Dubai Telegraph - Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre

EUR -
AED 4.306153
AFN 75.0429
ALL 95.503739
AMD 434.75432
ANG 2.098709
AOA 1076.390828
ARS 1633.24778
AUD 1.628526
AWG 2.110569
AZN 1.997971
BAM 1.957785
BBD 2.362126
BDT 143.899979
BGN 1.955914
BHD 0.44281
BIF 3489.474751
BMD 1.172539
BND 1.496038
BOB 8.103802
BRL 5.808644
BSD 1.172804
BTN 111.252582
BWP 15.938311
BYN 3.309523
BYR 22981.755751
BZD 2.358712
CAD 1.59436
CDF 2720.28988
CHF 0.91605
CLF 0.026783
CLP 1054.112588
CNY 8.006387
CNH 8.009617
COP 4288.442525
CRC 533.195048
CUC 1.172539
CUP 31.072272
CVE 110.746729
CZK 24.373212
DJF 208.384014
DKK 7.475055
DOP 69.770598
DZD 155.365983
EGP 62.894658
ERN 17.588078
ETB 184.088973
FJD 2.570327
FKP 0.863714
GBP 0.862002
GEL 3.142861
GGP 0.863714
GHS 13.136953
GIP 0.863714
GMD 85.595732
GNF 10289.026269
GTQ 8.959961
GYD 245.356495
HKD 9.186899
HNL 31.213432
HRK 7.537125
HTG 153.631453
HUF 363.42071
IDR 20325.193765
ILS 3.451755
IMP 0.863714
INR 111.286226
IQD 1536.025512
IRR 1540715.666567
ISK 143.847483
JEP 0.863714
JMD 183.766277
JOD 0.831376
JPY 184.174195
KES 151.433806
KGS 102.503912
KHR 4704.815418
KMF 492.466605
KPW 1055.284674
KRW 1725.179882
KWD 0.36031
KYD 0.977362
KZT 543.223189
LAK 25772.39793
LBP 105000.828342
LKR 374.82671
LRD 215.600573
LSL 19.53494
LTL 3.462202
LVL 0.709257
LYD 7.446066
MAD 10.847448
MDL 20.206948
MGA 4866.035425
MKD 61.633886
MMK 2461.733132
MNT 4195.16771
MOP 9.463379
MRU 46.86681
MUR 55.144932
MVR 18.121629
MWK 2041.980281
MXN 20.469245
MYR 4.655421
MZN 74.929587
NAD 19.534934
NGN 1613.390048
NIO 43.044332
NOK 10.900392
NPR 177.995572
NZD 1.986849
OMR 0.451129
PAB 1.172774
PEN 4.112684
PGK 5.087352
PHP 71.847345
PKR 326.874482
PLN 4.245704
PYG 7213.019006
QAR 4.272149
RON 5.203848
RSD 117.378833
RUB 87.908248
RWF 1713.665104
SAR 4.396996
SBD 9.429684
SCR 16.118093
SDG 704.113715
SEK 10.803423
SGD 1.492177
SHP 0.875418
SLE 28.848748
SLL 24587.542811
SOS 669.519913
SRD 43.920994
STD 24269.180819
STN 24.869543
SVC 10.262409
SYP 129.594802
SZL 19.534925
THB 38.122791
TJS 11.000548
TMT 4.109748
TND 3.378963
TOP 2.823192
TRY 52.931326
TTD 7.960816
TWD 37.086813
TZS 3054.463338
UAH 51.532291
UGX 4409.902668
USD 1.172539
UYU 46.771998
UZS 14011.836168
VES 573.304233
VND 30903.426254
VUV 137.95079
WST 3.183664
XAF 656.670246
XAG 0.01556
XAU 0.000254
XCD 3.168845
XCG 2.113677
XDR 0.815653
XOF 656.621982
XPF 119.331742
YER 279.771908
ZAR 19.540971
ZMK 10554.258277
ZMW 21.901789
ZWL 377.556938
Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre
Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre / foto: Nelson ALMEIDA - AFP

Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre

Durante anos, Carlos Nobre manteve um discurso otimista sobre o futuro do planeta. Mas o renomado cientista agora se diz muito preocupado com o "rápido" aumento da temperatura, observado recentemente em meio a secas e incêndios que impactam especialmente a América do Sul.

Tamanho do texto:

A mudança de posição, afirma, deve-se ao fato de no início de 2024 o mundo ter ultrapassado o limiar de aquecimento de 1,5 grau em relação à era pré-industrial, segundo dados da agência climática da UE, Copernicus. Os especialistas antes previam que esta temperatura, por si só "muito grave", seria registrada pela primeira vez em 2028, afirma o climatologista.

