Dubai Telegraph - A luta dos 'guerreiros da floresta' em defesa do Vale do Javari, na Amazônia

EUR -
AED 4.322001
AFN 74.727613
ALL 95.854467
AMD 436.354081
ANG 2.106436
AOA 1080.353602
ARS 1633.925287
AUD 1.63109
AWG 2.11834
AZN 1.998266
BAM 1.964993
BBD 2.370823
BDT 144.429813
BGN 1.963116
BHD 0.44441
BIF 3501.146003
BMD 1.176856
BND 1.501546
BOB 8.13364
BRL 5.832854
BSD 1.177122
BTN 111.662209
BWP 15.996996
BYN 3.321708
BYR 23066.373667
BZD 2.367397
CAD 1.597223
CDF 2730.305896
CHF 0.917009
CLF 0.026941
CLP 1060.31161
CNY 8.035748
CNH 8.034206
COP 4303.326222
CRC 535.158251
CUC 1.176856
CUP 31.186679
CVE 111.209953
CZK 24.380927
DJF 209.150551
DKK 7.474476
DOP 69.904583
DZD 155.80518
EGP 62.920473
ERN 17.652837
ETB 184.766826
FJD 2.579781
FKP 0.866615
GBP 0.8639
GEL 3.15986
GGP 0.866615
GHS 13.174934
GIP 0.866615
GMD 86.500204
GNF 10329.856397
GTQ 8.992951
GYD 246.259888
HKD 9.221201
HNL 31.328052
HRK 7.534466
HTG 154.197118
HUF 362.0091
IDR 20366.666463
ILS 3.464463
IMP 0.866615
INR 111.579288
IQD 1541.681097
IRR 1547565.3762
ISK 143.846642
JEP 0.866615
JMD 184.442897
JOD 0.834335
JPY 184.408602
KES 152.026369
KGS 102.881321
KHR 4722.138141
KMF 494.279038
KPW 1059.171206
KRW 1727.04776
KWD 0.361636
KYD 0.98096
KZT 545.223315
LAK 25864.353505
LBP 105387.43694
LKR 376.206807
LRD 216.36481
LSL 19.606733
LTL 3.474949
LVL 0.711868
LYD 7.478885
MAD 10.867053
MDL 20.281349
MGA 4889.835397
MKD 61.804693
MMK 2471.395963
MNT 4213.5789
MOP 9.498222
MRU 47.062619
MUR 55.347863
MVR 18.188279
MWK 2049.48462
MXN 20.486682
MYR 4.672689
MZN 75.207001
NAD 19.606749
NGN 1617.964849
NIO 43.214488
NOK 10.880844
NPR 178.650944
NZD 1.989798
OMR 0.452379
PAB 1.177092
PEN 4.128058
PGK 5.107097
PHP 72.090067
PKR 328.048797
PLN 4.245754
PYG 7239.577057
QAR 4.288168
RON 5.204295
RSD 117.704128
RUB 87.9477
RWF 1720.563179
SAR 4.41348
SBD 9.472022
SCR 16.163657
SDG 706.704031
SEK 10.802518
SGD 1.496596
SHP 0.878642
SLE 28.98009
SLL 24678.073172
SOS 672.577132
SRD 44.082702
STD 24358.538984
STN 24.949343
SVC 10.300195
SYP 130.075989
SZL 19.606636
THB 38.113666
TJS 11.041052
TMT 4.12488
TND 3.39174
TOP 2.833587
TRY 53.158346
TTD 7.990128
TWD 37.183349
TZS 3065.709163
UAH 51.72203
UGX 4426.139755
USD 1.176856
UYU 46.944211
UZS 14048.724067
VES 575.029866
VND 31017.211447
VUV 139.817906
WST 3.219867
XAF 659.08808
XAG 0.01562
XAU 0.000255
XCD 3.180511
XCG 2.121459
XDR 0.817913
XOF 659.626121
XPF 119.331742
YER 280.856328
ZAR 19.509878
ZMK 10593.116886
ZMW 21.98243
ZWL 378.947087
A luta dos 'guerreiros da floresta' em defesa do Vale do Javari, na Amazônia
A luta dos 'guerreiros da floresta' em defesa do Vale do Javari, na Amazônia / foto: Siegfried - AFP

A luta dos 'guerreiros da floresta' em defesa do Vale do Javari, na Amazônia

"As invasões continuam, nada mudou"... Na opinião de todos na terra indígena do Vale do Javari, pescadores e caçadores ilegais, desmatadores e narcotraficantes mantêm suas atividades de roubo e contrabando de todo tipo nestes confins da Amazônia, no noroeste do Brasil.

