Dubai Telegraph - Rio conta seus mortos após a operação policial mais letal da história do Brasil

EUR -
AED 4.39647
AFN 79.010777
ALL 96.7817
AMD 453.834235
ANG 2.142963
AOA 1097.770504
ARS 1728.714548
AUD 1.697422
AWG 2.154839
AZN 2.03606
BAM 1.959479
BBD 2.410826
BDT 146.2646
BGN 2.010429
BHD 0.451359
BIF 3555.483592
BMD 1.197133
BND 1.514243
BOB 8.270527
BRL 6.218144
BSD 1.196947
BTN 110.127756
BWP 15.609305
BYN 3.381248
BYR 23463.797441
BZD 2.40732
CAD 1.614512
CDF 2702.527156
CHF 0.914657
CLF 0.026043
CLP 1028.337353
CNY 8.318156
CNH 8.313415
COP 4373.125105
CRC 592.211831
CUC 1.197133
CUP 31.724012
CVE 110.884406
CZK 24.328187
DJF 212.75416
DKK 7.467485
DOP 75.419599
DZD 154.65435
EGP 56.059366
ERN 17.956988
ETB 186.200377
FJD 2.621956
FKP 0.868641
GBP 0.866784
GEL 3.226251
GGP 0.868641
GHS 13.114581
GIP 0.868641
GMD 88.00166
GNF 10476.106643
GTQ 9.184243
GYD 250.420144
HKD 9.344996
HNL 31.588305
HRK 7.535923
HTG 156.894557
HUF 380.549872
IDR 20097.400931
ILS 3.704161
IMP 0.868641
INR 109.934056
IQD 1568.04388
IRR 50429.2077
ISK 144.996855
JEP 0.868641
JMD 187.812603
JOD 0.848796
JPY 183.318702
KES 154.514154
KGS 104.688869
KHR 4816.661042
KMF 493.218172
KPW 1077.499653
KRW 1713.586906
KWD 0.366789
KYD 0.997473
KZT 601.288873
LAK 25747.338611
LBP 102474.544325
LKR 370.335275
LRD 221.435728
LSL 18.885656
LTL 3.534821
LVL 0.724134
LYD 7.519117
MAD 10.83945
MDL 20.132798
MGA 5357.167785
MKD 61.629467
MMK 2514.472536
MNT 4270.0428
MOP 9.623167
MRU 47.746641
MUR 54.05048
MVR 18.507873
MWK 2075.496582
MXN 20.615098
MYR 4.704817
MZN 76.329328
NAD 18.885656
NGN 1661.703631
NIO 44.052706
NOK 11.415096
NPR 176.204811
NZD 1.969152
OMR 0.460301
PAB 1.196947
PEN 4.002915
PGK 5.201766
PHP 70.529025
PKR 334.819598
PLN 4.205952
PYG 8032.0796
QAR 4.363392
RON 5.097505
RSD 117.394378
RUB 90.079313
RWF 1746.378689
SAR 4.490097
SBD 9.670049
SCR 16.594223
SDG 720.018515
SEK 10.539112
SGD 1.512703
SHP 0.898159
SLE 29.091786
SLL 25103.269553
SOS 682.882058
SRD 45.495226
STD 24778.226215
STN 24.546083
SVC 10.473663
SYP 13239.776792
SZL 18.879445
THB 37.386326
TJS 11.179589
TMT 4.189964
TND 3.427835
TOP 2.882408
TRY 52.027807
TTD 8.124253
TWD 37.561827
TZS 3070.644609
UAH 51.226874
UGX 4257.99405
USD 1.197133
UYU 45.295038
UZS 14565.345295
VES 429.143458
VND 31125.445585
VUV 143.139968
WST 3.252382
XAF 657.190824
XAG 0.010137
XAU 0.00022
XCD 3.23531
XCG 2.15725
XDR 0.816474
XOF 657.190824
XPF 119.331742
YER 285.394994
ZAR 18.826046
ZMK 10775.631872
ZMW 23.669438
ZWL 385.476184
Rio conta seus mortos após a operação policial mais letal da história do Brasil
Rio conta seus mortos após a operação policial mais letal da história do Brasil / foto: Pablo Porciúncula - AFP

Rio conta seus mortos após a operação policial mais letal da história do Brasil

Em meio a soluços e ao cheiro de cadáveres, moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, enfileiraram dezenas de corpos em uma praça nesta quarta-feira (29), um dia após a operação policial que já é a mais letal do Brasil, com o último balanço oficial de 119 mortos.