"Bateu todos os recordes. Nós precisamos ir 120 mil anos atrás para ter essa temperatura, no último período interglacial. Isso traz uma preocupação muito grande para a Ciência", disse à AFP um dos maiores estudiosos do clima na Amazônia em seu escritório em São José dos Campos, perto de São Paulo.

Confira a seguir trechos da entrevista com Nobre, de 73 anos, copresidente do Painel Científico pela Amazônia (SPA) e ex-membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - grupo de especialistas em clima da ONU.

Pergunta: O que explica o aumento da temperatura?

Resposta: "Milhares de cientistas estão tentando explicar por que subiu tão rápido. Os oceanos todos bateram recordes (...) As águas ficaram bem mais quentes (...) Só o fenômeno El Niño não explica".

"E infelizmente (...) a emissão dos gases de efeito estufa não diminui. Ela continua alta em 2023, bateu recorde, continua alta em 2024, provavelmente vai ser até mais do que em 2023".

"O Acordo de Paris e a COP26 em Glasgow em 2021, diziam que a gente tinha que reduzir as emissões em 43% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050 para não passar de 1,5 grau. Se já atingimos 1,5 grau, nos próximos anos esse desafio vai ser muito maior".

- Aumento dos fenômenos climáticos extremos -

P: De que forma nossa vida será afetada?

R: "A Ciência já dizia que quando atingíssemos 1,5 grau, os fenômenos climáticos já aumentariam exponencialmente; não é um aumento linear, assim, devagarzinho".

"As ondas de calor, as chuvas intensas, as secas, os incêndios florestais, o derretimento do gelo, as tempestades nos oceanos, o nível do mar... Tudo isso aumentaria mais rápido, exatamente o que aconteceu em 2023. Em 2024, a gente já está vendo a frequência desses eventos extremos acontecendo mais rápido e batendo recordes".

P: Atualmente, a América do Sul, em especial o Brasil, parece ser a região mais afetada, com uma seca extrema ligada às mudanças climáticas, que favorece a propagação de incêndios.

R: "O tema é global (...) A grande diferença é que no Canadá e em outros locais quase todos os incêndios foram naturais, quer dizer, descargas elétricas causam o início do incêndio porque a vegetação está super seca".

"Aqui no Brasil e nos países amazônicos, mais de 95% dos incêndios foram humanos, aí há uma diferença muito grande (...) O crime organizado nos países amazônicos, no Brasil principalmente, está botando fogo. É a maneira deles de desmatar (ndr: especialmente para abrir espaço para a pecuária), depois que no ano passado e neste ano conseguimos reduzir bastante os desmatamentos".

"Os criminosos perceberam que o sistema de satélites só detecta o fogo quando a área do incêndio já atingiu 30, 40 metros quadrados. Da hora que o criminoso botou fogo até atingir 30, 40 metros, mesmo com a vegetação super inflamável por causa da seca, leva uma hora e meia ou duas horas [para o incêndio ser detectado]. Então o criminoso já saiu dali, não se consegue prender".

- Pontos de inflexão -

P: O senhor tem advertido que a Amazônia está perto do ponto de não retorno rumo à savanização. Os incêndios aceleram a chegada a este ponto?

R: "Sem dúvida (...) Se continuar o aquecimento global e também a gente não parar totalmente o desmatamento, a degradação e os incêndios, até 2050 a gente terá passado do ponto de não retorno.

Aí, entre 30 e 50 anos, a gente vai perder no mínimo 50% da floresta, podemos perder até 70% da floresta. Isso vai acabar com a maior biodiversidade do planeta e também vai jogar na atmosfera 250, 300 bilhões de toneladas de gás carbônico, tornando muito mais difícil manter a temperatura em 1,5 grau, para não dizer praticamente impossível".

P: O senhor tem esperanças de que a situação melhore?

R: "Nós temos que melhorar, não há outra solução. Se nós chegarmos em 2050 com 2,5 graus, nós podemos disparar os 'tipping points' [pontos de inflexão]: a gente vai perder a Amazônia, vai descongelar grande parte do chamado permafrost [solo permanentemente congelado], que tem uma enorme quantidade de gás carbônico e metano congelada há dezenas de milhões de anos.

Se a gente passar de 2 graus, vamos jogar centenas de bilhões de toneladas desses gases [na atmosfera]. Se isso acontecer, o planeta vai chegar 3 a 4 graus no final do século. Com 4 graus, toda a região equatorial ficará inabitável, passando dos limites para o corpo humano. Paris no verão vai ficar inabitável (...) Nós vamos criar a sexta extinção de espécies".

C.Akbar--DT