Dubai Telegraph - Fentanil, a armadilha mortal que se espalha pela fronteira México-EUA

EUR -
AED 4.238811
AFN 75.022966
ALL 91.672628
AMD 419.537692
ANG 2.066447
AOA 1059.55903
ARS 1739.351817
AUD 1.619413
AWG 2.07901
AZN 1.957383
BAM 1.956934
BBD 2.324627
BDT 142.102356
BGN 1.943034
BHD 0.435048
BIF 3450.970122
BMD 1.154204
BND 1.468738
BOB 13.33061
BRL 5.938261
BSD 1.154159
BTN 110.753228
BWP 15.620918
BYN 3.504601
BYR 22622.396885
BZD 2.321225
CAD 1.607968
CDF 2669.093803
CHF 0.945126
CLF 0.027889
CLP 1101.203245
CNY 7.746382
CNH 7.746544
COP 3605.53684
CRC 516.494861
CUC 1.154204
CUP 30.586404
CVE 110.327507
CZK 24.306268
DJF 205.527333
DKK 7.475508
DOP 67.868746
DZD 154.356205
EGP 59.774608
ERN 17.313059
ETB 185.827115
FJD 2.567526
FKP 0.855416
GBP 0.856252
GEL 2.989216
GGP 0.855416
GHS 13.25551
GIP 0.855416
GMD 84.83445
GNF 10148.793838
GTQ 8.81103
GYD 241.467851
HKD 9.05417
HNL 31.071061
HRK 7.534598
HTG 150.846116
HUF 365.292269
IDR 20419.021596
ILS 3.512185
IMP 0.855416
INR 110.699119
IQD 1512.584241
IRR 1586568.712443
ISK 139.820478
JEP 0.855416
JMD 181.782203
JOD 0.818363
JPY 179.229979
KES 149.422829
KGS 100.934904
KHR 4675.66929
KMF 492.845335
KPW 1038.783897
KRW 1577.940296
KWD 0.356256
KYD 0.961849
KZT 516.204696
LAK 25829.745926
LBP 103354.904211
LKR 380.75737
LRD 201.515043
LSL 18.778905
LTL 3.408064
LVL 0.698166
LYD 7.317715
MAD 10.91233
MDL 20.065455
MGA 5049.641947
MKD 61.561745
MMK 2423.199621
MNT 4154.59545
MOP 9.325424
MRU 46.225673
MUR 54.039998
MVR 17.77448
MWK 2004.271858
MXN 19.783361
MYR 4.668291
MZN 73.765567
NAD 18.769115
NGN 1529.554162
NIO 42.25512
NOK 10.78124
NPR 177.205165
NZD 2.008309
OMR 0.443795
PAB 1.154159
PEN 3.872336
PGK 5.127547
PHP 72.433244
PKR 319.961663
PLN 4.342075
PYG 6869.921965
QAR 4.203553
RON 5.260055
RSD 117.373314
RUB 97.18192
RWF 1695.453227
SAR 4.331814
SBD 9.256137
SCR 16.02754
SDG 694.306762
SEK 11.28161
SGD 1.469515
SHP 0.856679
SLE 28.439506
SLL 24203.069786
SOS 659.570827
SRD 43.570862
STD 23889.690871
STN 24.873095
SVC 10.098765
SYP 15006.959696
SZL 18.744258
THB 38.370374
TJS 10.647078
TMT 4.051256
TND 3.363062
TOP 2.779046
TRY 56.159985
TTD 7.832471
TWD 36.768321
TZS 3053.59421
UAH 51.524515
UGX 4535.56966
USD 1.154204
UYU 46.416499
UZS 13578.869679
VES 970.897898
VND 29987.372116
VUV 136.297398
WST 3.152705
XAF 655.957
XAG 0.017855
XAU 0.000267
XCD 3.119294
XCG 2.080124
XDR 0.816082
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 273.035606
ZAR 18.741265
ZMK 10389.219903
ZMW 22.534865
ZWL 371.653192
SSP 6516.900596
MXV 2.243306
Fentanil, a armadilha mortal que se espalha pela fronteira México-EUA
Fentanil, a armadilha mortal que se espalha pela fronteira México-EUA / foto: Guillermo Arias - AFP

Fentanil, a armadilha mortal que se espalha pela fronteira México-EUA

Elena prepara sua segunda dose diária de heroína. Ela se injeta há 20 anos. Desde a overdose que quase a matou no ano passado, ela tem medo, porque a droga em Mexicali agora está misturada com fentanil, sem que os usuários saibam.

