Dubai Telegraph - Crateras enormes engolem cidade amazônica no interior do Maranhão

EUR -
AED 4.228057
AFN 74.832966
ALL 94.116967
AMD 419.396258
AOA 1056.871121
ARS 1714.164117
AUD 1.639071
AWG 2.073735
AZN 1.953699
BAM 1.954799
BBD 2.309418
BDT 141.597523
BHD 0.43236
BIF 3404.80585
BMD 1.151276
BND 1.477135
BOB 13.501854
BRL 5.847789
BSD 1.146663
BTN 109.658728
BWP 15.6683
BYN 3.355337
BYR 22565.003974
BZD 2.306119
CAD 1.613922
CDF 2619.152068
CHF 0.928739
CLF 0.027074
CLP 1065.562905
CNY 7.777155
CNH 7.766615
COP 3596.216919
CRC 521.310524
CUC 1.151276
CUP 30.508806
CVE 110.21146
CZK 24.226408
DJF 204.186618
DKK 7.475429
DOP 66.732944
DZD 152.795666
EGP 58.796453
ERN 17.269136
ETB 185.073431
FJD 2.551682
FKP 0.866484
GBP 0.85591
GEL 3.010591
GGP 0.866484
GHS 13.398909
GIP 0.866484
GMD 85.194628
GNF 10065.105
GTQ 8.749749
GYD 239.903037
HKD 9.029703
HNL 30.91213
HRK 7.535442
HTG 149.921542
HUF 362.564336
IDR 20804.703409
ILS 3.528614
IMP 0.866484
INR 109.868888
IQD 1508.171184
IRR 1583004.104973
ISK 142.608344
JEP 0.866484
JMD 181.349299
JOD 0.816278
JPY 184.867828
KES 148.940611
KGS 100.678756
KHR 4651.154164
KMF 495.62215
KRW 1654.325489
KWD 0.356723
KYD 0.955553
KZT 543.929066
LAK 26110.932968
LBP 102679.699667
LKR 385.144426
LRD 207.559168
LSL 19.123124
LTL 3.399418
LVL 0.696396
LYD 7.338925
MAD 10.804146
MDL 20.192261
MGA 4953.362803
MKD 61.493524
MMK 2417.498572
MNT 4140.245065
MOP 9.264655
MRU 46.177591
MUR 54.363099
MVR 17.798526
MWK 1998.61445
MXN 19.969574
MYR 4.70596
MZN 73.578298
NAD 19.123083
NGN 1563.904192
NIO 42.195287
NOK 10.986632
NPR 175.44158
NZD 1.961066
OMR 0.44266
PAB 1.146713
PEN 3.901767
PGK 5.059037
PHP 70.650909
PKR 318.450169
PLN 4.307954
PYG 6853.194519
QAR 4.195481
RON 5.244863
RSD 117.40941
RUB 91.784718
RWF 1687.862754
SAR 4.296176
SBD 9.30358
SCR 15.634547
SDG 690.76513
SEK 10.991747
SGD 1.478486
SLE 28.438232
SOS 655.336101
SRD 43.454895
STD 23829.082842
STN 24.485659
SVC 10.033254
SZL 19.018439
THB 38.483114
TJS 10.589955
TMT 4.040978
TND 3.395684
TRY 54.708854
TTD 7.782408
TWD 37.288207
TZS 3048.00018
UAH 51.156394
UGX 4294.727111
USD 1.151276
UYU 46.127591
UZS 13765.834309
VES 858.502152
VND 30237.105325
VUV 137.613459
WST 3.168914
XAF 655.592959
XAG 0.019704
XAU 0.000282
XCD 3.11138
XCG 2.066517
XDR 0.815347
XOF 659.68082
XPF 119.331742
YER 274.351945
ZAR 19.01394
ZMK 10362.859584
ZMW 21.41311
ZWL 370.71031
Crateras enormes engolem cidade amazônica no interior do Maranhão
Crateras enormes engolem cidade amazônica no interior do Maranhão / foto: NELSON ALMEIDA - AFP

Crateras enormes engolem cidade amazônica no interior do Maranhão

A poucos passos do precipício, Deusimar Batista estende as roupas debaixo do sol. Não sobrou nada ao redor de seu jardim: a casa vizinha e a rua que passava em frente à sua propriedade foram engolidas pela terra.

