Dubai Telegraph - 'Seco demais': cafezais sofrem com o clima no Brasil e preço do grão dispara no mundo

EUR -
AED 4.216125
AFN 74.621719
ALL 91.702089
AMD 416.711307
ANG 2.055386
AOA 1052.739855
ARS 1733.529937
AUD 1.611486
AWG 2.069317
AZN 1.94802
BAM 1.955853
BBD 2.311953
BDT 140.963825
BGN 1.932634
BHD 0.43271
BIF 3453.378665
BMD 1.148026
BND 1.464633
BOB 11.679317
BRL 5.885123
BSD 1.147826
BTN 110.061986
BWP 15.566355
BYN 3.489479
BYR 22501.312563
BZD 2.308653
CAD 1.605302
CDF 2653.089103
CHF 0.946961
CLF 0.027903
CLP 1101.772158
CNY 7.700443
CNH 7.687671
COP 3638.014511
CRC 513.511697
CUC 1.148026
CUP 30.422693
CVE 110.267992
CZK 24.315711
DJF 204.404656
DKK 7.475481
DOP 67.991549
DZD 153.69284
EGP 59.843733
ERN 17.220392
ETB 187.497071
FJD 2.544489
FKP 0.853761
GBP 0.859166
GEL 2.990619
GGP 0.853761
GHS 13.212359
GIP 0.853761
GMD 84.368659
GNF 10073.9293
GTQ 8.758238
GYD 240.116515
HKD 9.006093
HNL 30.808702
HRK 7.535187
HTG 150.023417
HUF 362.498439
IDR 20371.724053
ILS 3.482979
IMP 0.853761
INR 109.926431
IQD 1503.734254
IRR 1578076.747429
ISK 139.405036
JEP 0.853761
JMD 181.144126
JOD 0.813942
JPY 180.034032
KES 148.841865
KGS 100.395388
KHR 4675.106495
KMF 491.355358
KPW 1033.223901
KRW 1589.413473
KWD 0.354165
KYD 0.956622
KZT 511.321648
LAK 25709.585645
LBP 102792.341533
LKR 380.718672
LRD 199.155404
LSL 18.699326
LTL 3.389823
LVL 0.694429
LYD 7.291166
MAD 10.933797
MDL 20.151459
MGA 4985.113557
MKD 61.526669
MMK 2410.470116
MNT 4129.27924
MOP 9.275911
MRU 45.984047
MUR 54.714996
MVR 17.737289
MWK 1990.445341
MXN 19.690933
MYR 4.683681
MZN 73.35324
NAD 18.699326
NGN 1528.126437
NIO 42.240962
NOK 10.811898
NPR 176.098011
NZD 2.00755
OMR 0.441414
PAB 1.147831
PEN 3.875205
PGK 5.107116
PHP 71.941631
PKR 318.162548
PLN 4.356506
PYG 6790.154675
QAR 4.184214
RON 5.261981
RSD 117.387978
RUB 97.016735
RWF 1693.738582
SAR 4.263076
SBD 9.184797
SCR 15.789434
SDG 690.527373
SEK 11.269088
SGD 1.464755
SHP 0.857536
SLE 28.287533
SLL 24073.525056
SOS 656.014944
SRD 43.333965
STD 23761.823474
STN 24.500558
SVC 10.044229
SYP 14926.63631
SZL 18.692426
THB 38.194523
TJS 10.589187
TMT 4.018092
TND 3.343624
TOP 2.764171
TRY 56.004889
TTD 7.793178
TWD 36.501605
TZS 3041.245294
UAH 51.294568
UGX 4511.122407
USD 1.148026
UYU 46.151252
UZS 13516.307891
VES 970.604392
VND 29853.272035
VUV 135.819625
WST 3.148936
XAF 655.957
XAG 0.017427
XAU 0.000264
XCD 3.102598
XCG 2.068747
XDR 0.811714
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 271.680336
ZAR 18.658806
ZMK 10333.615177
ZMW 22.527513
ZWL 369.663952
SSP 6495.73372
MXV 2.232544
'Seco demais': cafezais sofrem com o clima no Brasil e preço do grão dispara no mundo
'Seco demais': cafezais sofrem com o clima no Brasil e preço do grão dispara no mundo / foto: Nelson ALMEIDA - AFP

'Seco demais': cafezais sofrem com o clima no Brasil e preço do grão dispara no mundo

Em uma manhã de setembro de 2024, Moacir Donizetti Rossetto verificava os cafezais na propriedade de sua família no interior de São Paulo, quando sentiu cheiro de fumaça. Horas depois, o fogo atingiu suas terras.