Tamanho do texto:

Um ano após o assassinato brutal, nesta região, do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, algo, no entanto, está em vias de mudar do lado dos povos originários. Uma nova geração de ativistas, "herdeiros" de Bruno, assumiu seu lugar ao defender o Javari dos invasores.

Na comunidade de São Luís, às margens do rio Javari, na fronteira com o Peru, são cerca de trinta a bordo de uma piroga motorizada, armados com lanças, arcos e flechas, e vestidos com camisetas cáqui estampadas com a inscrição "guerreiros da floresta".

Estes membros da "vigilância territorial" são todos kanamari, uma das seis etnias do Javari, a segunda maior terra indígena do Brasil. É aqui, nesta floresta impenetrável com área do tamanho de Portugal, que fica a maior concentração de indígenas ainda não contactados. A entrada é interditada a qualquer forasteiro.

- No oeste longínquo -

O território dos kanamari tem como particularidade sua localização, no limite norte do Javari. Nas margens do rio de mesmo nome, em um emaranhado de lagoas e represas, situa-se nos postos avançados das invasões, em particular das incursões de pescadores clandestinos em busca do emblemático pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo. Sua carne, rica em gorduras, é apreciada pelos amantes da culinária e é vendida a preços excelentes por baixo dos panos.

"Por precaução, nós fazemos patrulhas com nossas armas tradicionais", explica Lucinho Kanamari, chefe destes guardiões voluntários. "Quando percebemos os intrusos, um de nós vai falar com eles. Os demais ficam, prudentemente, afastados, prontos para reagir se algo der errado".

Pescadores, suspeitos de terem vínculos com traficantes de drogas, são julgados pelos assassinatos, em 5 de junho de 2022, de "Bruno e Dom", como são chamados aqui, de uma forma íntima. O crime chamou atenção internacional momentânea para este recanto afastado do planeta, no oeste longínquo onde se joga parte do futuro da imensa floresta amazônica.

"É preciso sempre estar preparado para o pior. Mas nós não queremos violência. Estamos lá de forma pedagógica, para uma dissuasão pacífica. Falamos, explicamos a eles", relata Lucinho, o rosto pintado com uma faixa vermelha.

"Frequentemente, eles tentam nos comprar com combustível, arroz, açúcar... Devemos manter contato com eles para saber o que estão tramando", acrescenta.

Dois postos de vigilância - casinhas de madeira construídas sobre flutuantes cercadas por mosquitos - foram instaladas em pontos estratégicos do rio. Um deles já foi alvo de tiros.

O perigo também vem dos narcotraficantes, que cultivam coca do lado peruano, e enviam a droga rio abaixo rumo ao ponto de interseção fluvial nas três fronteiras entre Brasil, Peru e Colômbia.

No começo de abril, caçadores ilegais pegos em flagrante também ameaçaram de morte o cacique de uma comunidade kanamari vizinha, forçando-o a se refugiar na cidade.

Na avaliação dos indígenas, o governo federal permanece bem pouco presente no enfrentamento a esta criminalidade perigosa e onipresente. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), encarregada da gestão destes territórios, amargou um período de quase abandono durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), defensor declarado da exploração da Amazônia.

- "Missão delicada" -

"Com Bolsonaro, depois a covid, as invasões explodiram", explica Varney Todah da Silva Kanamari, vice-presidente da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

"O Estado nos abandonou, tivemos que assumir nossas responsabilidades. Criamos grupos de vigilância nas comunidades. A ideia é proteger nossa terra e viver dos nossos recursos. Nós defendemos aquilo que nos pertence, nossos lagos e florestas", afirma.

