Dubai Telegraph - Jovens indígenas usam tecnologia como 'arma' para proteger a Amazônia

EUR -
AED 4.260595
AFN 74.248426
ALL 94.805306
AMD 427.068748
ANG 2.077106
AOA 1059.336376
ARS 1658.112806
AUD 1.639405
AWG 2.090009
AZN 1.997737
BAM 1.954433
BBD 2.336865
BDT 142.422199
BGN 1.961647
BHD 0.4376
BIF 3468.633057
BMD 1.160133
BND 1.487585
BOB 8.017494
BRL 5.892665
BSD 1.160288
BTN 109.833052
BWP 15.567377
BYN 3.212208
BYR 22738.613511
BZD 2.333508
CAD 1.622191
CDF 2662.50625
CHF 0.92068
CLF 0.026314
CLP 1035.639582
CNY 7.855845
CNH 7.841904
COP 4051.7773
CRC 527.83981
CUC 1.160133
CUP 30.743534
CVE 110.187435
CZK 24.154223
DJF 206.179351
DKK 7.474681
DOP 68.193466
DZD 154.373163
EGP 58.414342
ERN 17.402
ETB 187.057149
FJD 2.595448
FKP 0.865632
GBP 0.863911
GEL 3.080173
GGP 0.865632
GHS 12.879156
GIP 0.865632
GMD 84.689611
GNF 10164.020419
GTQ 8.844926
GYD 242.742264
HKD 9.089407
HNL 31.026694
HRK 7.534485
HTG 151.646519
HUF 350.141021
IDR 20540.160827
ILS 3.367397
IMP 0.865632
INR 109.717696
IQD 1519.956254
IRR 1596201.363311
ISK 144.390229
JEP 0.865632
JMD 183.911331
JOD 0.822544
JPY 185.933423
KES 150.122479
KGS 101.453824
KHR 4662.818163
KMF 494.216561
KPW 1044.120414
KRW 1756.824732
KWD 0.357495
KYD 0.96694
KZT 567.949992
LAK 25548.456006
LBP 103904.849072
LKR 385.786745
LRD 211.165904
LSL 18.767493
LTL 3.425572
LVL 0.701753
LYD 7.377965
MAD 10.726303
MDL 20.182228
MGA 4820.710419
MKD 61.648728
MMK 2435.224478
MNT 4149.436187
MOP 9.362811
MRU 46.318393
MUR 54.665199
MVR 17.935794
MWK 2011.927091
MXN 19.962472
MYR 4.698893
MZN 74.135817
NAD 18.767413
NGN 1575.76234
NIO 42.700678
NOK 11.061262
NPR 175.733082
NZD 1.990464
OMR 0.446073
PAB 1.160203
PEN 3.94589
PGK 5.081401
PHP 69.949661
PKR 322.804476
PLN 4.250786
PYG 7103.968656
QAR 4.229914
RON 5.235213
RSD 117.350945
RUB 84.05819
RWF 1704.436918
SAR 4.35293
SBD 9.333938
SCR 15.890144
SDG 696.589428
SEK 10.882758
SGD 1.487952
SHP 0.866157
SLE 28.596858
SLL 24327.420374
SOS 663.047546
SRD 43.525852
STD 24012.417887
STN 24.482871
SVC 10.152029
SYP 128.231972
SZL 18.764196
THB 37.768125
TJS 10.755514
TMT 4.072068
TND 3.395595
TOP 2.793323
TRY 53.693061
TTD 7.875626
TWD 36.574946
TZS 3051.148371
UAH 52.017304
UGX 4310.05888
USD 1.160133
UYU 47.057888
UZS 13899.215866
VES 675.148694
VND 30499.905571
VUV 138.637141
WST 3.182818
XAF 655.50969
XAG 0.016565
XAU 0.000268
XCD 3.135318
XCG 2.091064
XDR 0.81601
XOF 655.50969
XPF 119.331742
YER 276.768569
ZAR 18.796364
ZMK 10442.584941
ZMW 20.395994
ZWL 373.562463
Jovens indígenas usam tecnologia como 'arma' para proteger a Amazônia
Jovens indígenas usam tecnologia como 'arma' para proteger a Amazônia / foto: MAURO PIMENTEL - AFP

Jovens indígenas usam tecnologia como 'arma' para proteger a Amazônia

Seu avô protegia o território indígena no estado de Rondônia com arco e flecha. Mas hoje a tecnologia é a "arma" de muitos jovens indígenas, como a ativista Txai Suruí, contra a extração ilegal de madeira e o garimpo na Amazônia.

