e viu-o obrigando outras mulheres a se prostituírem. Foi seu primeiro contato com o que as sobreviventes do tráfico sexual chamam de "a vida".

Emily escapou desse confinamento, porque encontrou um emprego e, sobretudo, porque fugiu a tempo com a ajuda da família. Mas o dano foi feito.

Esse episódio deu início a uma existência marcada por homens violentos. Homens que venderam seu corpo e lhe deram as drogas com as quais ela acreditava estar fugindo da realidade.

"Fui fisgada e estava mais ou menos disposta a fazer tudo o que me pediam", diz ela.

- Desumanizar -

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2021 havia 6,3 milhões de vítimas de exploração sexual. Quatro em cada cinco eram mulheres, ou meninas.

Os Estados Unidos não têm estatísticas oficiais a esse respeito. O mais próximo disso são os dados do número nacional contra o tráfico de pessoas: em 2021, recebeu 7.500 chamadas para denunciar casos de tráfico sexual.

Desde 2011, Selah Freedom ajudou mais de 6.000 vítimas na Flórida. Seu programa de dois anos inclui terapia psicológica, alimentação, vestuário, hospedagem e treinamento profissional.

E inclui, ainda, a substituição das tatuagens impostas a essas mulheres para "desumanizá-las", explica sua diretora, Stacey Efaw.

Breanna Cole, de 29 anos, conhece muito bem o trabalho da ONG porque, antes de trabalhar nela, era uma de suas beneficiárias.

Uma infância infeliz, com um pai ausente, fez Breanna buscar fora de casa o amor que não encontrava em casa. Aos 13 anos, apaixonou-se por um garoto violento, com quem descobriu as drogas. Para financiar seu vício, ele começou a explorá-la sexualmente. Foi o primeiro a fazer isso.

"Ele me dizia: se você me ama, você vai fazer", lembra.

Os anos seguintes foram uma descida ao inferno das drogas intravenosas, da vida nas ruas, sem um teto. Teve vários outros relacionamentos, e em todos foi explorada.

Em 2016, ela conheceu a Selah Freedom, mas não estava pronta para lutar contra o vício. Um ano depois, entrou no programa.

"Cheguei a esse ponto de ruptura. Estava destruída espiritualmente e sabia que tinha que mudar de vida, ou que ia morrer", acrescentou.

A terapia fez Breanna entender que havia sido vítima de tráfico sexual. Também ensinaram a ela que merecia ser salva e que, talvez, pudesse ajudar outras mulheres.

- "Estou viva" -

Pinegar descobriu o vínculo entre tatuagens e exploração sexual apenas alguns meses atrás, enquanto tatuava uma funcionária da Selah Freedom. Quando a ONG perguntou se queria ajudar, concordou imediatamente.

Sob a luz branca de uma luminária de teto, a tatuadora se concentra no coração. Ela preenche-o lentamente com tinta preta. A agulha perfura a pele de Emily, que aperta os dentes.

Seu destino mudou em 2020 quando foi resgatada por um policial e ele levou-a para a ONG. Lá, Emily começou a curar suas feridas, a se reconectar com os demais.

"Muito desconfortável se acostumar com alguém que goste de você sem esperar nada em troca", lembra ela.

O processo permitiu que ela fizesse as pazes com sua família e conhecesse o amor. Agora, é casada e tem filhos. Conta isso alternando risos e choros, com os nervos à flor da pele.

Pinegar acabou. Limpa a tatuagem com gaze e cobre com filme transparente. Emily observa com medo, como se o número sete ainda estivesse ali. Ela fica em silêncio por alguns segundos e diz: "Sinto que estava morta e agora estou viva".

Y.Rahma--DT