Assim, os kanamari formaram, no médio Javari, seus "guerreiros da floresta", inspirados nos "guardiões da floresta de Guajajara", experiência similar dos indígenas Arariboia, que lutam contra traficantes no Maranhão.

No coração da imensa floresta, a tarefa é imensa e faltam recursos. Os eco-guerreiros de São Luís dispõem apenas de dois barcos a motor e com muita frequência têm pouco combustível disponível.

"Sua missão é muito delicada, pois a ameaça está muito perto, na verdade na margem oposta, do lado peruano do rio", explica Varney Todah. Enquanto isso, nas cidades, alguns moradores continuam a colaborar com os invasores.

No entanto, "os guerreiros tiveram resultados, seu método funciona", constata Bushe Matis, coordenador-geral da Unijava.

Eles se inserem em uma estratégia mais ampla, cujas fundações foram deixadas por Bruno Pereira, explica Matis à AFP, na sede de sua organização, localizada na cidade de Atalaia do Norte, porta de entrada para a reserva.

"Se esperarmos o Estado agir, vai demorar muito tempo", afirma. O trabalho dos Kanamary se articula, assim, em uma escala maior, com "a equipe de vigilância" da Univaja. Conhecida pelo acrônimo EVU, esta espécie de comando de organizações indígenas intervém "quando a situação fica mais tensa", explica Matis.

"Os 'guerreiros' fazem a sensibilização. A EVU coleta as provas das invasões e de seu roubo", acrescenta.

- "Ocupar o território" -

Bruno Pereira "montou a equipe" ao chegar à Univaja, após ser exonerado da Funai. "Nós somos seus herdeiros", orgulha-se Bushe Matis.

Na casa dos trinta anos e com aparência de playboy, filho do explorador e célebre indigenista Sydney Possuelo, Orlando de Moraes Possuelo é um dos líderes da EVU. "O objetivo é ocupar o território", diz ele à AFP, particularmente nas duas áreas limítrofes onde há abundância de peixes e animais, o Médio Javari e o rio Itaquaí.

Embarcações motorizadas, GPS, drones, telefones e internet via satélite... A EVU, agora mantida por doadores generosos, faz uso das novas tecnologias.

Além de seus três líderes, a organização conta com 27 membros, jovens procedentes de todas as comunidades do Javari, treinados "a fazer levantamentos, confiscar materiais, com tais protocolos de segurança...", enumera Cristobal Negredo Espisango, conhecido como Tatako, outro fundador do grupo.

"Nós chegamos o mais rapidamente possível para pegar os intrusos em flagrante, antes que desapareçam ou passem para o Peru", continua.

As missões são confidenciais e os membros do grupo trabalham sob anonimato. Muitos já foram ameaçados. "Eu estou ameaçado de morte. É claro que tenho medo, mas não há outras opções", admite Tatako.

Perto da sede da Univaja, fica a sede da EVU, em uma casa branca sem identificação em Atalaia do Norte, protegida por uma grade de ferro e uma câmera de segurança.

Zona tampão entre dois mundos, esta cidade portuária, bem como as localidades vizinhas de Benjamin Constant e Tabatinga, são conhecidas por serem base de traficantes e abrigarem comunidades de pescadores que costumam ser hostis aos indígenas.

Os métodos da EVU são evidentemente robustos, mas "nós não somos substitutos do Estado", insiste o presidente da Unijava.

"Nós fazemos o controle, coletamos as informações e as provas. E as transmitimos às autoridades competentes. Depois, que o Estado faça seu trabalho!", dispara, esperando que com a volta ao poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorável à causa indígena, "a Polícia Federal e a Funai queiram, enfim, realmente nos ajudar".

"Atualmente, a EVU é a única organização que combate realmente o crime organizado no Vale do Javari", assegura Tatako. "E ela está em vias de fazer as coisas se movimentarem".

R.Mehmood--DT