Tamanho do texto:

Um jornalista da AFP viu um corpo decapitado, outro com a cabeça esmagada, enquanto alguns moradores denunciaram "execuções".

A letal 'Operação Contenção', deflagrada uma semana antes do início da COP30, a conferência climática da ONU, em Belém do Pará, tinha como objetivo enfraquecer o Comando Vermelho, principal facção criminosa que atua nas favelas do Rio.

Após reportar cerca de 60 mortos na véspera, autoridades do estado anunciaram, nesta quarta-feira, um último dado atualizado de 119 falecidos, dos quais 115 suspeitos e quatro policiais.

A Defensoria Pública do estado do Rio contabilizou em 132 o total de mortos, em e-mail enviado à AFP.

Na terça-feira, foram registradas cenas de guerra na cidade: houve tiroteios, incêndios e confrontos entre as forças de segurança e supostos criminosos, que usaram ônibus como barricadas para bloquear ruas e drones para lançar "bombas" nos policiais, segundo as autoridades.

- "Um sucesso" -

O governador Cláudio Castro (PL) disse à imprensa que a operação foi um "sucesso" e afirmou que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos na ação.

As autoridades do Rio defendem a linha-dura no combate ao "narcoterrorismo", enquanto organizações internacionais, como as Nações Unidas, criticaram a atuação policial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse "horrorizado" com o número de mortos na operação, segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que disse em Brasília não ter tido conhecimento prévio da operação.

Os corpos encontrados pelos moradores foram enfileirados em uma das principais vias do Complexo da Penha, uma das áreas alvo da operação.

"O Estado veio fazer uma chacina, não foi uma operação. Vieram direto pra matar, só vieram para tirar vida, tem muitas mortes", disse à AFP uma mulher que não se identificou, enquanto colocava a mão sobre o rosto de um jovem morto.

Tem "pessoas executadas, muitas delas com tiro na nuca, com tiro nas costas, isso jamais pode ser considerado segurança pública", disse o ativista Raull Santiago, de 36 anos, morador do Complexo do Alemão, região que também foi alvo da operação.

"Isso aqui foi um crime. [São] Evidentes ali as execuções, marca de queimadura, pessoas amarradas. Tem pessoas ali que foram rendidas e assassinadas friamente", disse à AFP o advogado Albino Pereira Neto, que representa três famílias que perderam parentes.

Após serem recuperados, os corpos foram colocados em bolsas e levados ao Instituto Médico Legal (IML).

O governador negou que haja inocentes entre os mortos nesta operação, fruto de uma investigação que durou mais de um ano.

"O conflito não foi em área edificada, o conflito foi todo na mata. Não creio que tivesse alguém passeando na mata num dia de conflito e por isso a gente pode tranquilamente classificar" os mortos como criminosos, afirmou, em coletiva de imprensa, Castro, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Se tiver algum erro de classificação, ele com certeza é residual e irrisório", acrescentou o governador.

- Lula se reúne com ministros -

 

Uma delegação do governo federal tem previsto viajar ao Rio de Janeiro para uma "reunião de emergência" com Castro.

Organismos internacionais e organizações civis condenaram a operação.

A ONU se disse "horrorizada" e 30 entidades, incluindo a Anistia Internacional, denunciaram a ação que pôs a cidade "em estado de terror".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está "muito preocupado" com o balanço da operação no Rio e destacou que "o uso da força em operações policiais deve estar em conformidade com as leis e os padrões internacionais de direitos humanos", segundo seu porta-voz, Stephane Dujarric.

Até agora, a atuação mais letal contra o crime da história do Brasil tinha sido o massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 2 de outubro de 1992.

Naquele dia, 111 presos foram mortos em uma intervenção da Polícia Militar, que tentava controlar um motim no presídio.

A megaoperação de terça-feira levou caos ao Rio. Aulas foram suspensas, o transporte público entrou em colapso e milhares de moradores ficaram ilhados, sem conseguir voltar para casa.

O governador determinou, nesta quarta-feira, um reforço no patrulhamento em todo o estado, particularmente nas vias expressas, nos acessos à região metropolitana e no transporte público, segundo um comunicado de seu gabinete.

D.Naveed--DT