Dubai Telegraph - Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas

EUR -
AED 4.229626
AFN 72.557604
ALL 96.200283
AMD 434.304194
ANG 2.061644
AOA 1056.111273
ARS 1608.366971
AUD 1.624462
AWG 2.075944
AZN 1.961012
BAM 1.959872
BBD 2.316914
BDT 141.153259
BGN 1.968616
BHD 0.434975
BIF 3415.570318
BMD 1.151703
BND 1.471489
BOB 7.977574
BRL 6.023521
BSD 1.150395
BTN 106.10737
BWP 15.685657
BYN 3.42682
BYR 22573.37436
BZD 2.313607
CAD 1.577706
CDF 2608.606438
CHF 0.906401
CLF 0.026516
CLP 1047.036065
CNY 8.011532
CNH 7.927786
COP 4266.390788
CRC 540.339027
CUC 1.151703
CUP 30.520123
CVE 110.495044
CZK 24.447537
DJF 204.846478
DKK 7.472351
DOP 70.218019
DZD 152.293142
EGP 60.314344
ERN 17.275542
ETB 181.205966
FJD 2.548085
FKP 0.865883
GBP 0.864249
GEL 3.132339
GGP 0.865883
GHS 12.521068
GIP 0.865883
GMD 84.64982
GNF 10085.259587
GTQ 8.817357
GYD 240.800286
HKD 9.024915
HNL 30.45433
HRK 7.536975
HTG 150.776526
HUF 390.904627
IDR 19546.066035
ILS 3.578709
IMP 0.865883
INR 106.404091
IQD 1506.930794
IRR 1521456.949262
ISK 143.444364
JEP 0.865883
JMD 180.956741
JOD 0.816554
JPY 183.182895
KES 149.25565
KGS 100.716474
KHR 4612.683422
KMF 494.080561
KPW 1036.583062
KRW 1717.137006
KWD 0.353285
KYD 0.958592
KZT 555.504113
LAK 24686.288142
LBP 103012.919266
LKR 358.214225
LRD 210.506434
LSL 19.352807
LTL 3.400679
LVL 0.696653
LYD 7.373351
MAD 10.807353
MDL 20.015584
MGA 4788.970338
MKD 61.646389
MMK 2418.752297
MNT 4116.758787
MOP 9.277475
MRU 45.865285
MUR 53.692156
MVR 17.805285
MWK 1994.352117
MXN 20.347536
MYR 4.512364
MZN 73.59289
NAD 19.352807
NGN 1574.711229
NIO 42.33015
NOK 11.076035
NPR 169.776624
NZD 1.970322
OMR 0.442828
PAB 1.15039
PEN 3.97095
PGK 4.960413
PHP 68.687266
PKR 321.348828
PLN 4.260298
PYG 7466.7073
QAR 4.204854
RON 5.092139
RSD 117.408061
RUB 94.300137
RWF 1678.895356
SAR 4.324546
SBD 9.273119
SCR 15.398642
SDG 692.173095
SEK 10.712771
SGD 1.471444
SHP 0.864075
SLE 28.332368
SLL 24150.643776
SOS 656.266306
SRD 43.271205
STD 23837.922132
STN 24.551755
SVC 10.065913
SYP 127.696075
SZL 19.338261
THB 37.263379
TJS 11.043195
TMT 4.036718
TND 3.397774
TOP 2.773023
TRY 50.912745
TTD 7.801208
TWD 36.762926
TZS 3005.944222
UAH 50.714084
UGX 4343.023049
USD 1.151703
UYU 46.76696
UZS 13908.897074
VES 513.943044
VND 30289.782943
VUV 137.728848
WST 3.172031
XAF 657.325511
XAG 0.014343
XAU 0.00023
XCD 3.112535
XCG 2.073207
XDR 0.817502
XOF 657.325511
XPF 119.331742
YER 274.684228
ZAR 19.245057
ZMK 10366.706959
ZMW 22.402543
ZWL 370.847823
Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas
Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas / foto: Nicolas TUCAT - AFP

Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas

Em uma pequena sala refrigerada, em uma universidade de Bruxelas, cientistas equipados com pesados casacos cortam núcleos de gelo antártico com dezenas de milhares de anos de antiguidade, em busca de pistas sobre o clima do nosso planeta.