Tamanho do texto:

A brasileira de 26 anos é uma das estrelas do Web Summit Rio, a maior conferência anual global de tecnologia que reúne nesta semana, pela primeira vez fora da Europa, mais de 20.000 empreendedores de grandes empresas de tecnologia, start-ups e investidores de todo o mundo.

"Hoje a tecnologia é como se fosse uma arma para a gente (...). Usamos a tecnologia e o conhecimento ancestral como uma forma de resistência, de proteção do nosso território", afirma à AFP, à margem da conferência.

Com câmeras de vídeo, drones, GPS, celulares e redes sociais, um grupo de jovens de sua cidade monitora a invasão de terras e a denuncia por meio de um aplicativo, explica Txai, coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que trabalha com 21 povos indígenas da Amazônia.

"Mas a tecnologia pode ser usada para o mal", alerta. "O mesmo satélite que usamos para proteger o nosso território é usado pelos invasores para destruir. No Facebook se vende terra indígena".

Cerca de 800 mil indígenas vivem no Brasil, a maioria em reservas que ocupam 13,75% do território, segundo dados oficiais.

- Família de ativistas -

Txai segue os passos de seus pais, ativistas que lutaram contra madeireiros ilegais e receberam ameaças de morte.

A jovem é produtora executiva do documentário "O Território", sobre a luta do povo Uru-eu-wau-wau e de sua mãe, Ivaneide Bandeira, contra a invasão de terras em Rondônia.

Seu pai, o cacique Almir Suruí, que ela define como "um visionário", foi o primeiro a recorrer à tecnologia "para salvar a floresta": em 2007, ele bateu na porta da Google na Califórnia e assim surgiu o mapa cultural dos Paiter Suruí no Google Earth, lembra.

Ele também foi o primeiro a levar um povo indígena brasileiro a trabalhar com o mercado de carbono, iniciativa que está paralisada enquanto é discutida com mais profundidade, "porque tem gente que quer se aproveitar".

Descalça, com o rosto pintado com linhas pretas e uma coroa de penas coloridas que enfeitam seus cabelos longos, Txai Suruí incentiva os empresários a visitarem a floresta.

"Precisamos que as pessoas que trabalham com tecnologia se reconectem com a nossa natureza (...). Aos que me dizem que querem me ajudar com novos aplicativos, eu digo: venham nos conhecer e ver o que precisamos", diz a ativista, que está cursando Direito.

- Ainda há preconceitos -

A jovem, que participou da conferência da ONU sobre mudanças climáticas COP26 em Glasgow, em 2021, lamenta ser a única indígena no Web Summit Rio.

"Ainda existe muito preconceito, muito racismo. A gente fala em democracia, mas que democracia é essa, se a gente não se vê no espaço?", questiona.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu há quatro meses, tem como prioridade o combate ao desmatamento. Lula assinou na semana passada decretos demarcando seis novos territórios indígenas, os primeiros desde 2018.

As novas reservas garantem aos indígenas o uso exclusivo dos recursos naturais e os cientistas afirmam que essas áreas atuam como um freio ao desmatamento na Amazônia.

No governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), que prometeu antes de chegar ao poder "não ceder um centímetro" de terra aos indígenas, o desmatamento aumentou 75% em relação à década anterior.

"O olhar mudou (...), mas sabemos que temos um longo caminho pela frente", afirma Txai. "Meu papel é cobrar, pressionar, ainda restam muitos territórios para serem demarcados".

"Tem que fortalecer a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas, o do Meio Ambiente", acrescenta.

Para a jovem, o maior desafio vem de um Congresso Nacional "muito conservador, mais do que o último governo".

Em nível global, pede ao mundo que entenda que falar de mudança climática não é só falar de economia.

"Estamos quase num ponto sem volta (...). É preciso parar de pensar só na economia e pensar nas pessoas", afirma.

X.Wong--DT