Tamanho do texto:

"Por aqui passava carro, bicicleta... Depois, ficou assim, esse estrago", explica à AFP esta senhora de 54 anos, de baixa estatura e cabelos escuros, apontando para o que agora é um abismo, apenas coberto por mato na borda e com lixo ao fundo.

Um fenômeno pouco comum, provocado - segundo especialistas - pela falta de planejamento urbano e um desmatamento agressivo está levando Buriticupu, pequena cidade amazônica no interior do Maranhão, a um colapso gradativo.

Se as causas não forem contidas, em 30 ou 40 anos a cidade pode desaparecer, avaliam alguns especialistas.

A cidade, de 70.000 habitantes, sofre com o avanço das chamadas "voçorocas", que significa "terra rasgada" em tupi-guarani.

São erosões que surgem como pequenas rachaduras no solo e vão crescendo até virarem grandes crateras, que vistas do alto parecem cânions e avançam engolindo pedaços da cidade.

A Prefeitura de Buriticupu decretou estado de "calamidade pública" em 26 de abril, em uma tentativa de obter recursos estaduais e federais para iniciar obras de contenção das erosões.

Na cidade há 26 voçorocas e a mais profunda tem cerca de 70 metros, segundo a Prefeitura.

As voçorocas costumam se expandir a cada chuva forte nesta cidade jovem, que começou a crescer na década de 1970 com um projeto para o assentamento de trabalhadores rurais.

Por isso, as noites chuvosas se tornaram assustadoras para Deusimar.

"Quando está chovendo, não durmo porque tenho medo de desabar ali ou aqui a qualquer hora", conta a mulher, que trabalha como tecelã e diz não ter aonde ir.

"Meu medo é dormir e morrer", admite.

- Falta de planejamento -

O desgaste do solo é "comum a todas as cidades", explica Augusto Carvalho Campos, geógrafo da Universidade Federal do Maranhão, que tem um estudo sobre as voçorocas.

"Mas em Buriticupu, a alteração é maior" devido ao crescimento urbano sem "o devido planejamento, associado à falta de saneamento ou de drenagem de água e esgoto", explica.

O desmatamento agressivo em Buritucupu se deveu a uma exploração madeireira intensa nas últimas décadas, que tirou a capacidade do solo arenoso de absorver a umidade, piorando o processo erosivo, acrescenta o professor.

Além disso, muitas voçorocas recebem esgoto ou água de drenagem, contribuindo para o aumento das erosões.

"São necessárias obras de engenharia de contenção e também fazer o reflorestamento nas bordas de voçoroca" para limitar as erosões, opina Carvalho.

A terra engoliu umas 50 casas e mais de 300 correm o risco de desabar, segundo a Prefeitura.

"As gestões não se preocuparam com o assunto e deu no que deu", reclama Isaías Neres, presidente da Associação de Moradores de Áreas atingidas por Voçorocas.

As autoridades locais enfrentam um pedido de "socorro imediato" dos moradores, admite João Carlos Teixeira, prefeito de Buriticupu.

"Obras de drenagem profundas, de recomposição (do solo) estão prestes a iniciar na nossa cidade (..) É determinação do governo da República que esta área seja segura", promete Teixeira, de costas para a voçoroca mais antiga da cidade, que começou a crescer há 20 anos.

- Barulho de "trovão" -

Na borda de um abismo de mais de 60 metros, Maria dos Santos, de 45 anos, lamenta o avanço de uma das maiores voçorocas da cidade.

"Aqui não tinha buraco, começou há pouco tempo, menos de três anos", diz Maria, de pele morena e cabelos cacheados, de pé sobre o asfalto rachado em uma curva na parte derrubada pelo desfiladeiro.

A enorme cratera não tem barreiras de proteção, nem sinalização, um motivo a mais de alerta para os moradores do bairro Vila Isaías, onde é comum ver crianças brincando na rua.

Sete pessoas já morreram após caírem em voçorocas, segundo a Prefeitura.

A cratera de Vila Isaías ameaça engolir a casa de dona Maria, uma construção precária de paredes de barro e tábuas de madeira intercaladas, a poucos metros do precipício.

Ali também cada temporal provoca pânico.

"Sentimos medo, não sabemos quando vão cair barreiras porque os trovões e as barreiras são tudo igual, é ao mesmo tempo (sic)", diz a mulher, que espera a ajuda das autoridades para se mudar.

Por enquanto, "a única opção é ficar aqui mesmo (..) Deus é que cuida de nós aqui", resigna-se.

msi/mls/mvv

F.A.Dsouza--DT