Tamanho do texto:

A amostra "é positiva para fentanil", confirmaram para ela, após um teste em La Sala, onde os usuários desta cidade mexicana, na fronteira com os Estados Unidos, podem consumir de maneira segura a droga que compram na rua e evitar crises. O teste revela em minutos se a substância está contaminada com esse opioide sintético que se apresenta como uma ameaça global.

Desde 2019, "não há um único teste de heroína que não dê positivo para fentanil", diz Said Slim, coordenador da Verter, a ONG que criou La Sala em 2018 para proteger consumidores de Mexicali em situação vulnerável.

Os registros de 2022 da organização indicam que as overdoses dobraram em um ano. E, ainda pior, afirmam as autoridades, há mortes diárias em Mexicali, cidade de um milhão de habitantes.

- Overdose -

Com um sorriso no rosto dilacerado pela dependência, Elena explica que sua crise ocorreu apesar de ela ter-se injetado com sua dose habitual de heroína.

"Eles colocaram aquele frasco em mim para me trazer de volta porque estava muito forte". Ela se refere à naloxona, um medicamento capaz de reverter a intoxicação por opioides e restrita no México.

Elena, que trabalha como faxineira, reduz sua dose pela metade e quase sempre se injeta em La Sala, uma iniciativa pioneira na América Latina, onde, assim como na Europa, soam os alarmes para as misturas letais e mais viciantes de fentanil.

Elena, 50 anos, injeta-se no lado direito.

"Fiz intramuscular", comenta, explicando que, por via intravenosa, o efeito "é bom, mas acaba mais rápido".

A ONG fornece aos usuários kits de consumo que previnem infecções por hepatite, ou HIV, e monitora sua saúde.

Pessoas em situação de rua, ou profissionais do sexo, chegam ao local, onde são cumprimentadas pelo nome, recebem conselhos de saúde e orientações sobre abusos de autoridade.

“Eles ainda me fazem sentir que sou um ser humano”, diz Ricardo, cansado, mas sereno. Ele consome heroína há 26 anos e também quase morreu por fentanil.

“Quando surgiu a mudança da heroína — digamos, original — para (a mistura com) fentanil, sofri uma overdose da qual, pela graça de Deus, estou aqui”, lembra.

A adaptação foi "muito difícil" para Ricardo, de 59 anos, que baixou a dose para meio grama por dia. O fentanil “anestesia você e te deixa praticamente dormindo”, descreve o homem, que vende doces na rua.

"As pessoas não são burras (...) percebem quando alguém está sob a influência", acrescentou.

Mexicali sofre o golpe da crise dos opioides sintéticos nos Estados Unidos, onde mais de 70.000 pessoas morreram desde agosto intoxicadas por essas substâncias, principalmente o fentanil.

Washington aponta os cartéis mexicanos como preponderantes na produção e no tráfico de opioides, e o tema domina a agenda binacional.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, nega, contudo, que seja produzido no México e garante que é importado da China. Na sequência, os cartéis fabricam pílulas fáceis de traficar por seu tamanho.

Os criminosos também costumam misturar fentanil com metanfetamina e cocaína.

- Antídoto -

O vice-diretor de Polícia e Trânsito de Mexicali, Carlos Romero, conta que, diariamente, esta unidade atende entre três e seis mortes de indivíduos suspeitos de serem adictos, que, em geral, ignoravam a mistura.

“Muitas são overdoses (...), a presença do fentanil tem crescido muito na cidade”, observa.

Algumas ocorrem na rua, outras em “picadeiros”, como são conhecidos os locais de consumo clandestino. Também acontecem nas residências, acrescenta Romero, descartando que o problema seja exclusivo dos setores marginais.

Julio Buenrostro, coordenador da Cruz Vermelha, afirma que as overdoses representam até 25% das emergências atendidas. Com a naloxona, porém, "conseguimos salvar um monte de vidas".

Sem acesso regular ao medicamento, paramédicos, bombeiros e até policiais recorrem a Verter, que consegue doações procedentes dos Estados Unidos.

“Se não tivéssemos naloxona, um paciente demoraria mais para sair” da crise, explica Gloria Puente, técnica de emergência da Cruz Vermelha, que pede apoio ao governo.

López Obrador critica que os Estados Unidos autorizem sua venda livre para frear a mortalidade, argumentando que a medida não vai "ao fundo do problema", e analisa a proibição do fentanil como analgésico.

Ricardo adverte sobre esse perigo. “Vivi na pele", diz este homem que percorre as ruas apoiado em um andador, no qual carrega seus pertences, seguido por seus dois cães.

Z.W.Varughese--DT