Tamanho do texto:

"Foi desesperador: o fogo avançando, destruindo a nossa plantação, chegando a vinte metros da minha casa", relembra este pequeno produtor de 54 anos, um das centenas que sofreram o pior incêndio florestal registrado em Caconde, município paulista com a maior produção de café.

Moradores acreditam que o incêndio começou devido à queima descontrolada de lixo, embora a extensão dos danos tenha sido causada por uma situação climática: a seca.

Em Tóquio, Paris ou Nova York, tomar café vai ficar cada vez mais caro, e isso se explica por realidades como a de Caconde: o calor e a irregularidade das chuvas castigam as plantações de café do Brasil, o maior produtor e exportador mundial do grão.

A família de Donizetti Rossetto lutou durante quatro dias contra o fogo, que arrasou a densa paisagem de sua fazenda remota entre as montanhas da Mata Atlântica, bioma que cobre parte de São Paulo.

As chamas consumiram cinco hectares de cafezais, um terço da produção da família.

"Não só perdemos na colheita desse ano mas também no futuro, porque vai demorar três ou quatro anos até essa terra produzir novamente", lamenta o homem ao lado de seus pés de café, ainda queimados e escurecidos pela fuligem.

"De uns cinco anos para cá, está seco demais, às vezes não chove por meses", diz. "Temperatura também esquentou demais, não dá para aguentar. Quando vem a época da floração, o café não tem água e não resiste", explica.

Segundo estudos oficiais, o Brasil viveu em 2024 seu ano mais quente desde o primeiro registro, em 1961. Também sofreu um número recorde de incêndios florestais em 14 anos, a maioria deles de origem humana e agravados pela seca.

A ciência relaciona ambos os fenômenos, altas temperaturas e seca, ao aquecimento global.

- Sofre o Brasil, paga o mundo -

Com uma produção estimada de 55 milhões de sacas de café em 2024, mais de um terço da produção mundial, o Brasil dita o ritmo dos preços internacionais.

O valor de uma libra de Arábica, a variedade mais consumida, atingiu seu nível mais alto desde 1977 em dezembro. Foi cotado a 3,48 dólares na Bolsa de Valores de Nova York (23,22 reais na cotação atual), um aumento de 90% em menos de um ano.

"Eu trabalho com café há 35 anos e jamais vi uma situação tão difícil quanto a atual", afirma o cafeicultor Guy Carvalho, um dos mais renomados consultores brasileiros do setor.

"As temperaturas mais altas e as chuvas menos regulares obrigam a investir mais recursos para obter a mesma ou menor produção que no passado", explica. "Depois da última grande colheita, em 2020, sempre tivemos algum problema com o clima".

Carvalho diz que os altos preços são explicados em grande parte pela "frustração" diante de quatro safras decepcionantes no Brasil entre 2021 e 2024, e pela expectativa de que os resultados ruins se repitam em 2025.

A perspectiva de preços é ainda mais complicada por fatores geopolíticos, como possíveis restrições tarifárias após a posse de Donald Trump nos Estados Unidos e regulamentações europeias sobre desmatamento.

- Em busca de um café sustentável -

Frente ao clima adverso, alguns cafeicultores brasileiros estão testando estratégias alternativas como solução.

Em Divinolândia, outro pequeno município cafeeiro de São Paulo a 25 quilômetros de Caconde, o produtor Sérgio Lange usa uma técnica milenar para combater o calor: plantar seus pés de café à sombra das árvores.

"Quando eu nasci, Divinolândia era frio, água congelava no inverno", diz Lange, 67 anos. "Isso hoje não tem mais. Com essas temperaturas, o modelo atual de produção tem os dias contados".

O café cultivado em árvores, que reproduz o habitat da planta em suas origens africanas, não só sofre menos com o calor como também amadurece mais lentamente, o que resulta em um grão maior e mais doce e, portanto, mais valorizado no mercado.

Junto com outros cinquenta colegas, Lange aplica um modelo de "cafeicultura regenerativa" desde 2022: coexistência com outras espécies, sem agrotóxicos e com água de manancial.

"No começo a produtividade vai cair, mas a expectativa é um resultado fantástico em quatro ou cinco anos", diz, exibindo com orgulho seus robustos cafeeiros no terreno montanhoso.

"Sustentabilidade é deixar essa terra para meus filhos melhor do que a encontrei", conclui.

I.Viswanathan--DT