Dubai Telegraph - Canadenses escolhem quando morrer, muitas vezes com um sorriso

EUR -
AED 4.215763
AFN 72.319432
ALL 96.250511
AMD 433.530234
ANG 2.054886
AOA 1052.649851
ARS 1605.041005
AUD 1.627805
AWG 2.06627
AZN 1.952677
BAM 1.960904
BBD 2.315928
BDT 141.097233
BGN 1.962163
BHD 0.433516
BIF 3413.584513
BMD 1.147928
BND 1.47143
BOB 7.94568
BRL 6.045904
BSD 1.149893
BTN 106.138709
BWP 15.668849
BYN 3.402355
BYR 22499.382989
BZD 2.312519
CAD 1.569918
CDF 2590.872602
CHF 0.903995
CLF 0.026617
CLP 1051.008272
CNY 7.916795
CNH 7.911483
COP 4240.54825
CRC 541.010441
CUC 1.147928
CUP 30.420084
CVE 110.553218
CZK 24.433584
DJF 204.762935
DKK 7.471654
DOP 70.644173
DZD 151.956974
EGP 60.095851
ERN 17.218916
ETB 179.486229
FJD 2.543695
FKP 0.866615
GBP 0.86424
GEL 3.133911
GGP 0.866615
GHS 12.487501
GIP 0.866615
GMD 84.391326
GNF 10081.028197
GTQ 8.817989
GYD 240.56612
HKD 8.98925
HNL 30.437352
HRK 7.534075
HTG 150.767805
HUF 389.675577
IDR 19505.587538
ILS 3.586138
IMP 0.866615
INR 105.924459
IQD 1506.327068
IRR 1517244.7443
ISK 143.617015
JEP 0.866615
JMD 180.420365
JOD 0.81386
JPY 182.616948
KES 148.654125
KGS 100.386359
KHR 4610.980884
KMF 494.756922
KPW 1033.134925
KRW 1710.52135
KWD 0.352115
KYD 0.958198
KZT 562.92758
LAK 24639.128089
LBP 102968.395132
LKR 357.859841
LRD 210.418571
LSL 19.312464
LTL 3.389532
LVL 0.694369
LYD 7.337096
MAD 10.829887
MDL 20.059208
MGA 4774.447217
MKD 61.66314
MMK 2410.237597
MNT 4099.576954
MOP 9.269466
MRU 46.005739
MUR 53.654501
MVR 17.735995
MWK 1993.797928
MXN 20.440127
MYR 4.511928
MZN 73.364265
NAD 19.312549
NGN 1584.174748
NIO 42.310305
NOK 11.139837
NPR 169.821734
NZD 1.964437
OMR 0.441378
PAB 1.149793
PEN 3.965321
PGK 5.028087
PHP 68.547329
PKR 321.064833
PLN 4.268403
PYG 7418.307578
QAR 4.179897
RON 5.094046
RSD 117.399254
RUB 93.496271
RWF 1677.974562
SAR 4.30773
SBD 9.24279
SCR 15.713391
SDG 689.904142
SEK 10.75777
SGD 1.468045
SHP 0.861243
SLE 28.18199
SLL 24071.482406
SOS 656.010251
SRD 43.10238
STD 23759.785806
STN 24.563932
SVC 10.06123
SYP 126.874693
SZL 19.306248
THB 37.205504
TJS 11.021333
TMT 4.017747
TND 3.400565
TOP 2.763934
TRY 50.72017
TTD 7.798331
TWD 36.719334
TZS 2990.351426
UAH 50.707096
UGX 4323.252098
USD 1.147928
UYU 46.190421
UZS 13884.075513
VES 508.192904
VND 30179.019325
VUV 137.252268
WST 3.139829
XAF 657.671582
XAG 0.014508
XAU 0.000229
XCD 3.102332
XCG 2.072303
XDR 0.817932
XOF 657.66871
XPF 119.331742
YER 273.838357
ZAR 19.27319
ZMK 10332.727681
ZMW 22.381252
ZWL 369.632252
Canadenses escolhem quando morrer, muitas vezes com um sorriso
Canadenses escolhem quando morrer, muitas vezes com um sorriso / foto: Sebastien ST-JEAN - AFP

Canadenses escolhem quando morrer, muitas vezes com um sorriso

O sofrimento de Jacques Poissant terminou no dia em que ele perguntou à filha se seria "uma covardia pedir ajuda para morrer".

Tamanho do texto:

Este corretor de seguros canadense aposentado tinha 93 anos e um câncer de próstata que lhe causava sofrimentos insuportáveis, quando fez a pergunta à filha, Josée.

"Ele estava se apagando. Não tinha mais vontade de viver", contou Josée, de 61 anos, à AFP. Mas, quando soube que a morte assistida tinha sido autorizada para ele, "parou de sofrer" e não teve dúvida em nenhum momento de sua decisão, relatou.

Cinco anos depois, em 2025, sua mãe fez a mesma escolha. Tinha 96 anos, havia sido hospitalizada e entendeu que não poderia mais voltar a viver em sua casa.