Tamanho do texto:

Presas dentro dos tubos de gelo estão pequenas bolhas de ar, capazes de fornecer uma amostra de como era a atmosfera do planeta nessa época remota.

"Queremos saber mais sobre os climas do passado, porque podemos usá-lo como uma analogia do que pode acontecer no futuro", explica Harry Zekollari, glaciólogo da Vrije Universiteit Brussel (VUB).

Zekollari faz parte de uma equipe de quatro pessoas que viajou para a Antártida em novembro, para encontrar alguns dos gelos mais antigos do mundo.

Na Antártida, é possível encontrar gelo com milhões de anos, a quilômetros de profundidade.

Mas é muito difícil alcançar essas camadas, e as expedições para perfurar o gelo são custosas.

Uma missão recente, financiada pela UE e que trouxe amostras com 1,2 milhão de anos de antiguidade, teve um custo total de cerca de 11 milhões de euros (72 milhões de reais).

Para reduzir custos, a equipe da VUB e da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) utilizou dados de satélite e outras pistas, a fim de localizar as áreas onde o gelo antigo poderia ser mais acessível.

- Gelo azul -

Assim como a água de que é feito, o gelo flui em direção à costa, embora mais lentamente, explica Maaike Izeboud, especialista em detecção remota na VUB.

Quando o fluxo atinge um obstáculo, como uma montanha, as camadas inferiores podem ser empurradas para cima, mais próximas à superfície.

Em alguns lugares extremamente incomuns, as condições climáticas, como ventos fortes, evitam a formação de uma camada de neve, deixando expostas camadas espessas de gelo.

Chamado assim por sua coloração, que contrasta com a brancura do resto do continente, o gelo azul representa apenas cerca de 1% do território da Antártida.

“As áreas de gelo azul são muito especiais”, ressalta Izeboud.

Sua equipe concentrou-se em um trecho de gelo azul a 2.300 metros acima do nível do mar, a cerca de 60 quilômetros da estação belga de pesquisa antártica Princesa Elisabeth.

Alguns meteoritos antigos haviam sido encontrados anteriormente ali, um indício de que o gelo circundante também é muito antigo, explicaram os pesquisadores.

Assim, foi estabelecido um acampamento de contêineres e, após algumas semanas de medições e perfurações, em janeiro a equipe retornou com 15 núcleos de gelo de um total de cerca de 60 metros de comprimento.

Posteriormente, foram enviados da África do Sul para a Bélgica, onde chegaram no final de junho.

Dentro de um robusto edifício de cimento na capital belga, esses cilindros de gelo agora estão sendo cortados em pedaços menores para então serem enviados a laboratórios especializados na França e na China, para datação.

Zekollari espera que se confirme que algumas das amostras, retiradas a pouca profundidade - cerca de 10 metros -, tenham em torno de 100.000 anos de antiguidade.

- "Caça ao tesouro" climática -

Isso lhes permitiria voltar e cavar algumas centenas de metros mais fundo no mesmo lugar.

"É como uma caça ao tesouro", diz Zekollari, de 36 anos, que se parece um pouco com um Indiana Jones da pesquisa climática.

"Estamos tentando marcar o local certo no mapa (...) e em um ano e meio, voltaremos e perfuraremos nesse ponto", disse. "Estamos sonhando um pouco, mas esperamos obter gelo de três, quatro, cinco milhões de anos" de antiguidade.

O gelo dessa antiguidade poderia fornecer informações valiosas para os climatologistas que estudam os efeitos do aquecimento global.

As projeções e modelos climáticos são calibrados usando dados existentes sobre temperaturas passadas e gases de efeito estufa na atmosfera, mas ainda faltam algumas peças no quebra-cabeça.

Até o final do século, as temperaturas poderiam atingir níveis semelhantes aos que o planeta experimentou pela última vez entre 2,6 e 3,3 milhões de anos atrás, afirma Etienne Legrain, paleoclimatologista de 29 anos da ULB.

Mas atualmente há poucos dados sobre os níveis de CO2 naquela época, um dado crucial para entender quanto mais aquecimento podemos esperar.

"Não conhecemos a relação entre a concentração de CO2 e a temperatura em um clima mais quente que o atual", destaca Legrain.

Sua equipe espera encontrá-la presa dentro do gelo antigo. "As bolhas de ar são a atmosfera do passado", diz. "É realmente como se fosse magia".

V.Munir--DT