Dubai Telegraph - 'La bola negra', ode a Lorca dos 'Javis', traz mensagem LGBT+ a Cannes

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'La bola negra', ode a Lorca dos 'Javis', traz mensagem LGBT+ a Cannes
'La bola negra', ode a Lorca dos 'Javis', traz mensagem LGBT+ a Cannes / foto: Olivier CHASSIGNOLE - AFP

'La bola negra', ode a Lorca dos 'Javis', traz mensagem LGBT+ a Cannes

Uma obra inacabada de Federico García Lorca com Penélope Cruz no elenco. Em "La bola negra", que integra a mostra competitiva em Cannes, os diretores espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi se inspiram em uma peça do poeta de Granada para reivindicar uma poderosa mensagem LGBT+.

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O filme, o segundo da dupla de cineastas conhecida como os 'Javis', conta, através de três histórias, o destino entrelaçado de três homossexuais em épocas diferentes.

Em 1932, um jovem de uma família abastada não consegue entrar em um clube seleto por causa de sua homossexualidade. Anos depois, em plena Guerra Civil espanhola, outra história mostra o surgimento do desejo entre dois soldados e, já em 2017, um historiador gay traz a trama para os tempos atuais.

Calvo (35 anos) e Ambrossi (41) se inspiraram em uma obra de Lorca, também intitulada "La bola negra", que o poeta, fuzilado em 1936, deixou inacabada. Foi sua única peça com um protagonista abertamente homossexual.

"É importante que um filme como este esteja na competição oficial [de Cannes] com dois diretores gays, com três protagonistas gays, interpretados por três atores abertamente gays, com um 'cast' diverso, com uma equipe técnica diversa", explicam à AFP os diretores, que foram um casal na vida real, mas anunciaram sua separação no ano passado.

No contexto do auge da extrema direita, este filme é "uma mensagem de que não vamos voltar atrás", advertem.

O filme, que conta com uma estrutura complexa e uma fotografia bem cuidada, passa de uma época para outra e sobrevoa a evolução dos direitos da comunidade LGBT+.

- Penélope Cruz, "um animal cênico" -

Integram o elenco o renomado músico Guitarricadelafuente, Lola Dueñas, Miguel Bernadeau... E sobretudo Penélope Cruz, em uma sequência "curta, mas inesquecível", nas palavras do delegado-geral do festival, Thierry Frémaux.

"É a grande estrela que todos sabemos que é e, ao mesmo tempo, é a atriz que, com humildade, pergunta ao diretor: 'Como quer que faça? Estou fazendo bem assim?'", disseram os cineastas a respeito da atriz madrilenha. "É um animal cênico e uma pessoa muito boa", acrescentaram.

"Nós queríamos que o filme mantivesse a essência LGTBI, mas fazê-lo grande, não só para um público pequeno [...] E Penélope traz isso. Ela fazer parte deste filme é uma forma de dizer que ela está nesta viagem, que apoia o que nós defendemos", reforçou a dupla.

A atriz hollywoodiana Glenn Close também faz uma ponta no filme, falando em espanhol.

Outra referência que aparece é a do diretor espanhol Pedro Almodóvar, um de seus produtores.

"É o aceno definitivo porque é nosso cineasta favorito, que nos marcou pessoalmente, profissionalmente", disseram.

"Sempre nos apoiou e eu trabalho com cinema porque em um momento ele me inspirou", confessou Ambrossi.

- Produções televisivas -

Com "La bola negra", Calvo e Ambrossi entram na disputa pela Palma de Ouro sem nunca terem passado por nenhuma mostra paralela em Cannes, algo que ocorreu pouquíssimas vezes.

Seu primeiro filme, "La llamada" (2017), contou a história de duas adolescentes em um acampamento de verão cristão, uma adaptação de uma peça de teatro de sua autoria.

A religião também esteve presente na minissérie "La Mesías" (2023), sobre uma família marcada pelo fanatismo e pelos delírios messiânicos da mãe.

Os diretores, que saltaram para a fama com outras duas séries - "Paquita Salas" (2016) e "Veneno" (2020) - defendem sua passagem pela TV.

"A televisão te permite ser mais experimental, ser um pouco mais louco, tentar coisas que talvez não funcionem", destacam. "Foi uma grande escola para nós".

H.El-Hassany--DT