Morreu rodeada pelos filhos e pelos companheiros deles, ao som da música que amava. "Estava em paz. Cantou até adormecer".

Poissant recorda esse momento como algo bonito e comovente. "Não existe uma boa maneira de morrer, mas, para mim esta foi a melhor" e foi "um privilégio ter tido tempo para me despedir".

- Ampliar a morte assistida -

Em 2023, uma em casa 20 mortes no Canadá ocorreu por morte assistida.

A morte assistida é legal neste país desde 2016 para pessoas em fase terminal. Em 2021, o direito foi ampliado à aqueles que sofrem de uma doença grave e incurável, mesmo que a morte não fosse "razoavelmente previsível".

Um comitê parlamentar começará, no próximo mês, a analisar se a morte assistida deve ser ampliada às pessoas que sofrem exclusivamente de doenças mentais.

Claire Brosseau espera que esta seja sua batalha final. Afetada há décadas por um transtorno bipolar, levou seu caso pelo direito de morrer aos tribunais.

"Já experimentei antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, benzodiazepinas, pílulas para dormir e estimulantes, terapia cognitivo-comportamental, terapia dialética comportamental, tai chi, reiki, meditação, veganismo, arte-terapia e musicoterapia", enumerou.

"Praticamente não há anda que eu não tenha experimentado. Tem sido demais por muito tempo", disse à AFP.

Para esta mulher de 49 anos, que vive apenas com sua cadela Olive em um pequeno apartamento em Toronto, cada dia é um desafio.

"Tenho entre 10 e 30 minutos por dia em que me sinto bem. Mas o resto é simplesmente horrível", afirmou Brosseau.

Uma mudança na lei permitiria partir "em paz e em segurança, cercada de amor. Não será violento. Não estarei sozinha", disse.

- "Banalizado" como terapia -

O Canadá tinha previsto permitir a morte assistida independentemente da patologia em 2024. Porém, a decisão foi adiada por três anos, pois o governo argumentou que queria se certificar de que o sobrecarregado sistema de saúde mental estivesse preparado.

Cerca de 80% dos canadenses apoiam a morte assistida, mas alguns estão preocupados com sua ampliação.

O tema foi banalizado a tal ponto que é "apresentado como uma forma de terapia", disse Trudo Lemmens, professor de direito da saúde na Universidade de Toronto, à AFP.

"A ideia do suicídio costuma ser uma parte integral de um transtorno psiquiátrico" e é extremamente difícil prever como uma doença mental irá evoluir, assinalou.

Mas Mona Gupta, psiquiatra que presidiu um painel de especialistas que assessorou o governo, insistiu que "não há qualquer razão clínica para traçar uma linha que separe as pessoas com transtornos mentais daquelas com doenças físicas crônicas".

"Temos que reconhecer que há pessoas que estiveram doentes durante décadas e passaram por todo tipo de tratamentos, e que o sofrimento provocado por certas doenças mentais às vezes é tão impossível de aliviar quanto a dor física", afirmou.

- "Partir com dignidade" -

Para ter acesso à morte assistida, é necessário cumprir os critérios exigidos pela lei.

O solicitante deve ser adulto, "ter capacidade de decisão", padecer de uma doença grave ou incurável e "possuir um sofrimento físico ou psicológico constante e insuportável que não possa ser aliviado em condições consideradas toleráveis", indicou à AFP Rachel Fournier, que possui câncer no cérebro e cujo pedido de morte assistida foi aprovado.

"Quando você sofre, sente que nunca vai acabar", disse a mulher de 71 anos. "Saber que haverá um final e que posso escolher o momento é um alívio imenso".

"Continuo mantendo o controle sobre minha vida, mesmo que eu não possa controlar o que acontece com meu corpo", afirma do seu quarto em um centro de cuidados paliativos.

Fournier diz se sentir feliz e orgulhosa de viver em um país que permite aos pacientes decidir, sobretudo depois de ter presenciado como a mãe mergulhava na demência sem poder partir "com dignidade", como teria desejado, porque a lei ainda não estava em vigor.

- "Celebrar minha vida" -

No Canadá, cada vez mais familiares escolhem transformar o último dia de seu ente querido em um momento de celebração com música, canções, discursos e um buffet.

"Venham celebrar a minha vida", lia-se nos convites que um homem enviou para seu último dia.

Os médicos que acompanharam estes pacientes falam de cerimônias belas e comoventes em jardins, na casa de férias da família à beira de um lago e até mesmo em um barco.

Agora as funerárias oferecem espaços para as famílias. "Percebemos que as pessoas iam para hotéis ou alugavam Airbnb", afirmou Mathieu Baker, cujo complexo funerário em Quebec aluga uma sala repleta de plantas e quadros.

O médico Georges L'Espérance explica que este último momento se torna "muitas vezes uma celebração", porque as pessoas próximas entendem que a pessoa vai deixar de sofrer e desejam homenagear a vida que ela teve.

"Graças à medicina, acrescentamos anos à vida, mas nem sempre vida aos anos", reflete. Por isso, "a decisão de pôr fim à vida deve recair sobre o paciente", assegura este médico pioneiro em morte assistida.

A.Krishnakumar--DT